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A areia do edifício veio da praia

É que ainda teimamos em não  aceitar nem engolir certas coisas. No oceano de tragédias que nos assola desde o começo deste fatídico e aziago ano, agora estamos a conviver com mais uma. No massacrado Rio de Janeiro, bairro de Muzema, duas edificações, gambiarras, cacetões armados, vieram abaixo de um só golpe, ruíram como castelo de cartas e, desgraçadamente, sepultando em seus escombros mais de uma dezena de vítimas, infelizes que, por circunstâncias da vida, se submeteram a adquirir 

moradia em tais armadilhas.

Onde vamos? Tais edificações, feitas legitimamente nas coxas, sem qualquer resquício de critério técnico, sem cálculos ou quaisquer outros procedimentos da mais rudimentar engenharia. Mas a questão ainda não é esta. A coisa tem uma origemnefasta. Começa que tais arapucas, às dezenas, se ergueram em lugar vetado para edificação por se tratar de encosta e outras filigranas ambientais e jurídicas que englobam a legislação proibitiva de ali edificar. Caceta e planeta. Depois da desgraça que nos é dado a, estarrecidos, conhecer, vem a tal Autoridade Municipal, o Alcaide Mor a vomitar palavrório e dizer, pasmem, que já se emitiram tantos e tantos editos proibitivos, autos de embargo e outras patacoadas do tipo. 

É sabido que a letra fria e morta da  Lei, por si não basta, não faz. O que a opera é o sólido braço humano, o fazer valer a autoridade. Proclama-se agora e a iniciativa habitacional da Muzema é devida a uma Milícia. Citam-senomes e patentes. Patentes sim, pois mencionou-se um que é ou foi Major da PM carioca e outro Tenente ou Capitão daquela força pública. 

Baralho, para não dizer palavrão  pior, nomes conhecidos, blocos de edificações que não podem, por óbvio, ser erguidos da noite para o dia. Leva tempo. E a tal Autoridade limita-se a mandar um barnabé ir lavrar um auto de interdição, de embargo ou a fezes que seja. Fezes, porque fezes irão lambuzar o tal papel vindo da Autoridade, pois é a máxima consideração que vai merecer quando recebido por quem já, de há muito, vive à margem da Lei. 

Droga, deveriam tais bandidos, salafras e chantagistas, aproveitadores das fraquezas e necessidades dos humildes, deveriam, repito, fazer a tal Autoridade engolir o papelucho logo após o primeiro uso como destinamos acima. A autoridade deve se impor. Requisitar a força policial necessária, levar tratores e máquinas e demolir sem mais delongas. Deu onde deu. Para terminar, os safados das tais milícias também sejam passados à ponta da baioneta sem mais delongas. 

Não tenho dúvidas que escorre jabaculê entre um tijolo e outro. 


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