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31 de março


(Foto: Divulgação) /

O Brasil guarda lembranças, pelo menos naqueles que não são tão jovens, o fato político ocorrido em 31 de março de 1964, em que as forças militares tomaram o poder no Brasil, derrubando o então Presidente João Goulart. O fundamento dO golpe militar foi o de preservar o Brasil de uma ditadura comunista.

Estabeleceu-se com a revolução a ditadura militar que perdurou por 21 anos, até 1985, sucedendo-se os Presidentes da República militares, eleitos indiretamente pelo Congresso Nacional. Houve nesse período e como foi acontecer nos regimes totalitários, muito desrespeito a direitos do cidadão e um número considerável de desaparecidos políticos que, ao que tudo indica, foram torturados e mortos, sendo seus corpos consumidos, estando as famílias em espera intérmina por uma notícia de seus entes queridos, não mais havendo esperança de que vivem, sem que pudessem dar-lhes sepultamento digno. 

Após a reabertura democrática, com retorno gradual do direito de expressão, criou-se um movimento no país sob o slogam "Brasil nunca Mais", em prol da democracia e para conscientização do povo sobre as inconveniências de ditaduras, de qualquer vertente ideológica. 

É verdade que os militares também deixaram um legado positivo, não se afeiçoando à corrupção, tanto que os Presidentes militares deixaram o Governo nas condições econômicas singelas em que assumiram o poder. Também promoveram o desenvolvimento do país em diversos setores, tempo de mais ordem e disciplina, justiça seja feita. 

O que não soa bem é a manifestação do Presidente da República, Jair Bolsonaro, militar da reserva, de enaltecer a Revolução de 1964, como um feito memorável para o Brasil. 

Os tempos são outros, as forças armadas têm o respeito da população brasileira, tanto que elegeu um militar para a Presidência da República e, em Santa Catarina, também o Governador eleito é militar, não se podendo, porém, confundir esse respeito para uma exaltação do período da ditadura, que deixou muitas chagas abertas e que estão cicatrizando com o tempo. 

É recomendável que o Presidente se abstenha de qualquer comentário sobre a Revolução de 1964 e se dedique às graves questões enfrentadas pelo país, pena de sofrer prematuro desgaste político, que já se faz sentir mercê de atitudes impensadas próprias e/ou de seus filhos. 

Necessário não perder de vista que é um Chefe de Governo em regime democrático, excluindo qualquer possibilidade de conduta diversa do respeito e do diálogo, deve estar consciente da imprescindibilidade do apoio político e da legitimidade popular para manter- se e levar a bom termo o Governo. 

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