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14 Maio 2019 09:26:00
Autor: Katia Zilio

Quando pensamos na palavra Cacoete, pensamos em trejeitos com o corpo e acreditamos que são evitáveis, o que nem sempre é verdade.

Na linguagem também há cacoetes que, por vezes, podem até serem irritantes visto que são usados indiscriminadamente.

Um exemplo disso é a palavra TIPO que, empregada de qualquer maneira em um discurso, fica perdida entre outras palavras, sem nenhuma utilidade. Para quem adora incluir o "tipo" em uma frase, ele pode servir, como uma espécie de pontuação na linguagem oral:

(Arte: divulgação) 

"Eu não quero sair (tipo), acho melhor a gente (tipo) pensar melhor no que vai fazer para depois (tipo) não ficarmos chateados com a nossa decisão...".

Outro cacoete é a expressão Meio que. Dizer isso toda hora aparenta falta de vocabulário. Você meio que entendeu o que queremos dizer?

O policial (meio que) pegou os ladrões de surpresa na loja do aeroporto.

Outro cacoete famoso, e não é somente entre os adolescentes, é a expressão Tipo assim:

O "tipo assim" tornou-se uma espécie de epidemia linguística e, nos casos mais graves, pode ser encontrado até mesmo nos textos escritos. Formalmente, o "tipo assim" não possui nenhum significado.

Armadilha, tipo que meio que ajuda a pensar a língua, tipo assim, ela pode ser meio que útil...

Entendeu?



07 Maio 2019 10:10:00


(Foto: Divulgação) /

Ultimamente, percebo que muitas pessoas, no afã de querer falar difícil ou ser o defensor de uma linguagem única, querem uniformizar a língua.

Penso que há uma proliferação de juízes da língua que acreditam tudo saber. Fazem condenações de palavras e termos como se estivessem em um tribunal.

Por isso, leitor quero alforriar, libertar, absolver o verbo BOTAR...

Sim, não usamos esse verbo somente para nos referirmos às galinhas quando botam ovo...

Aliás, as galinhas colocam ovos, põem ovos e botam ovos.

De acordo com os dicionários, BOTAR pode significar:

Colocar dentro de; pôr:

Ele botou a mão no bolso e sorriu

 Fazer a postura de ovos; desovar:

As galinhas botaram pela manhã?

 Pôr para fora, geralmente com força ou violência; expulsar:

A polícia botou o bêbado para a rua.

Arremessar, jogar:

Botou a bola na rede.

Esses são alguns dos sentidos possíveis do verbo BOTAR.

Botou fé na Armadilha, leitor? É melhor botar...

 Afinal, colocar a língua para funcionar a nosso favor é permitir que ela faça sentido.

Botei fé também em você, leitor!



30 Abril 2019 09:45:00


(Foto: Divulgação) /

Hoje só quero brincar

Brincar de dizer

De palavras brincar...

Não quero lutar com palavras, assim como dizia Drummond..

Quero fazer das palavras aconchego da alma, recuo do mar, reino escondido de quem sabe amar...

Quero esconder-me da vida sofrida, quero embebedar-me do que não é doído,

Quero o que é prazer e encanto, o que é imprescindível aos olhos de espanto

Do espanto de quem sorri para o mundo de olhos limpos e sinceros.

Quero, definitivamente e sempre,

Tentar escancarar a tristeza, chorar as desventuras e infortúnios pelos quais passo e, principalmente...

Observar a leveza da criança

Permitir-me andar de cabeça baixa

Encontrar minha imagem no espelho e dela desgostar, pois se assim estou sentido para que escapar?

Sinto, leitor, que hoje o universo é poesia, é dedicação da palavra e, dela, é mania

Mania de querer ser autêntico...

Brincar de verdade, da verdade da vida!

Ser triste se assim se fizer necessário!

Ser feliz sem ter de me explicar!

Sorrir e chorar, apesar das armadilhas que a vida, porventura, resolver instalar...

Convido você, leitor, a brincar com palavras, a brincar de dizer as verdades...

Só assim, quem sabe, a vida pode ser melhor vivida...

Quem sabe menos sofrida, dos sofrimentos que já têm...

E você, leitor, vem?



23 Abril 2019 10:01:00


O título deste texto hoje, leitor, quer fazer refletir o uso, na escrita, da palavra TRAZ e TRÁS.

A primeira é uma conjugação do verbo trazer e representa o ato de transportar ou encaminhar para este lugar e pode ainda ser sinônimo de oferecer, vestir, ocasionar, atrair, conter em si, apresentar, sugerir, herdar, manter e citar, entre outros. Traz é a forma conjugada do verbo trazer na 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo ou na 2.ª pessoa do singular do imperativo.

A origem da palavra é o latim trahere, esse verbo é irregular, por isso não corresponde aos modelos fixos de conjugação verbal, apresentando alterações nos radicais e nas terminações quando conjugado.

O menino traz o lanche cuidadosamente embrulhado.

Ele sempre traz a apostila para a sala de aula.

Já a palavra TRÁS é um advérbio de lugar, vem sempre acompanhada de preposição e pode ser sinônimo de traseira. Sua origem também é latina trans.

A criança estava no banco de trás.

Quando chamei, ele olhou para trás.

Como dissemos antes, a diferença está somente na escrita, pois a pronúncia será sempre igual.

E o título?

O que é ATROZ?

Um exagero desta colunista, pois significa intolerável, desumano....

E, certamente, não é uma dúvida atroz o uso de trás e traz.

Mas acredito que atroz é a maneira com a qual não somos tolerantes com o outro, e isso inclui o preconceito linguístico: pensar que só a língua padrão é a certa.

Que a Armadilha possa ajudar a refletir o uso da linguagem como forma de interação humana, jamais discriminação.



16 Abril 2019 09:38:00


(Imagem: Divulgação) /

Sabe, leitor, fiquei pensando hoje como devemos nos apresentar a alguém...

O que dizer para os outros de nós mesmos?

Como dizer o que somos sem sermos excessivamente modestos ou orgulhosos de nossos feitos? 

A medida do que dizer e com que ênfase é uma tarefa difícil.

Penso que é mais fácil quando alguém nos apresenta. É mais confortável ouvir de outrem o que somos...

A linguagem nos ajuda a deixarmos os rastros do que não dizemos por inteiro...

Explico:

Quando dizemos quem somos também cruzamos olhares, usamos gestos e utilizamos certa postura. Isso também revela o que queremos dizer, mas nem sempre o fazemos.

Da mesma forma, quando não dizemos, mas nos colocamos em determinada postura corporal, olhamos ou gesticulamos ajudamos a construir nossa imagem.

Nosso jeito de ser indica um pouco daquilo que somos e pode influenciar aquilo que queremos que pensem que somos.

Mas afinal, quem somos?

Depende do olhar que lançamos sobre nós...

Depende do que queremos que os outros olhem...

Cada um de nós constrói uma imagem de si para os outros e para si mesmo.

A Armadilha da Língua é talvez bem menor que a cilada do "não dizer"... Não é mesmo, leitor?

E você, leitor, quer ser apresentado ou apresentar-se?



09 Abril 2019 10:02:00


Sabe, leitor, por vezes me deparo com as belezas intrigantes da língua. Ora penso que devo sempre levar em conta o que as pessoas sugerem, ora quero escrever o que me vem à cabeça...

Hoje é um desses dias. 

Tenho visto o uso de HORA em sua abreviatura com muitas variações por aí. Essa semana mesmo encontrei um cartaz que dizia 10:00HRS.

Então quero hoje apresentar a palavra ORA que pode ser entendida como a ação de orar, rezar.


Ela ora por você todos os dias.

Há também a função de conjunção, advérbio ou interjeição.

Penso ora no céu, ora no inferno...

A situação que ora se desenrola pede calma.

Ora bolas, preciso de você sempre aqui.


Já a palavra HORA indica um período de tempo: 60 minutos. 

O uso de abreviação será sempre o h minúsculo:

Saiu às 10h da sala de cirurgia.

Não se usa S ou H maiúsculo ou ainda HRS para abreviar hora.

Então por ora, creio que já sabemos que HORA e ORA são diferentes na escrita e no sentido.

Na hora da Armadilha, a hora passa rápido e ora pensamos na beleza da língua, ora pensamos na beleza da Armadilha...

Por ora, fiquemos com a Armadilha... 




02 Abril 2019 14:03:00


(Imagem: Divulgação)/

Você já se deu conta, leitor, como nós chamamos aqueles que são íntimos a nós?

O uso do pronome de tratamento VOCÊ é uma dessas formas. Mas a história desse pronome é muito interessante e mostra como a língua é vive na boca do povo.

Para o tratamento ao rei de Portugal nos séculos XIV e XV se utilizava Vossa Mercê, que indicava respeito e deferência, sendo usada apenas para falar com o próprio rei português. "Mercê" significa "graça", "misericórdia", e apenas o rei podia ser misericordioso

A banalização desse pronome ocorre por ocasião da colonização. Longe da corte, sem conhecer a língua e a palavra que fazia reverência ao rei, o pronome começou a ser usado para outras autoridades já na sua forma VOSSANCÊ, VOSSECÊ e VOSSEMECÊ,

Ainda durante o Brasil Colônia, diferentes valores culturais são compartilhados durante o período em que a mão de obra escrava era utilizada nessas terras. Assim, em outros contextos, os escravos popularizaram o VOSMECÊ.?A agilidade na comunicação e aspectos relacionados à pronúncia também colaboraram para essa transformação: MECÊ, SUNCÊ, SUCÊ, VASSUNCÊ, VACÊ, VOSMINCÊ. VANCE e, finalmente, VOCÊ, CÊ, VC que hoje são formas popularizadas que mostram a língua viva atuando na vida dos falantes...

A Armadilha é assim: CÊ pensa, VC sugere e VOCÊ vive a língua... Vossa Mercê compreendeu?



ARMADILHA DA LÍNGUA
26 Março 2019 11:01:00
Autor: Katia Zilio

Ao pensar sobre o tema do texto desta semana, deparei-me com o termo Deu branco.


(Foto: Divulgação) 

Tão comum para alunos, pois é uma desculpa clássica quando não se consegue realizar uma avaliação com bons resultados, o famoso Deu branco também circula entre as conversas por aí. 

É possível ouvir a expressão em caso de embriaguez, não lucidez, como na música de Fernando e Sorocaba:  

Deu branco que eu tava namorando

Peraí, amor, tô sarando

Nunca mais eu vou beber

Deu branco que eu tava namorando

Peraí, amor, tô lembrando

Que eu tô junto com você

O famoso 'deu branco' é um esquecimento repentino que, diferente daquele descrito na música, acontece diante de situações que geram medo como provas, vestibulares ou concursos

As experiências ruins já vivenciadas geram medo, ansiedade e aumentam as chances de ocorrência do "branco".

Como é possível amenizar essa situação?

É importante controlar a ansiedade, alimentar-se bem, dormir bem...

Além disso, exercícios de respiração auxiliam a controlar a ansiedade e estimular o cérebro para a concentração.

Não existe receita, mas quando der branco, pinte da cor que pode ajudar a sermos mais felizes e seguros de que temos fragilidades e precisamos enfrentá-las.

A Armadilha quer o mundo colorido... Se der branco, pinte. Se pintar medo, encare a vida e concentre-se para dar o seu melhor. Enfim, sejamos felizes, independentemente da cor que nos acolhe ou nos impede... Sejamos servis às cores da vida.



19 Março 2019 13:42:00

Sabe, leitor, às vezes, pensamos que podemos não ser justos conosco mesmos e com os outros...

Conviver é uma arte. Vivemos e vivemos. A vida nos exige conviver. Não basta apenas viver.


(Imagem: Divulgação) 

Não é fácil conviver com aqueles que não têm os mesmos interesses que os nossos. O diferente nos atinge pela diferença nossa. Vemos no outro nossa própria (im)possibilidade de conviver.

Conviver, aceitar, permitir a aproximação é uma forma de exercer a empatia que é a habilidade de se colocar no lugar do outro tentando compreender seus sentimentos, desejos e ações.

Mas isso não é fácil, por isso a escola se manifesta como um dos lugares para que possamos, desde cedo, conviver e respeitar os outros, principalmente aqueles que nos são estranhos.

Isso é um aprendizado constante e trabalhoso. Não se aprende a respeitar somente na teoria. É necessário que muitas situações sejam vivenciadas para que possamos exercer a empatia. Mostrar nosso lado mais humano do que animal requer prática e vivências de experiência. Sim, é preciso experimentar, discutir, observar e, acima de tudo, aceitar que somos todos humanos, mas somos diferentes e isso nos deixa ainda mais interessantes.

Assegurar a boa convivência nos ambientes de trabalho, escola e também na família é um movimento que exige esforço de todos. É necessário que todos nós nos empenhemos para garantir que todos que estão no mundo possam viver. 

O estabelecimento da empatia não é natural a muitas pessoas...

 A Armadilha da Língua quer exercer a empatia com a língua e com os sujeitos que se esforçam para CONviver. Todos, a partir da língua, podem conviver e viver melhor. As palavras, combinadas, mostram o desejo da empatia. Sejamos mais humanos...

 Respeito ao outro é um incrível movimento de CONviver. Estamos precisando, não é mesmo?



OPINIÃO
13 Março 2019 16:46:00


(Foto: Divulgação) /

Depois do carnaval dizemos que é tempo de Quaresma.

Mas o que isso significa?

Separemos, pois, o significado do sentido cristão:

Quaresma é um substantivo feminino que se refere a um período de quarenta dias depois da quarta-feira de cinzas. O tempo de quaresma termina na quinta-feira santa.

Para algumas religiões, é tempo de penitência e preparação para a ressurreição de Cristo.

Na botânica, chamam-se Flor da quaresma as árvores e arbustos pertencentes à família da melastomatáceas por apresentarem flores roxas. Por isso que, durante a Quaresma, a Igreja veste seus ministros com vestimentas de cor roxa, que simboliza tristeza e dor.

A Quaresma é uma prática presente na vida dos cristãos desde o século IV e remete aos 40 dias que Jesus passou no deserto, além de lembrar seu sofrimento na cruz.

Mas e o título do texto, Quaresmar, de onde vem?

Do próprio substantivo quaresma, deriva o verbo Quaresmar que tem o sentido de observar os preceitos da Igreja relativos à quaresma, especialmente os jejuns e abstinência de carne.

Quaresmar hoje, é mais do que jejum e abstinência de carne ou comida e bebida.

É importante em tempos de fome refletir a Quaresma como um momento de olhar para o outro e ressignificar nossa presença na terra. 

Quaresmar é hoje o ato de viver a dor de muitos e lutar para sermos dignos não só da Páscoa de Cristo, mas também da Páscoa do renascer da caridade, da humildade, da fraternidade.

A Armadilha convida você, leitor, para quaresmar...

Quaresmando talvez consigamos, com a língua e a partir dela, conviver melhor...

Afinal, a Páscoa não é momento de renascimento?

Renasçamos todos pela Quaresma... Sem armadilhas, mas usando a língua... A boa língua!

  



OPINIÃO
06 Março 2019 09:45:00


(Foto: Divulgação) /

Sim, caro, leitor, é tempo de falar disso...

Mulheres e homens povoam o planeta e carecem de refletir sobre seu espaço e seu jeito de ser...

As notícias povoam os jornais: o mundo dos homens é mais violento com as mulheres...

As mortes anunciadas contra as mulheres pelo fato de o serem são denominadas FEMINICÍDIO. As palavras femicídio ou feminicídio podem ser utilizadas, mas a segunda é a que apresenta origem mais erudita...

Essa palavra é composta pelos termos feminino e homicídio... Assim como as palavras infanticídio, fraticídio, matricídio, etc... Os assassinatos parecem ser denominados pela vítima: matar criança, irmão, mãe... 

Alguns podem dizer que Homicídio seria o assassinato de homem, como ser humano... É verdade, no entanto o feminicídio se difere exatamente por caracterizar um ato contra o ser humano por ser mulher. Geralmente é um crime de ódio que atinge as mulheres, já Homicídio" é o termo genérico que designa o crime de assassinato. 

Penso que a morte de uma mulher pelo fato de ser mulher nos incomoda... Para onde caminhamos como humanidade?

O crime aparece como estatística... A mulher assassinada também vira um número diante dos índices cruéis dos crimes contra a vida...

O feminicídio se refere, principalmente a um conjunto de elementos que parecem permitir que o empurrão, o grito, o soco, a ameaça culmine na morte...

Quantas de nós, mulheres, evitamos ruas mais desertas? Quantas de nós fomos ensinadas a não provocarmos o homem?

Quantas ainda são submissas aos namorados, companheiros e maridos em nome de um suposto amor?

Que amor é esse que apaga a individualidade e impede a mulher de ser mulher?

Que amor é esse que prolifera o ódio às mulheres, ou perpetua a crença de que somos inferiores?

Lutar contra o feminicídio é uma luta contra o abandono, contra o silêncio, a negligência, o preconceito...a violência, enfim.

Afinal, erradicar esse tipo de crime cabe à educação de homens e mulheres para que compreendam o que somos na terra e, acima de tudo, que respeitemos o que cada um deseja ser...

O feminicídio é a morte anunciada, previsível de uma mulher, pois nenhum crime contra a mulher acontece sem os anúncios de violência psicológica, física, verbal, de negligência, ou qualquer outra...

Não há mais espaço para a violência na sociedade do século XXI. É necessário ações sérias e importantes para criar e intensificar políticas públicas de valorização da mulher e combate à violência. O apoio às vítimas de violência e a intensificação da canais de denúncia são ações importantes nessa caminhada. 

A Armadilha não é caminho de morte... É caminho de denúncia e reflexão... Ensinemos o respeito a homens e mulheres, Assumamos o risco de ser HUMANO...A língua é caminho para o diálogo e a valorização da vida...

Viver como homem ou como mulher... Viver sem cair nas armadilhas do preconceito.


OPINIÃO
26 Fevereiro 2019 09:49:00




(Imagem: Divulgação) 

O texto de hoje, leitor, quer mostrar um plural não muito comum: Gravidez, gravidezes.

Sim, há plural para a palavra gravidez, assim como capaz, capazes; feliz, felizes; rapaz, rapazes; avestruz, avestruzes; giz, gizes.

As palavras que terminam em Z fazem o plural com o acréscimo em ES.

O título deste texto, no entanto, quer ainda lembrar que rapazes e moças são responsáveis pelas gravidezes. 

Diferente da crença popular que somente a mulher é responsável pelas gravidezes, hoje entendemos que a concepção não é um trabalho solitário.

Cuidar das mulheres, cuidar das meninas a fim de que gravidezes indesejáveis e, principalmente, precoces não sejam mais tão comuns.

Essa é uma luta de todos.

De rapazes responsáveis a homens de responsabilidade.

De gravidezes indesejáveis a mães que se responsabilizam pela missão maternal.

Cada coisa a seu tempo...

O valor do plural é o plural dos valores...

Pensar o plural é também pensar de forma plural e entender rapazes e moças responsáveis pelo plural de si e de gravidezes. 

Na teoria da língua, realizar o plural é mais fácil do que viver muitas gravidezes...

Então pensemos na Armadilha da Língua como um texto capaz de refletir o plural e a condição de ser mãe e pai...

Sem gravidezes precoces...

Mas refletindo a pluralidade das relações...



19 Fevereiro 2019 09:41:00


Bem-vindo 2019! Bem-vindo? Parece que não.

Diante de tantos desalentos deste início de ano: Rompimento da barragem de Brumadinho; As fortes chuvas no Rio de Janeiro ou em Santa Catarina; Meninos do Flamengo mortos em incêndio... Esse começo foi desanimador...

Não foram poucas as notícias que abalaram o país.

Diante desse quadro de tragédias, a proliferação das palavras perda e perca foi intensa. Já abordei essa diferença e retorno ao tema...

Meus olhos e ouvidos presenciaram muitos equívocos nos últimos dias...

Mas como se usa PERDA? E PERCA?

Saiba, leitor que essas palavras não são sinônimas...

O vocábulo PERDA é um substantivo.

É, provavelmente, a que você, leitor, mais usaria:

Foram tantas perdas este ano de 2019.

As perdas humanas são irreparáveis.

O carro deu perda total.

Já o vocábulo PERCA é um verbo:

Não quero que ele perca a esperança.

Desejo que você não se perca pelos caminhos obscuros da vida.

Então quando alguém diz:

Estou com perca de cabelos, quer dizer, na verdade perda de cabelos.

A Armadilha é um ganho... Jamais uma PERDA! 

Queiramos menos perdas... Mais bondade, amor e muita alegria.

Reiniciemos 2019... Vem ano novo... A Armadilha deseja que ninguém perca a esperança.


ARMADILHAS DA LÍNGUA
20 Novembro 2018 17:21:00


(Imagem: Divulgação) /

Em tempos de pressa e rapidez... De comida fast food e trânsito congestionado (mesmo por aqui) de olhares baixos para telas pequenas e coloridas, de relações superficiais e momentâneas (encerradas, às vezes, via whatsApp), há uma corrente ganhando adeptos por todo o mundo que orienta para uma vida mais simples.

Não estou falando da simplicidade por falta ou precariedade, mas sim aquele por escolha... Pensar em economizar o planeta, em reutilizar e em curtir os momentos são práticas que, cada vez mais, vemos incluídas nos textos publicitários que querem nos vender viagens, carros e produtos que nos deixariam com mais tempo para curtir as coisas boas da vida (segundo a publicidade).

Nesses tempos de reutilizar, não é difícil conversarmos com alguém que já fez algum objeto ou reforma baseado em vídeos e dicas da internet. A popularização do "faça você mesmo" ganhou status de ser simples e econômico, mesmo que não o seja.

O prefixo latino RE cabe bem nessa nossa conversa: 

Reinventar reerguer repaginar

Reabastecer reestruturar repensar

Reapresentar reaver rebuscar

Ressignificar reidratar retornar

Reequilibrar rever reiniciar

Esse prefixo indica a ação de repetição ou retroativa (ainda com RE, percebeu, leitor?).

Nessa onda, muitas vezes nos sentimos como peixe fora d'água... 

Como assim me reinventar? Como assim ressignificar a minha vida? 

E de RE em RE vamos fazendo aquilo que a sociedade nos impõe como verdade.

Já não somos nós. Somo nossa reinvenção, repaginada, reidratada, ressignificada, revista, repensada... Enfim, um novo EU que não é novo, mas que se apresenta entre os Res de repetição...

A Armadilha significa, inventa, busca, vê pensa... A Armadilha também é RE: ressignifica, reinventa rebusca, revê, repensa, Mas, acima de tudo, a Armadilha REencontra na língua o dizer e o discurso...




ARMADILHAS DALÍNGUA
06 Novembro 2018 11:23:00

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(Foto: Divulgação) /

O que move este texto hoje é a satisfação de compreender a poesia como arte e manifestação humana.

Somos humanos e, por isso, a vida nos faz sentido na arte.

E a arte da palavra sempre encantou os povos. Não importa o grau de escolaridade, nem a idade e, muito menos, onde vivemos.

Certamente, em algum momento de nossas vidas, já fomos seduzidos pela poesia.

Você, leitor, pode pensar: Eu? Eu nunca. Nem gosto de poesia.

Mas eu te direi, a exemplo de Bilac, que sim, você, leitor, já curtiu uma música que, além da melodia, dizia na letra o que calava o coração.

Somos arte!

Somos linguagem e por isso ouvimos música, assistimos a filmes e ouvimos histórias. Sentimos o outro suas dores e alegrias na linguagem e a partir da linguagem.

Às vezes nem estamos sofrendo por amor, no entanto choramos à beira de um bom drama no cinema.

Sim, leitor, o cinema é arte e, muitas vezes, a história é considerada um belo poema... 

Há poesia em tudo...

Poesia é o sentimento que nos move...

É o brilho no olho num lampejo de esperança...

É o nó na garganta à espera de lágrimas...

É a natureza e seu esplendor...

É a possibilidade do sentir... E por isso dizemos que a arte e, sobretudo a poesia, é coisa de gente, é pedaço de vida , é encanto que seduz, é também sofrimento diante das agruras da vida.

A Armadilha de hoje quer homenagear a poesia...

Amanhã é o momento, hoje é o instante e o ontem?

O ontem é história que desejo esquecer, comemorar e até reviver...

Brindemos à poesia hoje ontem e sempre!


ARMADILHAS DA LÍNGUA
16 Outubro 2018 11:47:00

Sabe, leitor, muitos me perguntam sobre o uso do acento grave: a crase.

Como já falei sobre esse tema em outro texto, resolvi abordá-lo de outra forma:


É isso mesmo, leitor, o nome do acento é grave. Crase é o que denominamos como fenômeno da união de duas letras "A".



A tira acima trata principalmente da principal regra de uso do acento grave: só podemos usar na frente de palavras femininas... Por isso: à praia e ao campo, a primeira é feminina e a segunda, masculina.


O uso do acento muda o sentido: Chegou a primavera é como dizer que chegou alguém...

Cheguei à primavera é como dizer que cheguei a algum lugar. Cheguei à escola, por exemplo... E com palavra masculina se usa ao: Cheguei ao colégio.


Isso mesmo, leitor, a palavra distância não determinada não ocorre crase.

Meu neto estuda a distância.

Com distância determinada ocorre...

A loja fica à distância de duzentos metros daqui.


Anime-se leitor, espero que a Armadilha tenha ajudado...

Às vezes, basta olhar e reparar...Obedecer à língua e às suas exigências nem sempre é fácil...


Fonte. Acessado em 15/10/18.






ARMADILHAS DA LÍNGUA
25 Setembro 2018 11:09:00


(Imagem: Divulgação) /


Pensar o dia a dia naturalmente nos impele à rotina.

Nem sempre o que vivenciamos é sempre igual, no entanto o ser humano precisa de rotina a fim de se sentir seguro. A rotina é necessária, por exemplo, para as crianças que veem no cotidiano regrado uma forma de saber o que vai acontecer.

Em tempos de inseguranças econômica e política, o ser humano, animal social, tende a mostrar-se arredio a mudanças bruscas, pois a ele parece que aquilo que não o faz pensar como sempre o fez, pode incidir em problemas.

A rotina do trabalho, dos relacionamentos, do lazer e quaisquer outra pode ser interrompida, visto que não podemos contar com um cotidiano eterno. Mas o que nos incomoda é não saber se a mudança será boa.

Ora, podemos dizer que mudar, à primeira vista, nunca parece muito bom. Tudo que foge ao nosso controle nos faz negar o novo e o desconhecido.

Assim, pensar o tempo de relações líquidas e fluidas é admitir que não podemos deixar de mudar, de oferecer a nós mesmos a graça da novidade o princípio da fé no novo e naquilo que ainda não nos parece familiar.

Esse é o segredo para não paralisar diante daquilo que não conhecemos, é também a oportunidade de experimentar...

Viver é admitir que o sangue corre nas veias e não é para fugir de nada nem de ninguém. Ele corre por que a vida urge, o tempo é curto e a vontade de saborear os prazeres é imensa.

Viver, sem armadilhas, mas na companhia da Armadilha que te quer bem e deseja que o novo não te imobilize, mas sim impulsione a renovar sempre.



11 Setembro 2018 15:56:00


(Imagem: Divulgação)


Sabe, leitor, tenho acompanhado de longe as discussões de opiniões divergentes sobre assuntos diversos (a política, principalmente).

Entender o outro não é tarefa fácil e, por vezes, penso até, que seja impossível. Exercitar a empatia é uma prática pouco comum entre alguns.

Nossas opiniões sobre quaisquer assuntos podem ser tão acirradas que inibem outras que, talvez, fossem interessantes.

Importar-se com o outro de maneira a tentar colocar-se no lugar dele não é uma tarefa fácil.

Fácil mesmo é criticar, banalizar e discutir impondo aquilo que é nossa crença.

Como podemos dizer que uma coisa é melhor ou pior do que outra? 

Pela experiência, diriam alguns...

Por convicção, diriam outros...

Ou simplesmente porque sempre foi assim...

As possibilidades de ampliar horizontes e conhecimentos se dão na perspectiva da abertura do olhar...

Sem os limites que as viseiras do preconceito impõem, sem as amarras que as crenças entoam...

É possível discutir para entender, para crescer, para pensar sob a égide do ser liberto.

Liberdade para dizer o que se quer (ou escrever) significa também responsabilidade para ouvir o que, às vezes, não está de acordo como que pensamos.

Num ambiente virtual isso está cada vez mais comum... As relações humanas líquidas e voláteis são o combustível para a disseminação da intolerância.

Crescer como ser humano é perceber-se no mundo com todos aqueles que também divergem de nós e, nem por isso, são menos importantes, ou inteligentes, ou perspicazes, ou....

Convido você, leitor, para o exercício da alteridade, o exercício do dizer cuidadoso, sem armadilhas... O exercitar de um discurso de tolerância e respeito... Vamos lá?



21 Agosto 2018 09:28:00


(Foto: Divulgação)

Hoje, leitor, quero dividir a experiência do dizer e da autoridade de quem o diz...Explico: quem diz, o jeito que o faz e como é interpretado...

Quando algo é dito por alguém pode impactar de forma diferente a partir da posição de quem o faz. Pense, leitor, que você pede uma informação em um lugar que não conhece...Se quem informa é somente um transeunte, há, às vezes, uma certa dúvida sobre a veracidade daquilo que foi dito. Se, no entanto, a informação é dada por alguém que trabalha no setor de turismo da cidade essa dúvida pode se dissipar por conta da credibilidade de quem forneceu a informação.

Isso se refere àquilo que Bourdieu indica sobre o "cetro da palavra", pois a relação do que é dito com o sujeito que o diz está na posição de quem o faz. Ter o cetro da palavra é estar autorizado a dizer e ser reconhecido, validado para esse dizer.

Então podemos afirmar que o desejo de cada um de nós é ser autorizado a dizer, ser reconhecido naquilo que falamos para enfim possamos ser ouvidos. Afinal, quem fala objetiva ser ouvido (compreendido, talvez).

Você, leitor, já deve ter vivido situações nas quais ter autoridade na posição ocupada (da profissão, por exemplo) favorece o diálogo e o sentido, pois quando falamos daquilo que sabemos e do que os outros reconhecem que sabemos, falamos de uma posição que favorece sermos ouvidos.

Para dizer não basta fazê-lo,é preciso estar autorizado para isso. E aí é que pensamos: e osentido?Ele também está vinculado à posição do sujeito quando fala.

É mais do que falar e ser ouvido, é saber que o sentido depende disso também, aís está o mérito da Armadilha: pensar sobre o dizer e o sujeito.



14 Agosto 2018 11:14:00


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Sei que serei insistente sobre o tema deste texto, mas a semana tem sido pródiga em exemplos sobre o uso do verbo PÔR.

Explico, leitor, tenho me deparado com um uso constante de formas que não correspondem ao verbo, mas que, confesso fazem sentido se considerarmos que esse verbo apresenta uma conjugação nada regular.

Penso que a região também pode influenciar o uso pela repetição das conjugações. Nós aprendemos muitas coisas pela repetição e, com a língua, não é diferente.

Portanto se ouvimos a forma ponhar,ponhei, acreditamos que ela existe.

Tenho alertado, principalmente, àqueles que precisam do uso de uma linguagem mais formal, que, na dúvida, a troca da palavra por um sinônimo é uma alternativa interessante. Isso vale para qualquer palavra, não só para o caso do verbo pôr.

Refletir o uso de formas como:

 Vou ponhar? Vou pôr...

Ponhei? Pus...

Quando eu pôr? Quando eu puser...

Eu ponho? Sim, eu ponho...

Talvez eu ponha? Sim, que eu ponha...

Então, como já disse em outras oportunidades, é necessário um olhar sobre o que se diz e como se diz.

Se você, leitor, está entre amigos, na intimidade do lar, pode usar da linguagem como lhe aprouver, mas caso precise sacar de outra, é bom que tenhamos a Armadilha da Língua para sanar as dúvidas ou para refletirmos a língua sob o ponto de vista de quem é mais que um usuário da língua e, sim, um sujeito que faz sentido na e pela linguagem.



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