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OPINIÃO

Centrão

Os informes divulgados sempre foram de barganhas


O regime democrático se põe ao totalitarismo, por isso que o poder  não é absoluto em qualquer de suas instâncias institucionais, devendo todos os detentores de poder obediência à Constituição, além da fiscalização e controle por outros poderes. Para o Poder Executivo, imprescindível o apoio político do Poder Legislativo, responsável pela aprovação das políticas públicas que o governo pretende implantar, além de ter a missão de fiscalizar as ações governamentais. A falta ou perda de apoio político, põe em risco a estabilidade do governo e a própria permanência do chefe do Executivo no cargo eletivo ocupado. 

Esta realidade que, até certo ponto é saudável, pela interdependência  que existe entre os poderes, tem acarretado, ao longo do tempo no Brasil, uma prática censurável entre os poderes Executivo e  Legislativo, que é a troca de favores. Como o chefe do executivo necessita de apoio do parlamento, tanto para a aprovação de medidas de seu interesse, bem assim para a proteção pessoal do governante, que fica imune de ações que busquem o seu impedimento. 

Durante o governo do ex-presidente Lula houve o rumoroso caso  do mensalão, que nada mais era do que a cooptação de parlamentares para os interesses do governo e do presidente, mediante uma gratificação paga mensalmente, daí a denominação de mensalão. 

Diversos outros casos ocorridos nos diversos governos pós-revolução,  não com a retumbância do mensalão, mas que revelam condescendências reciprocas entre Executivo e Legislativo, como modo de fidelizar parlamentares ao governo. Em relação aos parlamentares assim cooptados, tem-se que, afora o caso do mensalão, não há notícias de recebimento de benefícios pessoais, em corrupção passiva. Os informes divulgados sempre foram de barganhas para recursos em favor de seus estados e de suas bases eleitorais. Esta prática, quase que institucionalizada em nível federal no Brasil, recebeu a cognominação vulgar de "toma lá, dá cá". 

Quando da eleição do presidente Bolsonaro, tivemos a oportunidade  de comentar neste espaço de que, pelo grande apoio popular manifesto nas urnas e pela personalidade determinada do presidente, poderia estabelecer com o Congresso Nacional uma relação proativa para o país, através de diálogo respeitoso entre os poderes  e de uma agenda de realizações de alto interesse nacional, com a total ausência de troca de favores, como a distribuição de cargos do  governo aos partidos políticos e outras coisas mais. 

Houve esta disposição no início do governo, sendo que, transcorridos 18 meses, vê-se obrigado o presidente a aliar-se, de uma forma nos moldes do "toma lá, dá cá" com o grupo político de pequenos  partidos denominado "Centrão", a bem de assegurar apoio político. Essa necessidade decorre da falta de habilidade política do presidente que, com sua franqueza, facilmente desagrada as pessoas, bem como pela vileza que oculta-se em sorrisos amistosos e que circula pelos meandros palacianos com pérfi das intenções.

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