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OPINIÃO

Precisamos é de decência, não de gurús

Veremos se perder o que já conquistamos até aqui

Por Murilo Machado


(Fomo: divulgação)

É que, dentro das mazelas que nos afligem, e não são poucas, agora, o Poder Público Federal insiste, com golpe rude, em perpetuar mais uma. A educação. Reza a Constituição, dita peregrina e cidadã, que a educação é direito de todos e dever do Estado. Ah, pois, agora, via da solércia, o Estado-Patrão busca, com subterfúgios e truques contábeis, diminuir, fugir à sua precípua responsabilidade. Que temos então?

Temos que no âmbito do Congresso Nacional trava-se debate do mais relevante interesse público, qual seja a renovação do Fundeb - Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, instrumento da maior valia, pois assegura recursos indispensáveis à manutenção da educação básica do Brasil, lei cujos efeitos deverão expirar exatamente com o ano em curso. Ora veja-se, que na Câmara dos Deputados estuda-se e debate-se PEC exatamente para, no mínimo, assegurar a manutenção dos valores como estão, com propostas para aumentar e melhor distribuir.

Ao invés de recolher-se e aguardar a definição do Parlamento, o governo envia a proposta de seu gosto, repleta de jabutis, onde castra significativo percentual dos recursos já minguados, propõe fórmula esdruxula de distribuição onde os especialistas correram a calculadora e, de cara, identificaram a desassistência a perto de cinco milhões de brasileirinhos, e, com a agravante, de estarem estes exatamente nos estados e municípios mais pobres da Federação.

Um descalabro. Tantas vezes grafamos  aqui, no âmbito destas mal traçadas, fazendo eco débil ao que se proclama por todo o planeta, que as nações que se encontram nos estágios mais avançados de civilização, patamares econômicos e sociais invejáveis, são exatamente aquelas que fi zeram da educação a prioridade das prioridades, e a educação por lá fornecida permitiu e permite exatamente largueza de pensamento e manutenção e acréscimos nos sentimentos de civismo, patriotismo e amor a valores como a democracia e a liberdade. Se nos parece que, por aqui, o que se deseja e busca é exatamente o contrário, a manutenção da ignorância, o crescimento das trevas do analfabetismo e do obscurantismo como forma e fórmula de aprisionamento e de sufocação, manutenção do grande curral que permite o assenhorar-se do poder pela manipulação das consciências.

Com orgulho, nesta fase trágica da pandemia, vimos e pudemos conhecer cientistas e pesquisadores da mais alta capacidade, participantes estes e estas, de grupos internacionais, com suas palavras e pesquisas sendo recebidas e aceitas. Gente de valor que se debate com a falta de recursos e apoio ao desenvolvimento científico daqui. Pois então, com o tratamento miserável que se pretende dar a educação, em sua base, veremos se perder o que já conquistamos até aqui. 

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