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OPINIÃO

Que a democracia vença

'É cedo para sentir o lado em que o vento sopra'


(Foto: Divulgação) /

É que, a despeito de tudo, do coronavírus e o mais que o envolve,  a temporada da caça ao voto está aberta. Eleição prevista, mas com contornos atípicos, pois a tal pandemia proíbe os velhos e bons comícios, estes regados sempre à velha e boa demagogia empurrada goela a baixo com grandes sorvos da cachacinha corpo mole, pois que o local sempre escolhido para o comício era nas proximidades de um boteco apropriado para a ocasião e responsável pelo suprimento do combustível etílico indispensável. Agora, neste tempo novo, resta aos candidatos o corpo a corpo, o contato direto com o eleitor, olho no olho e apresentação de sua plataforma de atuação, suas propostas, com ênfase no emprego e renda.

Ah, pois, resta saber o que pensa o eleitor. Já gizamos aqui neste espaço que um dos piores aspectos do ser humano brasileiro é quando este se traveste de eleitor. Muita coisa mudou, o eleitor não, pois continua vitimado do vício arraigado que lhe foi instilado em tempos de dantes, qual seja o de levar vantagens, vantagens imediatas, observando-se que os pedidos de aviamento de receitas médicas está em decadência, em grau menor permanecem os pedidos de quitação de faturas de água e luz, centrando-se a questão em fornecimento de dinheiro mesmo, pois ainda que o Judiciário, a Justiça Eleitoral, o Ministério Público e a autoridade policial vigiem, fiscalizem e tentem coibir, à socapa, na calada da noite ou em discreta esquina se à luz do dia a graninha sempre escorre como fator de convencimento na captação do voto.

Claro que, no dizer justo da cantora Vanusa, sempre queima a esperança, então é de crer-se que, ao menos no médio prazo, em gerações vindouras, o civismo, o desejo de participar efetivamente da vida e dos destinos da Nação, a partir da vida municipal e comunitária, farão por extinguir o hábito pertinaz, necessitando todavia que esta nova educação comece exatamente pela classe política, esta que a custa de escândalos e mal feitos, está mais baixa que aquilo que o gato enterra. Tal se nota pela relutância, repúdio e abstenção de parcela ponderável da juventude, em idade de voto, que se nos parece, preferem eximir-se do processo, talvez pelo desencanto e maus exemplos dantes fornecidos. De novidade, não tão nova, a campanha eletrônica, as tais rede sociais agora usadas com intensidade e afinco, ferramenta moderna e que vai influir muito. 

Influir inclusive no mau sentido, pois que a Internet é o substituto  do papel, dos pasquins e folhetos anônimos usados para denegrir, difamar e caluniar, agora são as tais fake news, que já começam a circular. Análises sobre a disputa e suas possibilidades ainda se nos parece cedo, pois na largada a balança tem certo equilíbrio e ainda é cedo para sentir o lado em que o vento sopra.

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