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OPINIÃO

Tempos de aflição

Afligidos... Fragmentos.

Por Sulísia Westphal Román


(Foto: Arquivo Pessoal) 

Mesmo inserida no segmento das pessoas otimistas, esperançosas, de muita fé, facilmente nos percebemos envolvidas por fatos contextuais avassaladores, a começar pelos meses da pandemia.

Ainda ecoa em minha alma, as palavras de um pai pedindo para que a empatia encontrasse espaço nas casas dos colegas estudantes de seu filho...

_ O que sabemos da vida pessoal do professor para ficar julgando a falta das devolutivas das atividades?

Igualmente encontro eco para as palavras:

_ Nunca vivemos uma pandemia em nossa infância. Não sabemos o real significado para tal na vida de nossos filhos... Precisamos ser mais pacientes, mais compreensivos, mais amorosos...

Quantas vezes acolhi mães aflitas porque não estão conseguindo ser "a professora" na vida de seus filhos... Outras tantas vezes acolhi professoras não conseguindo "ser mães" na vida de seus próprios filhos, pois enquanto exercia sua profissão eles estavam na escola. E agora, como articular todos em casa, mais a profissão ao mesmo tempo.

Atormentados, assim estamos todos nós da Educação Especial após "o lançamento" da Nova Política Nacional de Educação Especial, assinada pelo nosso Presidente, prevendo a criação de instituições de ensino voltadas especificamente para atender estudantes com deficiência, validando assim o retorno das escolas especiais. O que significa um retrocesso de décadas e uma prática de segregação declarada, tão distante da inclusão com seus avanços e das leis internacionais quanto aos direitos das pessoas com deficiência (Decreto 10.502/2020). Excluídos assim do espaço comum, onde a vida real acontece, onde as interações e as trocas possibilitam o emergir e o desenvolvimento das habilidades.

Agitados, inquietos, nervosos, impactados estamos todos nós professores, familiares, pessoas com deficiência, nos mobilizando para reverter as "reformulações" de uma construção coletiva através de manifestações capazes de unir nossas comunidades escolares.

Alarmados, desassossegados, apreensivos diante da perspectiva da volta as aulas.

Receosos, tensos, em busca de possibilidades na tentativa de amenizar mais estes traumas pessoais, familiares, profissionais, sociais.

Momento de refletir, de se inteirar, de compreender, de tomar consciência de tudo que está ali envolvido. Hora de unir as forças e acreditar que o melhor possa vencer. Distanciamento que aproxima mente e corações!

Olho pela janela e avisto enormes guarapuvus sinalizando "ouro à vista", cachos dourados de esperança para tantos outros segmentos... Nos culpando menos pelos erros, por não dar conta, pela nossa impotência, pela nossa imperfeição, amando mais. Cada aflição pode ser revertida em cuidado, em afeto, em oração.

Fonte imagem: https://images.app.goo.gl/pneMP31B493BdiNn8


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