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Exatamente como a gente quer


(Foto: Sulisia Westphal) /

 "Infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer. Deixa Chover..." Para quem acompanhou o sucesso de Guilherme Arantes, com certeza iria identificar este fragmento de uma de suas composições. Mal sabia que esta seria a música fechamento de imprevisto em sua recente apresentação em Floripa.

Na verdade, muitas vezes fico orgulhosa de pertencer ao segmento "Acima dos sessenta", pois faço parte de um grande grupo de pessoas que viu nascer, crescer, renascer e continua acompanhando várias personalidades do mundo artístico brasileiro. Assim, cada vez que surge a oportunidade de assistir um desses ícones que perpetuam com um público fiel esgotando bilheteria, estou entre aquelas em busca de um bom lugar para assistir, se emocionar, cantar, dançar, mexer com a alma que permanece com seu lado jovem sempre vivo. Tempo bom. Tempo que vale a pena investir sempre.

Foi assim que acabei com um ingresso para rever Guilherme Arantes. Justo desta vez por ser próximo a um feriado precisei me deslocar de outra cidade e pude perceber na plateia vários grupos que se organizam e vem de outros lugares para assistir um evento. Casa cheia. Tudo parecia normal. Músicas e histórias que contextualizam as letras... Sempre emocionante rever. A platéia interage animadamente.

De repente, palavras e sentimentos provocam reações... Guilherme referia-se a música Semente da Maré (Canção dos Refugiados). O resultado foi que a apresentação teve que ser encerrada. "Deixa Chover" foi a música escolhida para o fechamento. Quem já o assistiu sabia que a duração prevista seria de três excelentes horas. Ficou em duas. Foi um sentimento tão estranho que ainda fica difícil de entender e de expressar. Lembrei de quando tiramos o pirulito ou o brinquedo de uma criança... Justo quando estávamos todos em sintonia em uma vibração e participação usual e que viriam outras tantas músicas conhecidas... Fim. Os comentários na saída pipocavam entre os casais. Quando aguardamos um evento do qual gostamos muito jamais imaginaríamos algo parecido.

Aprendemos o quê?

Não importa aonde ou quando: Mas na espontaneidade também precisamos agir com sabedoria, cautela com as palavras, com as opiniões, com os sentimentos que expressamos. Corremos diariamente o risco de não sermos bem interpretados. Respeitar ao outro acima de tudo. "Infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer". Vale promover o entendimento, a harmonia, o bem viver com boa música.


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