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ARMADILHAS DALÍNGUA
06 Novembro 2018 11:23:00

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(Foto: Divulgação) /

O que move este texto hoje é a satisfação de compreender a poesia como arte e manifestação humana.

Somos humanos e, por isso, a vida nos faz sentido na arte.

E a arte da palavra sempre encantou os povos. Não importa o grau de escolaridade, nem a idade e, muito menos, onde vivemos.

Certamente, em algum momento de nossas vidas, já fomos seduzidos pela poesia.

Você, leitor, pode pensar: Eu? Eu nunca. Nem gosto de poesia.

Mas eu te direi, a exemplo de Bilac, que sim, você, leitor, já curtiu uma música que, além da melodia, dizia na letra o que calava o coração.

Somos arte!

Somos linguagem e por isso ouvimos música, assistimos a filmes e ouvimos histórias. Sentimos o outro suas dores e alegrias na linguagem e a partir da linguagem.

Às vezes nem estamos sofrendo por amor, no entanto choramos à beira de um bom drama no cinema.

Sim, leitor, o cinema é arte e, muitas vezes, a história é considerada um belo poema... 

Há poesia em tudo...

Poesia é o sentimento que nos move...

É o brilho no olho num lampejo de esperança...

É o nó na garganta à espera de lágrimas...

É a natureza e seu esplendor...

É a possibilidade do sentir... E por isso dizemos que a arte e, sobretudo a poesia, é coisa de gente, é pedaço de vida , é encanto que seduz, é também sofrimento diante das agruras da vida.

A Armadilha de hoje quer homenagear a poesia...

Amanhã é o momento, hoje é o instante e o ontem?

O ontem é história que desejo esquecer, comemorar e até reviver...

Brindemos à poesia hoje ontem e sempre!


ARMADILHAS DA LÍNGUA
16 Outubro 2018 11:47:00

Sabe, leitor, muitos me perguntam sobre o uso do acento grave: a crase.

Como já falei sobre esse tema em outro texto, resolvi abordá-lo de outra forma:


É isso mesmo, leitor, o nome do acento é grave. Crase é o que denominamos como fenômeno da união de duas letras "A".



A tira acima trata principalmente da principal regra de uso do acento grave: só podemos usar na frente de palavras femininas... Por isso: à praia e ao campo, a primeira é feminina e a segunda, masculina.


O uso do acento muda o sentido: Chegou a primavera é como dizer que chegou alguém...

Cheguei à primavera é como dizer que cheguei a algum lugar. Cheguei à escola, por exemplo... E com palavra masculina se usa ao: Cheguei ao colégio.


Isso mesmo, leitor, a palavra distância não determinada não ocorre crase.

Meu neto estuda a distância.

Com distância determinada ocorre...

A loja fica à distância de duzentos metros daqui.


Anime-se leitor, espero que a Armadilha tenha ajudado...

Às vezes, basta olhar e reparar...Obedecer à língua e às suas exigências nem sempre é fácil...


Fonte. Acessado em 15/10/18.






ARMADILHAS DA LÍNGUA
25 Setembro 2018 11:09:00


(Imagem: Divulgação) /


Pensar o dia a dia naturalmente nos impele à rotina.

Nem sempre o que vivenciamos é sempre igual, no entanto o ser humano precisa de rotina a fim de se sentir seguro. A rotina é necessária, por exemplo, para as crianças que veem no cotidiano regrado uma forma de saber o que vai acontecer.

Em tempos de inseguranças econômica e política, o ser humano, animal social, tende a mostrar-se arredio a mudanças bruscas, pois a ele parece que aquilo que não o faz pensar como sempre o fez, pode incidir em problemas.

A rotina do trabalho, dos relacionamentos, do lazer e quaisquer outra pode ser interrompida, visto que não podemos contar com um cotidiano eterno. Mas o que nos incomoda é não saber se a mudança será boa.

Ora, podemos dizer que mudar, à primeira vista, nunca parece muito bom. Tudo que foge ao nosso controle nos faz negar o novo e o desconhecido.

Assim, pensar o tempo de relações líquidas e fluidas é admitir que não podemos deixar de mudar, de oferecer a nós mesmos a graça da novidade o princípio da fé no novo e naquilo que ainda não nos parece familiar.

Esse é o segredo para não paralisar diante daquilo que não conhecemos, é também a oportunidade de experimentar...

Viver é admitir que o sangue corre nas veias e não é para fugir de nada nem de ninguém. Ele corre por que a vida urge, o tempo é curto e a vontade de saborear os prazeres é imensa.

Viver, sem armadilhas, mas na companhia da Armadilha que te quer bem e deseja que o novo não te imobilize, mas sim impulsione a renovar sempre.



11 Setembro 2018 15:56:00


(Imagem: Divulgação)


Sabe, leitor, tenho acompanhado de longe as discussões de opiniões divergentes sobre assuntos diversos (a política, principalmente).

Entender o outro não é tarefa fácil e, por vezes, penso até, que seja impossível. Exercitar a empatia é uma prática pouco comum entre alguns.

Nossas opiniões sobre quaisquer assuntos podem ser tão acirradas que inibem outras que, talvez, fossem interessantes.

Importar-se com o outro de maneira a tentar colocar-se no lugar dele não é uma tarefa fácil.

Fácil mesmo é criticar, banalizar e discutir impondo aquilo que é nossa crença.

Como podemos dizer que uma coisa é melhor ou pior do que outra? 

Pela experiência, diriam alguns...

Por convicção, diriam outros...

Ou simplesmente porque sempre foi assim...

As possibilidades de ampliar horizontes e conhecimentos se dão na perspectiva da abertura do olhar...

Sem os limites que as viseiras do preconceito impõem, sem as amarras que as crenças entoam...

É possível discutir para entender, para crescer, para pensar sob a égide do ser liberto.

Liberdade para dizer o que se quer (ou escrever) significa também responsabilidade para ouvir o que, às vezes, não está de acordo como que pensamos.

Num ambiente virtual isso está cada vez mais comum... As relações humanas líquidas e voláteis são o combustível para a disseminação da intolerância.

Crescer como ser humano é perceber-se no mundo com todos aqueles que também divergem de nós e, nem por isso, são menos importantes, ou inteligentes, ou perspicazes, ou....

Convido você, leitor, para o exercício da alteridade, o exercício do dizer cuidadoso, sem armadilhas... O exercitar de um discurso de tolerância e respeito... Vamos lá?



21 Agosto 2018 09:28:00


(Foto: Divulgação)

Hoje, leitor, quero dividir a experiência do dizer e da autoridade de quem o diz...Explico: quem diz, o jeito que o faz e como é interpretado...

Quando algo é dito por alguém pode impactar de forma diferente a partir da posição de quem o faz. Pense, leitor, que você pede uma informação em um lugar que não conhece...Se quem informa é somente um transeunte, há, às vezes, uma certa dúvida sobre a veracidade daquilo que foi dito. Se, no entanto, a informação é dada por alguém que trabalha no setor de turismo da cidade essa dúvida pode se dissipar por conta da credibilidade de quem forneceu a informação.

Isso se refere àquilo que Bourdieu indica sobre o "cetro da palavra", pois a relação do que é dito com o sujeito que o diz está na posição de quem o faz. Ter o cetro da palavra é estar autorizado a dizer e ser reconhecido, validado para esse dizer.

Então podemos afirmar que o desejo de cada um de nós é ser autorizado a dizer, ser reconhecido naquilo que falamos para enfim possamos ser ouvidos. Afinal, quem fala objetiva ser ouvido (compreendido, talvez).

Você, leitor, já deve ter vivido situações nas quais ter autoridade na posição ocupada (da profissão, por exemplo) favorece o diálogo e o sentido, pois quando falamos daquilo que sabemos e do que os outros reconhecem que sabemos, falamos de uma posição que favorece sermos ouvidos.

Para dizer não basta fazê-lo,é preciso estar autorizado para isso. E aí é que pensamos: e osentido?Ele também está vinculado à posição do sujeito quando fala.

É mais do que falar e ser ouvido, é saber que o sentido depende disso também, aís está o mérito da Armadilha: pensar sobre o dizer e o sujeito.



14 Agosto 2018 11:14:00


Divulgação/


Sei que serei insistente sobre o tema deste texto, mas a semana tem sido pródiga em exemplos sobre o uso do verbo PÔR.

Explico, leitor, tenho me deparado com um uso constante de formas que não correspondem ao verbo, mas que, confesso fazem sentido se considerarmos que esse verbo apresenta uma conjugação nada regular.

Penso que a região também pode influenciar o uso pela repetição das conjugações. Nós aprendemos muitas coisas pela repetição e, com a língua, não é diferente.

Portanto se ouvimos a forma ponhar,ponhei, acreditamos que ela existe.

Tenho alertado, principalmente, àqueles que precisam do uso de uma linguagem mais formal, que, na dúvida, a troca da palavra por um sinônimo é uma alternativa interessante. Isso vale para qualquer palavra, não só para o caso do verbo pôr.

Refletir o uso de formas como:

 Vou ponhar? Vou pôr...

Ponhei? Pus...

Quando eu pôr? Quando eu puser...

Eu ponho? Sim, eu ponho...

Talvez eu ponha? Sim, que eu ponha...

Então, como já disse em outras oportunidades, é necessário um olhar sobre o que se diz e como se diz.

Se você, leitor, está entre amigos, na intimidade do lar, pode usar da linguagem como lhe aprouver, mas caso precise sacar de outra, é bom que tenhamos a Armadilha da Língua para sanar as dúvidas ou para refletirmos a língua sob o ponto de vista de quem é mais que um usuário da língua e, sim, um sujeito que faz sentido na e pela linguagem.



31 Julho 2018 11:30:00
Autor: Katia Zilio

O motivo deste texto hoje, leitor, é discutir os percalços quando escrevemos um texto. Às vezes, parece que tudo está na nossa cabeça, parece até fácil dizer aquilo que queremos, que já idealizamos tão bonito. 

Mas o que nos impede então?

Primeiro precisamos entender que a linguagem pode ser manifestação de desejo de ímpetos de fraquezas de sentimentos os mais diversos... Por isso também que não é fácil fazê-lo, pois tratar daquilo que sentimos não é muito tranquilo para todos.

No entanto podemos pensar que escrever textos, sejam quais forem, envolve mais do que somente saber ler e escrever. Não estamos tratando aqui de talento, mas sim de autoria, de responsabilidade sobre o que se escreve.

Muitas pessoas depois de deixar a escola ou o curso superior não estabelecem mais contato com a escrita de alguns gêneros textuais (como a poesia, por exemplo) e algumas manifestações literárias não são lidas constantemente pela população.

"A gente não quer só comida ..."

Lembram?

Ler e escrever são atividades cotidianas em muitas profissões e, por isso, tentamos aprendê-las durante nosso percurso escolar.

Aprender a escrever é um exercício cotidiano, pois não basta escrever respeitando a ortografia (a maior vítima da escrita, segundo a cultura popular). É preciso querer dizer e encontrar a melhor forma de fazê-lo...

Cabe o exercício de ler e escrever sempre, cabe a vontade de tentar e recomeçar constantemente...

Cabe pensar nas armadilhas da língua, mas não ser imobilizado por elas...



17 Julho 2018 08:32:00



O texto de hoje, leitor, pensa em valorizar o período em que podemos não trabalhar e, mesmo assim, sermos remunerados. Sim, estou falando das férias...

Férias é uma palavra engraçada. É um substantivo feminino plural que significa a época de repouso após um ano de trabalho.

Férias hoje não existe no singular, mas há muito tempo nasceu do nome dos dias da semana e sua significação de folga era somente de um dia, por isso se dizia Féria.

Era um dia da semana de descanso, de féria ou, como dizemos hoje, de folga.

Alguns séculos depois, associou-se a essa folga semanal, uma mais longa, anual o que hoje conhecemos como Férias.

Assim como férias, há outras palavras em português que hoje só existem no plural. Em algum momento da história já tiveram singular, mas o sentido hoje só se faz no plural

Alguns exemplos:

as condolências (alguém deseja condolência, só uma?)

as costas (nunca vi dizerem costa, só como sobrenome: João da Costa)

as fezes (como direi? Não digo...)

as núpcias (não deve ser no singular, aliás deve ser para a vida inteira)

os arredores (um arredor?)

os parabéns (como não desejar muitos?)

os pêsames (como desejar pouco?)

os picles (bom, se é picles é sempre plural, misturado)

Então, que as férias sejam sempre plurais de experiências, cheias de aventura e novidade para que a energia do trabalho seja recomposta e o desejo de vida seja revigorado.



19 Junho 2018 11:23:31
Autor: Katia Zilio

Este texto, leitor, foi motivado por pronúncias ouvidas durante muito tempo, mas que culminaram na impossibilidade de algumas pessoas em se livrar de uma pronúncia não condizente com os fonemas que a palavra apresenta. 

Explico melhor com a presença de uma das palavras do título, bem comum em nosso cotidiano: GRATUITO.

Essa palavra é escrita sem acento e sua sílaba tônica é TUI. Isso quer dizer que não pronunciaremos somente o I como tônico, como se ele estivesse acentuado. Então GRATUÍTO, com acento ou pronunciado com sílaba tônica somente na letra I não é adequado.

Gratuíto, com acento, é um erro de prosódia, isto é uma inadequação de pronúncia que, às vezes, é também transferida para a escrita.

A partir da palavra GRATUITO podemos pensar em outras que apresentam a mesma sílaba:

Fortuito: o que acontece por acaso, eventual, imprevisto.

Circuito: um espaço, um contorno.

Intuito: objetivo, fim que se deseja.

Fluido: que se expande como líquido.

Essas palavras mantêm a sílaba tônica na sílaba em que aparece o encontro vocálico UI.

O jeito de dizer cada uma das palavras acima é o mesmo no que diz respeito à sílaba que apresenta o UI: FortUito, CircUito, IntUito, FlUido.

"Pensemos que a vida é fluida e os circuitos que nos circundam oferecem oportunidades fortuitas com o intuito de nos seduzir. Sejamos fortes, pois a vida não é uma experiência gratuita, mas sim um desejo intenso de experimentar"

Que a Armadilha seja mais do que uma gratuita e fortuita experiência de língua...

 Que ela seja companheira do dizer e do compreender a língua.



12 Junho 2018 11:55:00
Autor: Katia Zilio

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É tempo de render graças e agradecer... 

Afinal, três penas não são para qualquer jornal, não é mesmo?

O jornal A Semana é campeão de novo...

E ainda não nos acostumamos à vitória?

É porque vencer não é apenas a vitória...

Como assim?

Explico:

A vitória é o substantivo de quem vence, mas vencer... Ah, vencer é admitir ter feito o possível e mais um pouco para alcançar a vitória, para ser o melhor.

E ser o melhor é mesmo com o A Semana, pois fazer jornalismo de qualidade, ser premiado... Isso é realmente vencer.

Vencer é para o A Semana mais do que obter vitória ou triunfo (sobre outros jornais).

Aliás, torcemos pelos outros jornais fazerem um bom trabalho, pois vencer assim é ainda mais vitorioso.

Conquistar e alcançar são alguns vocábulos que estão relacionados à vitória. A conquista da pena de ouro, da pena de prata e da pena de bronze em 2018 desvela o nosso êxito em desejar fazer sempre o melhor para o leitor, para Curitibanos e também para o jornal.

Servir como jornalismo de excelência é uma das nossas metas. Entendemos, então, que a obtenção dos troféus é consequência de um trabalho sério e comprometido com a notícia, com a comunidade e conosco mesmos.

O verbo vencer quando conjugado no presente do indicativo nos oferece:

Venço, vences, vence,

Vencemos, venceis, vencem.

Queremos conjugar esse verbo somente na primeira pessoa do plural: Nós vencemos.

Jamais desejamos conjuga-lo na terceira pessoa do plural: eles vencem, apesar de entendermos que a competição prevê essa possibilidade.

Vencer e triunfar são aparentemente vocábulos sinônimos, mas acreditamos que nesse jornal durante a semana de aniversário de Curitibanos, fomos presenteados e presenteamos com a vitória esse município que é o berço de um jornal sério e cheio de valores em pessoas e penas...

Ficou para a história: ao comemorar 149 anos, Curitibanos parabeniza o A Semana que, por sua vez, comemora o aniversário do município sendo presentado e presenteando com três penas.

Não é uma pena? Não! É a vitória! É o triunfo!



29 Maio 2018 09:35:00
Autor: Katia Zilio



Sabe, leitor, quero pensar em como viemos parar nessa crise caminhoneira... 

Penso que seja por causa dos caminhões? Talvez nem saibamos...

Afinal caminhoneiro ou caminhoeiro? Tanto faz...

Em português daqui é caminhão...

Em Portugal se diz camião...

Na França e na Itália se diz camion...

Na Espanha camión...

Para nós, a palavra lembra caminho, os caminhões rodam por caminhos.

E quem dirige o caminhão?

Camionero, na Espanha; camionista, na Itália e também em Portugal; camionneur, na França.

Podemos observar que as línguas latinas se assemelham na pronúncia e na escrita da palavra, mas, certamente, não há semelhança entre as experiências vividas por nós, brasileiros, nesses últimos dias.

Entre redução de preço de combustível e de abastecimento há um olhar para a nação, como ente organizador de um povo; para a classe dos motoristas, como profissão importante e digna; e para o mar de manifestações apoiadoras....

Pegamos carona?

Parece que sim, pegamos carona nos caminhões e convocamos nossas reivindicações junto daquelas dos caminhoneiros.

Mas é preciso pensar além da língua, além da palavra e além das nossas necessidades: somos uma nação que não aguenta mais a manipulação da mídia e dos poderes que nos cercam...

Como sujeitos assujeitados e esmagados pela sujeição. Somos, talvez, caminheiros (sim, aqueles que caminham) de uma jornada para a qual não vislumbramos saída ou alento.

Caminhoneiros e caminheiros... Sujeitos do mercado... Marcados pela língua e pelo sofrimento de se pensar livre. Armadilha do dizer, e também do pensar!



22 Maio 2018 13:32:00
Autor: Katia Zilio


(Imagem: Divulgação) /


A exemplo do que vemos todos os dias por aí, quero refletir, hoje, leitor, sobre como alguém é ouvido... 

É, leitor, ouvido. Talvez escutado... Sim porque em muitas ocasiões as pessoas falam e não são ouvidas, ou não se dá a atenção para elas.

Pense, leitor, você já não foi a uma reunião seja de condomínio, de moradores do bairro ou até mesmo na escola, onde havia possibilidade de opinar de se manifestar com a palavra e algumas pessoas fizeram isso?

Nessa mesma reunião, talvez em momento mais caloroso de discussão ou de levantamento de ideias, você deve ter percebido, mesmo que rapidamente, que algumas pessoas ao falar pareciam fazer com que muitas ouvissem realmente o que era dito, enquanto outras não tinham a mesma sorte.

Isso não é uma questão de sorte, e sim de cetro da palavra, para usar uma expressão cunhada por Bourdieu, um sociólogo francês que apresenta em sua teoria a explicação sobre isso.

Nesse texto, a exemplo de Bourdieu, gostaria de pensar o motivo de sermos ou não escutados quando falamos. Há ocasiões que o sucesso daquilo que vamos dizer depende da quantidade de ouvintes que nos dão atenção... Não gostamos de falar para as paredes! Lembra, leitor, desse ditado?

 Não gostamos de falar para ninguém, ou melhor, para que ninguém ouça.

Ser ouvido é, pois, um objetivo a ser perseguido pelo ser humano. Falamos para ser ouvidos.

As relações sociais são influenciadas pelos jogos de linguagem... As nossas falas são influenciadas pelo que somos e pelo que representamos, no lugar onde vivemos.

Por isso, é possível que sejamos ouvidos por aqui, onde nos conhecem e ignorados em um lugar onde somos apenas mais um.

A questão que fica é queremos ser alguém para ser ouvido? A Armadilha reflete que ser ouvido é também responsabilidade para com o outro e para com a representação que os outros tem de nós.

Fica então o impasse: Ser ouvido, ou não?



15 Maio 2018 13:32:00


(Foto: Divulgação)

Sabe, leitor, às vezes, fico pensando como podemos ser mais humanos a partir da língua.

O dizer e o sentir estão, para mim, intimamente ligados...

Quando nos solidarizamos com alguém é como se sentíssemos o que a pessoa a nosso lado sente. Fazer isso é um exercício de alteridade... E como exercício, precisa ser feito e refeito, até fazer parte de nós.

Exercer a alteridade para com os outros é uma possibilidade de melhorar o mundo.

Sabe aquele ditado: "Não faça aos outros o que não quer que façam a você"?

Ou ainda: "Faça aos outros aquilo que deseja que seja feito para você"?

A variação do ditado não nos impede de encontrar o sentido daquilo que entendemos por alteridade. Por isso exercitar o sentimento do outro é importante para nos tornarmos mais humanos.

Ao nascer somos um filhote mamífero, indefeso. Somos da raça humana, ou ainda, somos seres humanos, mas ainda não somos e fomos humanizados.

Precisamos, ao longo da vida nos tornarmos humanos, ou humanizados.

Como nos tornamos humanos?

Pela educação, pelo conhecimento das coisas e pelo relacionamento com o mundo.

Pelas artes, pelo estremecer e enternecer diante do belo e do feio, seja pela obra plástica ou pela ativação da memória em linguagem fílmica.

Explico melhor: quando choramos diante de uma cena de um filme, estamos vivenciando a cena, exercício de alteridade. Ao nos colocarmos no lugar da personagem, tentamos, a partir da memória, compreender os sentimentos evocados na cena.

 Podemos pensar na cena do filme "O menino do pijama listrado" quando o menino troca de roupa para experienciar o que o outro vivia. Você lembra, leitor? E fica triste?

Pensar no outro é um exercício não só do dizer, mas também do sentir. É pensar experenciando que nos torna mais humanos.

A Armadilha não deseja capturar as feras de cada um, mas os humanos que desejamos nos tornar.



08 Maio 2018 10:48:00
Autor: Katia Zilio

Quando elaboramos o que vamos dizer, seja de forma mais descompromissada com o rigor da norma padrão ou na adequação do discurso, às vezes nos deparamos com a conjugação de verbos que nos parecem iguais. 

E isso é verdade, muitas vezes é o contexto que nos auxilia a corresponder o verbo ao seu tempo verbal.

Olhemos o exemplo abaixo:



Um exemplo disso é atira acima, pois o verbo vender e ver são o tema da pequena história. Afinal, vendo o pôr do sol é ver ou vender? 

Outro exemplo é AMAMOS/ FALAMOS ou outros verbos da primeira conjugação que apresentam a mesma forma para o presente e para o pretérito perfeito. 

Então:

Nós amamos o verão...

Amamos ontem ou hoje? É presente ou pretérito? Isso vai depender do contexto.

Outras vezes é somente um acento que diferencia o tempo verbal.

Ele amara sua esposa desde o princípio.

Ele amará sua esposa sempre.

O primeiro verbo está conjugado no Pretérito-mais-que perfeito e o segundo, no Futuro do Presente.

E verbo se fez carne... E o verbo se fez texto... E, no texto, é o verbo que sempre colabora com os sentidos que desejamos, mesmo que às vezes ainda tenhamos dúvidas sobre seu uso.

E a armadilha fez do verbo a sua carne, não é?



24 Abril 2018 14:51:00
Autor: Katia Zilio



Caro leitor, sempre há o que perguntar quando se trata da língua... 

O tema deste texto envolve dúvida quanto ao verbo perder e o substantivo correspondente. As palavras "perca" e "perda" apresentam grafia e pronúncia semelhantes. Por este motivo, o uso de "perda e perca", em muitos momentos, pode ser confuso...

Então vamos a eles:

PERDA é um substantivo, significa se privar (desapossar, excluir) de alguém ou de algo que se tinha. Deve vir acompanhado de algum determinante:

Algumas perdas a indústria sempre têm. Já falaram de muitas perdas nesse semestre.

Isso é uma perda de tempo!

Sinto muito por sua perda!

Então, leitor, percebeu que sempre há uma palavra antes de perda que a determina: algumas uma, muitas...

É ainda possível dizer que perda é um substantivo por admitir o artigo "a": A PERDA.

Por isso não é possível utilizar perda como um verbo... Aí que entra o PERCA...

PERCA - é uma forma verbal, ou seja, flexão do verbo "perder".

Não perca essa oportunidade.

Não desejo que ele perca essa chance!

Não perca a esperança...

Usualmente há frases como: Não quero que ele perda a esperança, ou assistir a esse filme é perca de tempo. Mas não perca, leitor, a esperança... A armadilha da Língua não é perda de tempo... Nunca é perda... Sempre é ganho...



20 Março 2018 14:00:00
Autor: Katia Zilio

Em tempos de internet e, principalmente de WhatsApp, recebemos muitas mensagens codificadas. 

O digitar apressado e a leitura menos cuidadosa têm feito muitos reféns de mensagens apagadas...

Em muitas situações, o dispositivo eletrônico nos oferece palavras que sequer diríamos quando em um encontro presencial.

As relações humanas foram simplificadas?

Talvez podemos dizer que a comunicação instantânea nos ajuda no trabalho e nos encontros e compromissos do dia-a-dia, porém é inegável que, para algumas pessoas, o uso do instrumento eletrônico facilita pequenos entraves pessoais...

Finalizar uma relação amorosa ou resolver desentendimento via WhatsApp já é uma realidade. É verdade que isso nos parece estranho... As relações não são descartáveis como as mensagens com as quais nos enganamos ... As relações são humanas e precisam de cuidados...


Como diria ou cantaria Kid Abelha:

Depois de você

Os outros são os outros e só

Depois de você

Os outros são os outros e só


Os outros são os outros, mas você, ah seria bom usar a língua para a empatia: Faça para os outros o que querem que te façam...

Escreva com cuidado.

Use o que quer dizer pensando em si e nos outros.

Quem lê? O que lê? De que forma posso ser mais claro (a)?

E o corretor?

Que seja mais um instrumento, mas que não substitua aquele que escreve a mensagem.

A Armadilha é pensar que a culpa é do corretor, não há culpa.

Somente há a falta de empatia...



06 Março 2018 08:40:57
Autor: Katia Zilio

O texto de hoje, leitor, quer refletir o que podemos fazer quando nos deparamos com verbos que parecem esquisitos quando os conjugamos... Para este texto conto com a contribuição da Eduarda Christina Schuhmann, aluna do Colégio Maria Imaculada, cursando o segundo ano do ensino médio.  

Vários são os verbos que, na nossa língua, não podem ser conjugados em todos os tempos ou pessoas verbais.

Falir, doer, reaver, abolir, banir, colorir, explodir, feder... O que todos esses verbos têm em comum? A falta de conjugações em alguns tempos, modos ou pessoas é o que classifica verbos como esses como defectivos.

A sonoridade e a forma de escrita não usuais são algumas das razões para esses verbos não existirem em todas as conjunções verbais. Outros motivos como causarem equívocos com outros verbos ou desenvolverem conotações pejorativas também fazem com que não sejam aceitas pela norma padrão da língua portuguesa. Um exemplo disso é o verbo polir que quando usado no presente do modo indicativo se assemelha ao verbo pular: eu pulo o carro. Há uma ambiguidade no uso do vocábulo o que nos remete a evitá-lo ou a substituí-lo. Ou ainda eu falo... É falir ou falar?

Para suprir a ausência de flexões do verbo, podemos empregar um sinônimo - eu recupero (para reaver) - ou uma forma equivalente - eu consigo reaver.

No entanto, a nossa língua é viva, e está em constante mudança e adaptações nas normas padrão e aceitação das conjugações desses verbos podem acontecer.

A Armadilha é mais do que saber... É entender o porquê...



28 Fevereiro 2018 19:12:00
Autor: Katia Zilio

O texto de hoje faz uma abordagem sobre os porquês, tema que sempre provoca dúvidas, principalmente quando desejamos escrever essa palavra. Sim, escrever, pois na fala não há como perceber se está separado ou leva acento.

Minha convidada, que reparte as discussões, é a aluna do Colégio Maria Imaculada, Emanuelle Ferreira, também interessada em entender os porquês.

É comum em nossas situações diárias entrarmos em contato com a dúvida de qual dos porquês podemos usar em uma pergunta, ou para uma resposta, ou até mesmo para apontar o motivo de algo que queremos explicar.

 Separado e sem acento, usado para introduzir uma frase interrogativa ou substituir "por qual razão/ por qual motivo". A pergunta pode ser direta, isto é, aquela que usa o ponto de interrogação, como no primeiro exemplo. Ainda podemos usar separado para perguntas indiretas, aquelas em que não há ponto de interrogação, mas se constituem perguntas, como é o caso do segundo exemplo.

"Por que demorou tanto na consulta?"

"Não sei por que ela veio."

Já quando queremos explicar, não é separado, mas escrito junto e não possui sem acento, nesse caso há uma explicação da razão, e poderia ser substituído pela conjunção "pois".

 "Demorei porque o médico precisou se ausentar por alguns minutos."

Separado e com acento, sempre aparece no final de uma frase, antecedendo um ponto.

"Você parece estar chateado. Por quê?"

Junto e com acento, temos aqui um substantivo acompanhado por um artigo, podendo ser substituído por "o motivo/a razão".

"Eles nunca me falaram o porquê da discussão."


(Ilustração: Alexandre Beck)

Agora ficou mais fácil não sair por aí caindo na Armadilha dos porquês!



20 Fevereiro 2018 11:10:00
Autor: Katia Zilio


(Foto: Divulgação) /


Este texto, hoje, quer discutir o uso do pronome átono, ou melhor, o seu não uso e suas consequências para a língua. Isso, claro, pensando em quem pensa sobre a língua, como é o caso da minha convidada deste texto, a aluna Natália Platchek de Medeiros, do segundo ano do Colégio Maria Imaculada.   

No português falado informalmente quase não existe o uso de pronomes oblíquos no lugar de pronomes átonos. Quando queremos dizer, por exemplo, que vamos buscar uma criança na escola é comum ouvirmos: vou buscar ela... Em vez de vou buscá-la. No Brasil, o uso desses pronomes encontra muita resistência.

Embora o uso de "eu vi ele", "eu vi ela" esteja mais do que sacramentado na linguagem coloquial brasileira, a regra gramatical do português padrão estabelece que o pronome pessoal do caso reto "eu" atrai o outro pronome.

 Ainda podemos dizer que a pessoa envolvida na conversa pode entender "vi ela" como uma rua estreita. Além disso, vale destacar que "ele", também pronome pessoal do caso reto, não pode vir após o verbo.

Então quando usamos: buscar ela, ver ele, escutei ela, etc, podemos nos fazer compreender, mas o uso do pronome átono evita equívocos... Segundo o padrão formal da língua, o correto é usar pronomes pessoais do caso oblíquo: "eu o vi" ou "eu a vi". Ou, ainda, vi-o, vi-a por aqui todos os dias... E pensando no duplo sentido... vi-a pode ser entendida como via? Como resolver isso? O uso do bom senso e a alteridade pode ajudar, isto é, colocar-se no lugar do outro a fim de tentar entender o que é dito, por outro ângulo, é sempre salutar...

A Armadilha entra pelas vielas da língua, talvez para dizer que ela é viva e intrigante...



13 Fevereiro 2018 10:17:00

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(Imagem: Ilustração)

O retorno de férias é sempre um período que nos deixa letárgicos...

Este ano, escreverei acompanhada de alunos que também curtem pensar a língua. Minha primeira convidada para dividiR esta coluna é Mariarita da Silva, aluna do segundo ano do Colégio Maria Imaculada.

A dúvida que se apresenta é: Você vai VIM ou você vai VIR?

Na hora de chamar alguém para ir até a sua casa, surge a questão: VIM ou VIR?

- Joana, você pode vir até minha casa hoje para fazermos o trabalho de química?

Nas locuções verbais (dois verbos juntos: um auxiliar e outro principal), os verbos principais sempre devem aparecer no infinitivo, no caso, terminados com R.

Isso é fácil quando usamos outra locução verbal...

Quando usamos, por exemplo: vamos viajar, foi pescar, pode sair...

Por isso, sabemos que a forma correta de chamar Joana é com VIR e não com VIM.

 Mas então, quando será que usamos a segunda opção?

VIM é o passado do verbo VIR, na primeira pessoa do indicativo. Portanto, ao chegar até o destino, Joana pode concluir:

- Eu vim de carro, por isso cheguei rápido.

A Armadilha veio para ficar... Queremos que você venha nos fazer companhia...

Vai vir? Poderá você dizera frase célebre de Julio Cesar (47 a. C.): Vim, vi, venci... Do latim Veni, vidi, vici.

Quem sabe?



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