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ARMADILHAS DA LÍNGUA

As agruras do texto

Por Kátia Zilio

Sabe, leitor, o título deste texto diz respeito a como nos sentimos quando precisamos escrever.

Estive diante de situações assim esta semana... Escrever não é um movimento de dedos no teclado ou da mão com a tinta da caneta. Não é, definitivamente, um movimento involuntário ou até mesmo fácil de ser realizado.

No entanto, é impertinente constatar que a ilusão de que escrever bem pertence a poucos é tão compartilhada por aí.

Em tempo de redes sociais, parece que todos o podem fazê-lo, então por que ainda temos a percepção de que poucos conseguem fazer isso?

A escrita não depende só do movimento das mãos...

É importante ter o que dizer e para isso é imprescindível que a leitura e a análise de textos componham repertório a fim de auxiliar o ato da escrita.

Muitos dizem que não escrevem porque o texto não flui, ou porque apresentam muitos erros gramaticais...

Diria, talvez, que os problemas gramaticais só carecem de uma revisão apurada, mas se o texto não flui é motivo para investigarmos o repertório, o jeito de ler e entender o mundo...

Mas penso ainda, leitor, que o ato da escrita passa também pela vontade de dizer o que se quer dizer pela escrita... Você já desejou escrever, leitor?

É aí que o título do texto faz sentido: agruras, empecilhos, aflições...

As armadilhas da língua são poucas comparadas as agruras de quem deseja escrever, tenta escrever e se vê diante do branco da tela ou da folha, em agonia sentida e armadilha armada...

Diante do famoso branco, aconselho doses homeopáticas de leitura e reflexão sobre a realidade, a vida e a si próprio...

Quem sabe podemos pintar com palavras o branco da tela com a vivacidade da vida?


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