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A Cesar o que é de Cesar. Mas se você não dá Cesar toma.

É que, vencido o primeiro jogo da Reforma da Previdência, com a segunda partida já iniciada no campo do Senado da República, a bola da vez é a tal Reforma Tributária. Reforma? Sim, esta sendo titulada assim. Claro que ainda é cedo para a formulação de juízo mais seguro, porem o que está sendo trazido a público indica que trata-se de reforma cosmética, muito mais no terreno da semântica do que nos tributos.

Ora pombas, enfeixa alguns tributos sob sigla única, retira competências de Estados e Municípios, mas passa ao largo do principal que se nos parece ser exatamente a diminuição da carga tributária escorchante que pesa sobre as empresas e nos cidadãos, especialmente os da camada zé povo. Zé povo repito, pois alguns privilegiados podem contratar especialistas que transitam com desenvoltura neste cipoal tributário e conhecem bem os atalhos para isentar, deixar de recolher ou, em bom português, sonegar sem chance para o Ente Tributador. Veja-se que no departamento do Imposto de Renda já se crava a idéia de alinhavar as alíquotas e sepultar as tais isenções ou deduções fiscais, malha por onde sempre se pode tornar a mordida leonina menos cruel e sangrenta.

O Capitão-Presidente, sorriso do lagarto, proclama que pretende dispensar do tributo e dá obrigação declaratória os vencimentos de até 5 Mil Reais. O Dr. Paulo, sorri à socapa e diz que até pode ser, porém no íntimo prepara o arroxo do garrote. As empresas serão taxadas pelo lucro, na distribuição de dividendos e no faturamento. Nem um camelo vai guentar. Em síntese, o que a sociedade pede é a tal justiça tributária e não exercícios semânticos a mudar o nome do imposto quando precisar mudar é o percentual.

Para não dizer que não falamos de flores, ainda se planeja a facada mestra, o retorno do imposto sobre pagamentos, a finada CPMF, voltando agora sob a capa de tributar na entrada e na saída. Resta a esperança que este monstrengo seja liquidado pelos Deputados quando manusearem a proposta, pois os tais Parlamentares não são bobos e sabem que um voto favorável a tal absurdo terá preço alto nas urnas. Ainda bem que temos o couro grosso e mais umas chicotadas governamentais não vão exatamente nos abater.

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