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OPINIÃO

Só os loucos veem o lado escuro da Lua

Se sobrevivermos, estaremos e seremos muito piores

Por Murilo Machado


(Foto: divulgação)

É que, por imperativo, mesmo sem ser cigana ou pitonisa, vale lançar um olhar especulativo sobre o futuro de médio prazo, quando terminar a pandemia. Como seremos ou o que seremos?

A questão é difusa e não encontra unanimidade entre os tais especialistas. Claro que nem tudo é trovoada, então é válido dizer que em algumas nações com foros de civilização emergirão, estas, melhores, mais sólidas, com bom acervo de aprendizado. Tais países passarão a agir, ao menos com os seus, com uma dose maior de humanismo, empreenderão esforços para promover, restaurar e prosseguir. Aprenderam com a melhor das mestras, que é a escola da dor, de que a ganância e a arrogância a nada leva, pois uma porcariazinha, quase invisível, provou que na hora do tufo do mofurufo de nada servem cofres cheios, títulos de duque e conde, pois o seu corona, tá nem aí.

E aqui, em Tupinicópolis, na Terra de Santa Cruz? Tudo indica o contrário, que, se sobrevivermos, estaremos e seremos muito piores. E nesta opinião, felizmente este escriba moreno não está sozinho, pois vozes qualificadas também proclamam a nossa deblaque. Por que assim? Pesa contra nós não só o pensamento e ação terceiro-mundista, mas um individualismo perverso, lideranças políticas de visão curta, classes dirigentes retrógradas, níveis de educação, escolaridade e preparo abaixo de qualquer crítica.

Somos e estamos mais preocupados com a ausência de jogos de futebol do que com o que nos espera de trabalho, para sair do imenso atoleiro em que estamos. Basta uma rápida olhadela nas tais redes sociais e Internet para avaliar, sem qualquer esforço, o quanto apreciamos das futilidades, de saber o que disse e o que veste a atriz ou o astro, além de aspectos de intimidades dos tais que, em tempos saudosos outros, doses mínimas de pudor impediriam que saísse dos recônditos das tais quatro paredes. Não se vê nada de concreto, da parte de quem deveria, de atos ou planejamentos para impedir a miséria e a fome que nos ronda.

Basta ter em vista que a pandemia começará a ter algum controle só em mais dois anos, pois este é o prazo mínimo para a descoberta, teste e produção de vacinas ou remédios. Os nossos níveis de desemprego, já estratosféricos, atingirão outras galáxias. Enquanto no tempo presente o que nos sobra é desgoverno, apoiadores e contestadores, entrechoques entre Poderes, como as prima-donas de teatro, enquanto em volta o buraco cresce e nos afundamos nele.


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