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Cidadania


(Foto: Divulgação) /

Quando se fala em cidadania, para logo temos a idéia da consciência e da capacidade do indivíduo de exercer seus direitos, conferidos pela ordem vigente. Isso é verdadeiro, porém, é uma acepção limitada de uma conceituação mais ampla e dinâmica, que se aprimora constantemente.

A cidadania deriva do princípio da igualdade, que, por sua vez, emana do princípio democrático.

Por democracia entende-se não só a participação de todos no Governo. Ela pressupõe ainda a inclusão de todos nos benefícios comuns, nos variados setores da sociedade. Assim, a educação, a saúde, a segurança, a dignidade humana, a liberdade e etc, são valores a serem disseminados indistintamente a todas as pessoas, tão só pela sua condição humana.

Para efetivação dessa generalização das benesses públicas concebeu-se o princípio da igualdade, que objetiva a correção das desigualdades sociais causadas pelo poder econômico e por deficiência estatal na gerência da coisa pública.

A cidadania é um dos fins da igualdade, para que todos sejam conscientes e livres, situação que, a princípio, não está relacionada com a condição socioeconômica do indivíduo, mas que também não se acha de todo divorciada desta.

Mesmo não sendo um valor material a consciência livre, ela não prescinde de um mínimo de estruturação de ordem econômica, para que as camadas sociais mais frágeis possam acessar, entre outros bens da vida, a informação. Sem informação não há cidadania.

Em havendo pessoas privadas de energia elétrica, de água potável, de alimentação condizente, de moradia digna, sem acesso a rádio, televisão e jornais, forçoso reconhecer ali a ausência de cidadania e que essas pessoas estão situadas no seu lado oposto, que é o da exclusão.

Excluídos são os não usuários dos serviços da CELESC, da CASAN, do gás, que, à feição do homem primitivo, saem em busca de alimento para o dia, sem maiores cogitações acerca da vida. Os filhos frequentam a escola porque há obrigatoriedade ou nem a frequentam. As crianças da primeira idade por vezes não recebem as vacinas porque os pais não ficam sabendo das campanhas e não possuem as respectivas cadernetas...

Esse estado de parte da sociedade mundial denota a ausência de democracia, de igualdade e de cidadania.

Verifica-se ainda a massa humana de manobra, ora pela mídia consumista, ora pela fala persuasiva de pessoas formadoras de opinião, tendentes a manter um maior número indivíduos possível sob sua orientação.

Daí a importância da educação libertadora para uma cidadania consciente, não só para escolher livremente seus governantes, como também para orientar-se na vida como sujeito de direitos e de obrigações de consciência livre. De lamentar quando a própria educação, com desvio de rota, forma pseudo-sábios alienados em seu orgulho e distanciados da vocação libertadora de consciências.


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