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OPINIÃO

Apenas sorrir

Você tem uma ideia parecida? Não espere. Convide amigos/amigas e a concretize!

Por Sulísia Westphal Román


(Foto: Arquivo Pessoal) /

Já faz alguns meses que uma colega de trabalho, Simone Azevedo, sempre com muitas ideias criativas em prática pensou e animou o Projeto Sorria.

Na ocasião, iniciou contactando uma costureira que confecciona sob medida, fantasias inacreditavelmente perfeitas, e de preço acessível. Assim, como atuante na Educação Especial, logo encomendou a sua fantasia de Bob Esponja que é o grande interesse de "seu" estudante Roberto. Quando compartilhou a ideia, animadamente fizemos o pedido de um Patrick e um Lula Molusco. Ficaram tão lindas, que o Projeto dia após dia foi adquirindo um formato cada vez mais ampliado.

A princípio, o objetivo era fazer uma surpresa para alegrar um pouco a vida dos estudantes da Educação Especial da EBM Virgílio dos Reis Várzea em tempos de pandemia. Eis que as restrições foram aumentando e as possibilidades de dar início as ações ficavam cada vez mais distantes. Afinal, não podíamos colocar em risco a vida de nossos estudantes.

Repentinamente novas ideias surgiram. Não dava mais para deixar as fantasias guardadas. Tínhamos que achar uma maneira de levar alegria sem aglomeramentos respeitando os devidos cuidados. Se por um lado não podíamos nos achegar levando alegria para eles, do outro estavam colegas necessitando urgentemente desta mesma alegria.

Assim, domingo 30 de agosto de 2020, iniciaram os movimentos. Consideramos a data como estreia das ações do sonhado Projeto Sorrir: "Rir é remédio para a alma". Quando chegamos nos endereços, por enquanto em três personagens mais uma colega Professora que é a voz ativa comunicando que só estamos trazendo alegria para fazer nossa colega sorrir. Confesso que nosso primeiro dia foi exitoso. Muitos sorrisos com e sem máscaras. Muitas emoções!

Neste primeiro momento as voluntárias mirins, com os devidos cuidados e distanciamentos Yasmin e Betina fizeram os registros em fotos e vídeos. Conseguimos em uma manhã fazer as primeiro quatro visitas. Consideramos cada uma delas um ensaio, uma experiência a ser aperfeiçoada, um aprendizado a continuar sendo construído.

Uma curiosidade mereceu destaque: Na primeira visita, por ser um bloco de apartamentos sem campainha chamei pessoalmente pelo nome da Professora, pois não gostaríamos de identificar quem está dentro de cada personagem. Depois destas primeiras emoções, voltando para os carros, eis que olho para trás e vejo uma pessoa conhecida: Lurdes, minha ex-aluna com deficiência visual. Ela reconhecera a minha voz e esperava ser reconhecida. Morava no mesmo endereço. Precisava saber o que nós estávamos fazendo ali. Mais precisamente eu.

Não encontro palavras para descrever um reencontro assim. Uma ex-aluna cega te reconhece e te localiza pela voz muitos anos depois. Só por esse pequeno episódio, mais as fotos dos registros dos sorrisos, nós quanto "Grupo Sorrir" obtivemos a resposta de que estamos no caminho assertivo com muitos outros sorrisos por acontecer. O que nos anima e nos preenche de gratidão.

Você tem uma ideia parecida? Não espere. Convide amigos/amigas e a concretize! Fazer alguém sorrir não tem preço. Quanto mais em tempos de falta de abraços, de estar perto.

Boa semana!


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