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OPINIÃO

A alface nossa de cada dia

Vêm das mãos calejadas e corpos suados


(Foto: divulgação)/

É que, vale vista d'olhos sobre parte do panorama e, por increça que parível, celebrar. Celebrar o que? O prenúncio de uma supersafra de grãos que está a germinar e crescer por este vasto Brasil que deveria ser de nós todos. Ah, pois, as previsões e estimativas anunciadas falam em coisa para lá das 400 milhares de toneladas.

Para o milho calculam em mais de 100 milhões de toneladas, um record, recorde insuficiente para suprir o consumo interno, o nosso gasto, pois além das gigantescas máquinas de fazer ração, necessária ao sustento dos rebanhos vastos que temos, também a indústria alimentícia e de química fi na consomem milho aos montões, o que nos obriga a completar nossa necessidade pela via da importação. De resto a soja, café, algodão, cacau e o mais que consta de nossa pauta de exportações de comodites.

Ah, pois, no terreno da proteína animal, onde somos time de ponta, agora, sem mais aquela, proclamam ter encontrado em embalagens de frango traços do coronavírus, coisa pequena e de quase nenhum significado, pois, a nosso fraco juízo, podem bem mais ser uma questão de manobra de mercado e menos um problema sanitário, de vez que nossas plantas de abate e embalagem são reconhecidas até no Afeganistão pela excelência e cuidados. Bueno, então variemos o pensamento, para a área dos derivativos.

Este humilde escriba moreno, leigo em questões agrícolas e seus meandros delicados, prefere fi liar-se à corrente que tira do agronegócio, das culturas extensivas o título de suprir a mesa dos brasileiros. Nadica de nada, o agro, como grafamos no começo, participa, com méritos, da pauta de exportações e de criação de divisas em moeda forte. Porém, a nossa mesa, magra para a absoluta maioria, inexistente para tantos, é servida pela agricultura familiar, os pequenos e médios produtores, aqueles a quem, muitas vezes, falta apoio e sustentação. Sim, os legumes, as frutas, o arroz e o feijão vêm das mãos calejadas e corpos suados destes nossos irmãos e irmãs colonos, pequenos agricultores.

Em nada se põe demérito  nas culturas de extensão, pois também nos orgulha ver imagens, na televisão, de campos imensos, alinhamento de cinco ou seis colheitadeiras em cada extremidade, produto de excelência, procurado e adquirido pelos mercados mundiais, sempre carentes de mais e mais proteínas.

Mas o ovo frito nosso, o arrozinho, modelo unidos venceremos, o feijão nosso de cada dia vem dos pequenos e médios. A eles rendo as homenagens nunca sufi cientes, a eles desejo que a consciência, diligência e boa vontade dos governantes também faça o mesmo reconhecimento e lhes dê o necessário apoio e amparo, se não passaremos fome.

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