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Governo não é circo

É que, nestes tempos do pós-moderno, onde as atitudes discretas e a palavra discrição perderam-se nas areias da futilidade, da absoluta e absurda necessidade de exposição, de aparecer, de ser notado. Em tempos não muito distantes ainda se dizia e gritava a alguém meio saliente, que se quer aparecer pinta a traseira de vermelho ou pendura uma melancia no pescoço. 

Agora, esta ânsia midiática, esta vida sem segredos remete a publicação sôfrega de tudo o que faz e o que pensa, ainda que tais sejam desatinos e disparates rematados. Ah, pois, ora veja que, nos tais tempos de antanho, os familiares de um governante, fosse ele sátrapa municipal, governador de estado ou Chefe da Nação, comportavam-se seus familiares, parentes e aderentes, de acordo com os ditames e reclamos da liturgia do cargo.

Mesmo aqui, na terrinha, tivemos primeiras-damas que foram primores de discrição, brilharam e pontificaram exatamente pela ausência, enquanto outras se entendiam tanto ou mais reais que o próprio Rei. Mas onde vamos? Vamos ao Planalto Central, ao Alvorada, ao centro do Poder. O poder, o altissonante exercício da suprema magistratura da Nação quase que diariamente é colocada em situações delicadas, beirando ao vexame, sem contar os desencontros administrativos, exatamente, porque os filhos do Presidente, pressurosos de tal prerrogativa e arrogantes e pretenciosos, querem ser exatamente mais reais que o Rei que, no caso é o pai dos tais, e comandante em Chefe das Forças Armadas.

Dedos cheios de cócegas, disparam disparates no tal twitter e demais redes sociais, adjetivando ministros de Estado, dando os mais estapafúrdios palpites sobre Estados e Governos estrangeiros, nos constrangendo, envergonhando e comprometendo as relações externas com nações amigas e, outras, nem tanto. No tempo presente, o governo do Brasil e uma espécie de quadriunviarato. Melhor será o Capitão-Presidente chamar os meninos a seus joelhos, distribuir as palmadas devidas e necessárias e passar às ordens do dia com ênfase no cala a boca, bico fechado sob pena de suspensão das mesadas e corte dos pirulitos. O poder, ainda que inebriante e causador de desvarios, exige circunspeção e postura.

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