37 anos.png
37 anos.png
  
Murilo.png
OPINIÃO

Salve-se quem puder

'O ministro da Educação, que nos parece já mandou a educação às favas'

Por Murilo Machado


Ministro da Educação Abraham Weintraub - Foto: divulgação

É que, nestes tempos em que nada mais é como antigamente,  vale rápida passada e vista d'olhos sobre uma malfadada reunião ministerial. Não quero entrar no varejo miúdo da política, mas, e tão somente, me ater àquilo que é protocolar, as coisas que dizem respeito aos mais comezinhos princípios de educação e civilidade. Trazida a público, o desenvolvimento da tal reunião, constatou-se com estarrecimento e perplexidade, que deixou-se de tratar dos mais lídimos interesses desta malfadada Nação, as elevadas questões sociais, econômicas, a saúde, as boas relações internacionais e o mais que convém, entre tantas urgências, do interesse nacional e de nós todos.

E o que se viu?  Viu-se uma espécie de papo de botequim pé sujo, com o devido perdão do botequim. O linguajar rasteiro, os palavrões cabeludos, as expressões chulas, coisa nunca vista no mais acalorado jogo de truco, indigno comportamento de qualquer pessoa com um mínimo de civilidade. As questões de Estado jogadas sob a  mesa, enquanto o Chefe da Nação choramingava, em altos brados, as pitangas de sua vida, como um menino mimado a quem negavam o doce. Manifestava o tal capitão-presidente o seu desagrado e mau humor em não poder exercer seu mandonismo, em não poder instalar nos órgãos de governo as marionetes cujos cordões permaneceriam em suas garras aduncas. Um horror, algo vergonhoso, uma indignidade capaz de fazer corar uma estátua de pedra.

Por espírito de emulação, alguns ministros, talvez por má educação e ignorância mesmo, a puxar o saco do chefe, utilizando-se do mesmo linguajar baixo. Disse alguém, em priscas eras, que cada povo tem o governo que merece. Será que merecemos isto? Ou só isto. Em meu viver que já atinge bem mais de meio século, não recordo, incluindo o sargento-cozinheiro Id Amin Dada, ditador de Uganda nos anos 1970, outros ditadorezinhos das republiquetas bananeiras das Américas, e os gorilas mandões do Leste europeu, das Jugoslávia da vida, pois bem, nem dentre estes soube eu que se servissem de tal linguagem.

Os temas, de uma elevação cândida, como a proposta do ministro do Meio Ambiente, em derrubar a Amazônia enquanto estamos distraídos, ou retraídos, com a pandemia. A proposta, data vênia, uma safadeza, uma baciada de asneiras indignidades impróprias para qualquer nação com foros de civilização.

O ministro da Educação, que nos parece já mandou a educação às favas, este Deus nos perdoe e defenda, pois em qualquer pais decente teria saído dali algemado. E, agora? É apertar os dentes e seguir em frente. Como o corona, vai passar. 


Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711