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OPINIÃO

Quem cria não calça as botas no escuro

Assim como pode até agora, pode mais, muito mais


(Foto: divulgação)

É que, no samba do crioulo doido e miscelânea, vamos aos fatos. Começa com a economia, e este humilde escriba público faz eco a preocupação generalizada sobre o fim do auxílio emergencial. Com olhar superior e condescendente, o "Presidente Cloroquina", apertou os dentes e concordou coma concessão do benefício por mais três meses, não sem emascular as parcelas, reduzindo R$ 100 na primeira, mais R$ 100 na segunda e R$ 200 na última, e diz que não pode conceder mais nada. Não pode o caraca. Assim como pode até agora, pode mais, muito mais.

Na inauguração da pandemia em nossas plagas tínhamos 13 milhões e picos de desempregados, o número deve, agora, ultrapassar os 20 milhões, acrescido de pequenos e microempresários, informais e afins que também pararam. Uma legião imensa já condenada à miséria e à fome se não se fizer alguma coisa, esta alguma coisa é exatamente botar a guitarra da Casa da Moeda a funcionar em regime de tempo integral e distribuir o dinheiro aos pobres. Quanto à cobertura ou o lastro, é coisa para depois nos vermos.

A situação não permite contemplações. Ao segundo, esta vergonheira do canetão do presidente do STJ, apiedado da sorte e doença do famigerado Fabrício Queiróz, ao que dizem, operador da divisão de águas na Assembleia do Rio de Janeiro. Remeteu o distinto para casa e, de quebra, mandou que a excelentíssima esposa, ela também com ordem de prisão, o acompanhasse para prodigalizar-lhe os carinhos indispensáveis.  

O problema é que o ínclito magistrado esqueceu de estender o benefício para outros tantos milhares, vistos como em idêntica situação e merecedores de igual beneplácito legal. Todavia, se deduz, a olhos vistos, que estes outros tantos milhares não constam da seleta lista de amigos do rei e dos príncipes. Pretos, pardos, pequenos traficantes, punguistas de esquina, afanistas de supermercados a apodrecer nas masmorras do sistema carcerário imundo e podre. A deusa da Justiça, de quando em vez, levanta a venda. 

Para finalizar, já não bastasse a nossa bela e rica coleção de cobras, ofídios de potente veneno, um maluco ainda contrabandeou uma, altamente perigosa para brincar de Cleópatra. Que bom que o réptil cumpriu o seu papel e mandou-lhe os venenosos dentes. Uma pândega, que graças ao Butantã terminou bem e o pândego sobreviveu para dar fartas explicações sobre o contrabando das dentuças das quais ele tem coleção, sendo ele estudante de Veterinária, mau aluno evidentemente, basta olhar o estado depauperado dos ofídios inadequadamente mantidos em toscas caixas de plástico. Uma piada, não fora o perigo que outros correram. Que cumpra a pena no Butantã alimentando as dentuças com as mãos, já que tem prática.


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