37 anos.png
37 anos.png
  
OPINIÃO

Inspirando vovôs

Tive saudade das caminhadas à beira mar

Por Sulísia Westphal Román


(Foto: Arquivo Pessoal) /

A cada semana nova tentativa para não abordar a pandemia. Porém, a cada final de semana as restrições parecem impactar de forma ainda mais cruel: a estagnação quanto seres que apreciam a natureza, que aspiram o convívio presencial em grupo, seja com grandes ou pequenos ao redor de um "churras", ou de um bolo de aniversário. E porque não, todos novamente dentro da escola...

Sequelas

Vários aspectos se repetem nas famílias: mães e filhos alterados, descompensados, igualmente saudosos das aulas presenciais, das correrias com os amigos, o tempo nos brinquedos do parque. Filhos que não se concentram diante da Professora no outro lado da tela e cujos coleguinhas permanecem dispersos, tendo seus microfones desativados. Irmãos pequenos tirando qualquer concentração. Mães com agendas e articulações incabíveis em seus contextos. E o tempo voando...

Saudades

Os movimentos avós e netos, ainda em sua maioria inatingíveis. Quando passam por severas quarentenas e finalmente se reencontram, sob pressão, sem o tradicional afeto, o medo oculto de ambas as partes, por não desejar comprometer a saúde dos queridos e amados: grupo de risco, remexem em nossas emoções.

Particularmente, tive saudade das caminhadas à beira mar. Parecia um sonho de criança realizado quando recentemente consegui caminhar com os pés na água gelada do mar, em uma praia deserta. Uma sensação que propiciou tantas emoções capaz de remexer nas boas memórias de infância.

Memórias que podem inspirar

Lembro que tinha aproximadamente cinco anos quando acompanhava meus avós maternos, mais a inesquecível Maly, que morava com eles desde que eu nasci. Estávamos em uma pescaria com linhas na Praia Brava de Itajaí, na época completamente deserta. Na ocasião, enquanto os adultos preparavam seu material eu ficava encantada com o som das pisadas no areião. O mar com ondas muito fortes impossibilitava a entrada das crianças. Nem tive tempo de esperar quando vi a Maly correndo com um enorme peixe preso no anzol, sendo arrastado pela areia. Ficara tão emocionada diante do tamanho pescado que ao invés de enrolar a linha, corria para não o perder. Até hoje foi o maior peixe que já vi sendo retirado com uma simples linha.

As pescarias na minha infância foram tão intensas que ainda continuo sendo uma apreciadora do esporte. Raramente encontro uma mulher, uma avó com seu molinete à beira mar.

Meu avô Alberto era muito paciente e com prazer ensinava todas as técnicas de pescaria. Nunca temia que eu pudesse cair de sua bateira, e muitos dias me levava para pescar no Rio Itajaí Açu.

Lembro também que ele ousava levar sua neta menina, eu, para pescarias que envolvia acampamento com seus amigos. Enquanto montavam a barraca gigantesca eu já estava na beira do lago a pescar. Sempre tive muita sorte na quantidade e qualidade pescada. E pelo jeito não atrapalhava, devia ter muito orgulho de sua neta.

Assim, diante do mar em 2020 vieram ao meu coração alguns questionamentos:

_ Por que a pescaria não é mais atrativa para as crianças da geração atual?

_ Será a falta de paciência? Não sabem mais esperar? Ou tem pena do peixe... Ou as telas superam qualquer atividade física?

_ O que está acontecendo com os vovôs 2020? Cadê a criatividade em tempos de pandemia?

Conheci o Vovô Curt, aqui de Floripa, que encontrou uma maneira incrível de se conectar com seus netos. Confira:

>>> O circo


Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711