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OPINIÃO

O lobo guará nosso de cada dia

Como nem tudo são flores, o tal orçamento federal já crava um déficit


(Imagem: divulgação)/

É que, como parto de ouriço embrulhado em arame farpado, veio à luz a tal prorrogação do auxílio emergencial, tão necessário, indispensável nestes tempos de média móvel. Por reafirmar que não se trata de concessão, de benesse, ainda que os governantes, todos, inclusive antes do atual, façam pose de generosos, salvadores da Pátria, Sassás Mutemas embrulhados na bandeira nacional. Ah, pois, o repasse da verba de subsistência é sagrado direito dos famintos, desempregados, subempregados, desvalidos de toda e qualquer sorte.

Assim, após marchas e contramarchas, pão-durismo do ministro da Economia, preocupado com o teto de gastos, beicinho do ilustre presidente, com a pose antes dita de bonzinho, agora está cravado o trezentão até o final do ano. E depois? Depois é coisa do veremos como é que fica. De quebra, ainda em gestação e fora do orçamento para o ano próximo, o sucedâneo do velho e bem-amado Bolsa-Família. Sob nome novo, para tentar sepultar obra de governos anteriores, é prenunciado com valores maiores que o atual. Sei que meus estimados e (im)pacientes leitores recordam já ter este humilde escriba moreno haver tecido, aqui mesmo no espaço destinado às sempre mal traçadas, os maiores encômios a este genial programa.

Já gizamos que dentre os grandes inventos da humanidade, três nos agradam e impressionam sobremaneira, a começar pela penicilina, depois o refresco em pó solúvel, e velho bem-amado Q-Suco, e por fi m o não menos amado "Borsa". Deixe-se claro, desde logo, não ser este vosso criado beneficiário do dito, por impedimentos legais, éticos e morais, o que é uma pena, desejando eu que pegue fogo na ética e na moral, artigos completamente fora de moda e em desuso. Agora o benfazejo programa é anunciado com aperfeiçoamentos e, de acordo com o propalado, ampliado para atender, segundo as projeções, mais dois milhões de desvalidos e mães sem marido. Uma beleza.

Como nem tudo são flores, o tal orçamento federal já crava um défi cit, para o exercício vindouro, de coisa aí na casa dos R$ 250 bilhões, uma ninharia comparado com o que já se roubou na última década e meia. De igualmente auspicioso o fato de a parcela primeira do auxílio prorrogado deverá vir na forma de elegante lobo guará, animal de nossa fauna e que deverá ilustrar a nota nascente de "duzentão". Um sucesso.

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