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OPINIÃO

Há que se prosseguir

Antes isto que apelar para o mau serviço, o tráfico e o furto


(Imagem: divulgação)

É que, nestes tempos bicudos, com a vida social externa em baixa, observa-se a vida social familiar, a concentração de pessoas em casa faz com que tanto o carinho, o amor humano seja valorizado e exercitado, pois, ao menos, tempo se tem muito para isto. Afora as trocas de afeto, claro que, no isolamento, busca-se o que fazer, como matar o tempo. Claro que tem a leitura, a televisão, o jogo de cartas, a meditação e a yoga, os trabalhos manuais e o artesanato, a jardinagem e vai por aí.

Mas, como cabeça vazia dizem ser a oficina do diabo, observa-se que muitos, não exatamente com criatividade, buscam direcionar-se para desenvolver atividade autônoma lucrativa. Afinal, empreender está na ordem do dia. E daí? Daí que a tal criatividade limita-se a abertura de uma padaria doméstica, a oferta do dito pão caseiro. Claro que, nas curvas da mistura, também entram bolachas diversas, brigadeiros, e as tais trufas que de trufa não tem nada. Porém, não azedemos as coisas, pois a desgraçada da pandemia provocou desemprego em escala e precisa-se viver de alguma forma, faturar, produzir dinheiro para as necessidades, as básicas e as nem tanto.

Registro, até como homenagem, de que, a vista d'olhos, tudo se me parece feito com capricho, higiene e obediente aos ditames do receituário, resultando em produtos que podem ser consumidos sem muito receio. No reverso da moeda, claro que a avalanche destas padarias incipientes, docerias de ocasião, produz atraso para o comércio estabelecido, sobras nas padarias clássicas e padarias de supermercados, ofertas excessiva que faz por aviltar os preços, sem contar-se ainda que tais padarias domésticas são iniciativas amadoras, sem formalidades jurídicas e, especialmente, longe do olho e da mão estendida do fisco, ou seja sem recolher qualquer tributo, enquanto que os estabelecimentos formais não são dispensados das obrigações tributárias, além de muito outros encargos que os ditos informais não têm.

Mas, é a luta pelo pão nosso de cada dia. Nestes dias que correm, de tanta desgraça, até que se tem que aceitar, se não aplaudir, as iniciativas pessoais. Antes isto que apelar para o mau serviço, o tráfico e o furto.

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