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Governo

Já pontuamos neste espaço que o atual Governo federal, por não ter maiores compromissos com aliados políticos, poderia formar uma equipe de governo com ampla liberdade e contemplar a capacidade ou a meritocracia, como é chamada no meio político, deixando para trás a velha prática da troca de favores pela utilização de cargos públicos. Também se observou a necessidade de o Governo possuir uma sólida base de sustentação no Congresso Nacional, para assegurar uma satisfatória governabilidade, implementando as políticas públicas que entender adequadas. 

Esse apoio político poderia ter sido construído com o diálogo franco com os partidos, demonstrando-lhes os projetos de Governo e a solicitação de apoio para a retomada do crescimento econômico, do nível de emprego e etc. 

Entretanto, descurou o Governo dessa necessidade, especialmente diante das importantes reformas que pretende ver aprovadas pelo Legislativo. Deixou o Presidente e sua equipe de atrair os partidos políticos, mediante postura sincera e humilde, estreitando relações, com compromissos recíprocos pelo Brasil. 

Talvez pela vitória nas eleições, olvidou a Administração de trabalhar desde o início o indispensável apoio do Congresso Nacional, permitindo até que uma crise com o Legislativo se insinuasse, situação incômoda que exige providências imediatas. 

É nesse meio de insegurança que o Vice-Presidente já acena aos partidos com a distribuição de cargos em troca de apoio, tendo agora de reparar o erro de postura, repetindo-se a já desgastada prática de aliciamento de parlamentares mediante a oferta de cargos públicos e da liberação de emendas, jogando por terra a perspectiva inicial de meritocracia. 

É de se lamentar, por perder o Governo a oportunidade de fazer diferente, de valer-se do apoio das urnas para um pacto com o Congresso com vistas à implementação de políticas para o desenvolvimento do país, o que é impostergável, tendo em vista o crescimento apresentado por nossos conterrâneos da América Latina e, também, de outras partes do mundo, que vão adiantando-se em desenvolvimento, pelo crescimento econômico apresentado, enquanto o Brasil estorcega em crises e tíbio crescimento, em razão de desajustes das contas públicas, dos problemas de infraestrutura, do custo Brasil, entre outras, situações que exigem uma correção de rumos. 

Não se pode esperar, contudo, significativas medidas administrativas sem um comprometimento do Poder Legislativo, por consciência e espírito público, não pela troca de favores, mensalão ou outros expedientes de cooptação. 

Se não há outro modo, por falta de articulação política do Governo, que possam as políticas públicas saneadoras e incentivadoras do crescimento ser aprovadas mesmo pelo loteamento de cargos públicos e indicação de seus ocupantes pelos partidos, tudo como era antes. Não é o que o povo deseja. 

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