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15 Setembro 2019 08:30:00


(Foto: Divulgação) /

Depressão e pânico. Virou epidemia. O bicho humano tanto fez que acabou inventando e sendo vítima das suas doenças sociais. Quando não estamos lambendo as nossas próprias feridas, estamos sempre acudindo os outros nas suas tempestades íntimas. É curioso como somos fracos, mas queremos nos mostrar fortes. Sei lá se é uma constatação errada, ou talvez uma visão distorcida, mas vejo na maioria das pessoas uma tendência de angústia e aflição. Estamos todos nos sentindo inseguros. Uma sensação de que o futuro tem coisas ruins guardadas.

As conversas entre duas ou mais pessoas descambam logo para lamentações, reclamações, queixas das mais inusitadas. Falar sobre doenças então é um comportamento mórbido das pessoas. Cruzes! Como sentimos pena de nós mesmos! Como gostamos de contar nossas enfermidades e nossos sofrimentos ou tropeços. Como se o fato de compartilhar nossos dissabores e infortúnios nos trouxesse uma espécie de lenitivo.

Queremos que os amigos se condoam dos nossos problemas. O que será que está acontecendo? Vejo tantas mensagens de otimismo e de fé nas redes sociais. Pesquiso rapidamente a vida desses mensageiros e constato que são também pessoas com conflitos. Por que mentem? Para mostrar que estão bem, que são vitoriosos, que não se deprimem? Ora, ora, quanto mais se padece do leite derramado, pior fica não é verdade? A posição que pode nos salvar é a cabeça erguida, os olhos no horizonte, os ombros erguidos. O vacilo, a dúvida, a angústia, a lamuria, não ajudam em nada.

De nada adianta ficar endeusando uns ícones mundiais, sejam artistas televisivos ou reais, que todos eles também curtem os mesmos problemas, ou maiores. Carlos Drummond, num dos seus poemas, diz que "não é fácil nascer de novo". Verdade! Mais difícil ainda é quando o renascer implica em dar uma volta de 360 graus. Fazer tudo novo, começar no zero, sem nenhuma preocupação com a aprovação dos outros.

É dever de todos nós serrar com paciência e determinação, com um pequeno pedaço de lima, dia após dia, as grades da nossa própria prisão. Temos que cutucar a nossa capacidade de ver além da rotina, da mesmice de cada dia, do tédio que e o trabalho repetitivo nos causa. Tá louco! São tristes as roupas penduradas, os quadros das paredes, as fotografias sobre as cômodas, as frutas apodrecendo na fruteira, as revistas velhas que já deviam ter sido jogadas fora. Já é hora de nos reciclarmos. Não é?        


08 Setembro 2019 08:30:00
Autor: Carlos Homem


(Foto: Divulgação) /

Gostar ou não de alguma coisa é do livre arbítrio de cada um. Acho uma malvadeza ímpar das pessoas que não gostam de cachorro. Tem gente, é difícil de acreditar, que não gosta nem mesmo de criança. Há também uma quantidade espantosa de gente que não gosta de trabalhar. Quanto a isso até tenho alguma simpatia. Ficar sem fazer nada, quando se pode, é muito bom. O corpo humano não foi projetado para trabalhar.

O trabalho é um sacrifício imposto pela ambição, e também punição pelo pecado original! O Adão era chegado, e por tal razão nos condenou. Mas é curioso como as pessoas que gostam de beber enchem o saco daquelas que não gostam. Querem solidariedade na burrice! Ninguém respeita o meu direito de tomar soda limonada. Ou água mineral. Ficam zoando! Um cristão que não queira, numa reunião social qualquer, beber cerveja, vodka, ou uísque junto com os outros, é vítima de bulling.

Daí a gente tem que arrumar desculpas. Ou porque está tomando antibióticos, ou porque vai fazer exame de sangue amanhã, ou porque fez uma promessa, ou porque a religião não permite. Haja justificativas ainda que esfarrapadas! O melhor seria mesmo dizer a todos que vão pra pqp! Não quero beber! Pronto! Daí, porque estamos festejando o natal temos que engolir álcool? No último dia do ano também? Aniversário, despedida de solteiro, festa de casamento, baile, carnaval, vitória do time, pra esquentar, pra criar coragem?

Parem com isso! Respeitem minha água tônica! Cada um bebe o que quer, até mesmo suco de babosa batido com limão. Eka! Se existem estróinas que se sujeitam a ficar de pé num boteco imundo durante horas lambendo um copo de pinga é problema deles. Pinga? Que o espírito do monge João Maria nos livre disso! Essa bebida pode até servir para curar bicho-de-pé, mas na barriga da gente ferve como um vulcão cozinhando os miúdos todos! Beber deixa feliz? Quem disse que ser feliz é o que a maioria acha que é? Justificam alguns que a bebida lhes dá conforto de uma desilusão qualquer. Pode ser. Cada um que lide com seus próprios demônios. Entre as paredes do meu tédio, porém, busco a razão na minha soda limonada!


01 Setembro 2019 08:30:00


(Foto: Reprodução/His Treasure Seekers) /


Se há uma coisa da qual gosto muito é a de pensar bobagens. Viajo nas minhas maluquices. Como exemplo me pergunto: por que Deus não fez o homem já evoluído como estamos nos dias de hoje, ou melhor? Uma criatura bem elaborada e pronta? Que motivo teve a inteligência divina para produzir uma criatura tão burra que levou milênios para inventar a roda? Qual a razão de nos criar atrasados, podendo nos ter feitos evoluídos? Um mistério!

É que acho uma sacanagem imaginar o homem da pré-história chegando à sua gruta e ver tudo sujo e desarrumado. Ver a parceira desgrenhada e fedida. Ter ainda que ir buscar uns galhos de vassoura para varrer os ossos de animais que lhe serviram de almoço. Não ter sequer um quartinho íntimo para exercer suas atividades recreativas e reprodutoras. E nas paredes de pedra não ter um calendário da Pirelli com mulher pelada, ou nem mesmo uma cortininha blackout comprada na Havan para separar o ambiente. Puxa! Foi muito sofrimento para os nossos ancestrais! Se pelo menos pudessem contar com um aparelhinho de gilete para rapar a capoeira das virilhas, ou ainda, um micro-ondas para requentar um pedaço do tatu que sobrou de ontem.

Aproximando um pouco mais o tempo, prossigo nas minhas doideiras. Porque o mundo havia sido corrompido pelo petismo daqueles tempos, Deus resolveu acabar com a humanidade. Ficou convencido que o ser humano, inventado à sua imagem e semelhança, não tinha dado certo. Então, escolheu Noé e sua família para sobreviverem ao dilúvio. Imagino o tamanho da reina da mulher do Noé enquanto fazia faxina naquela Arca. Limpar cocô e xixi de elefantes, girafas, vacas, hipopótamos, gorilas, patos, galinhas, curicacas, papagaios, não pode ter sido uma tarefa fácil! E a fedentina? Todo dia e o tempo todo! Judiação, pois eram tempos em que não existiam diaristas. Com as noras, como acontece até hoje, ela não podia contar! Pelo menos a água por 40 dias e 40 noites não lhe faltou. Uma dúvida eu continuo tendo: Será que hoje o Noé conseguiria construiu aquela Arca? Duvido! Licenças ambientais, ONGs protetoras dos animais, Ibama impedindo o corte das madeiras, projetos arquitetônicos, elétricos, contra fogo, seguro, protestos dos ecochatos, direitos trabalhistas, e vai por aí a fora.

Bobagens de um louco que, segundo o ditado, todos nós somos um pouco. Porém, isso é também uma terapia eficaz para eliminar da minha cabeça todos os desvios e preconceitos que os sabidos não aceitam enfrentar.



25 Agosto 2019 11:47:00
Autor: Carlos Homem

A idade abre a torneira das banalidades


(Foto: Divulgação) /

Tem uma idade que transita entre seus 80 a 85 anos, mas com uma lucidez invejável. Conheço-o de longo tempo. Disse-me, logo em seguida a um cumprimento muito educado, que queria fazer uma consulta. Não foram necessários mais de cinco minutos de conversa para perceber que ele não consultava coisa nenhuma. Era mais uma curiosidade do que uma dúvida legal. Desconfio até que ele queria mesmo era bater papo.  

Os velhos gostam de falar muito e repetidamente sobre coisas sem importância. Navegam nas senilidade. A idade abre a torneira das banalidades. Queria saber se havia algum fundamento nesses comentários de que o governo usa as vacinas contra a gripe para despachar os velhos, e também para ter menos despesas com a previdência e aposentadorias. Contive meu riso e fazendo uma cara dissimulada de introspecção, afirmei que isso não tinha nada de verdadeiro. Não se deu por vencido, acrescentando que alguém lhe disse, ou ele leu, ou ele escutou, que os governos querem sempre controlar o aumento da população por razões econômicas. Bobagem! Retruquei, isso não existe! Isso é conversa tola de certas pessoas!

 Não adiantou, sacou do seu repertório mais um argumento que trazia pronto: - Então o senhor não sabe que os governos têm um controle populacional e despejam até produtos químicos na água encanada para matar as pessoas? Eu, por prevenção só bebo água em garrafa, falou ele revirando os olhos para mostrar desconfiança. Resolvi então tirar um sarrinho do meu pseudo consulente, dizendo: - Tenho ouvido muito que essas pílulas que dão mais ânimo para os homens, chamadas de azulzinhas, na verdade é que estão matando os velhos mesmo! A quase centenária vivência do meu visitante veio em seu socorro e ele se esquivou com maestria: - Olhe doutor, tenho visto falar muito nisso, mas eu faço acupuntura, hidroginástica, homeopatia, eletrochoque, chá de catuaba. Não preciso desses comprimidos que o senhor falou aí!

Senti no meu interlocutor a velha masculinidade ameaçada. Aquela carapaça do ataque, do machismo latino, da vantagem viril. O homem, nessas questões de sexualidade, seja lá a idade que tiver, é gabola e mentiroso. Mas, no papo com o velho apliquei a fórmula da paciência no lugar do convencimento. Não querendo melindrá-lo, encerrei: - Fico muito obrigado ao senhor por me revelar essas coisas. Vou me cuidar! Não tomo mais vacina para gripe e nem água encanada!



18 Agosto 2019 08:31:00


(Imagem: Divulgação) /

Tenho uma quantidade enorme de desejos represados. Vivo sonhando com os olhos abertos, imaginando como seria gostoso se pudesse realizar tais desejos. O problema é que para materializar minhas fantasias é preciso dinheiro. Sempre o dinheiro! Esbarra tudo no vil metal! Preciso, então, ganhar uns dez milhões na mega-sena. Com esta grana vou dinamitar as represas que bloqueiam meus planos.

Primeiro que tudo compro um apartamento classe "A" na praia de Guarujá ou em Búzios. Camboriú é coisa de pobre! Compro também um avião bimotor, que seja veloz, para ir curtir minha praia nos finais de semana. Ihhh! Acho que só com dez milhões não vou conseguir essas coisas básicas. Mesmo porque, com uma parte do dinheiro vou ter que dar um `cala a boca´ nos parentes mais próximos.

Bem, então quero ganhar cinqüenta milhões. Agora sim! Compro dois apartamentos, um em cada uma daquelas praias, um carrão esportivo tipo Lamborghini, um avião maior para dar carona aos amigos e familiares. Também me tornarei proprietário de uma fazendola no Mato Grosso, com pista de pouso e de preferência que seja cortada por um rio piscoso. Uhmmm! Já começo a desconfiar que só com cinquentinha meus projetos vão perecer. Quer saber de uma coisa? Vou ganhar sozinho a mega-sena acumulada de fim de ano! Acabou a conversa! A ambição não tem fronteiras.

Compro então um apartamento duplex e um iate luxuoso em Mônaco. Um jatinho que é mais rápido para minhas viagens freqüentes. Não quero ir embora de Curitibanos. Vou passar o saldo da minha vida só viajando. Uma fazenda enorme, com uma mansão que construirei nela, mais pista para jatinho, faz parte dos meus modestos planos. Vou dar festas nababescas para os amigos, que serão muitos com certeza, quase toda semana.

Vão ficar mais contentes do que herdeiros em velório de pessoa rica. Tenho, no entanto, algumas dúvidas e muitas indagações: Será que não serei o objeto de muita inveja? Van Gogh costumava dizer que somos todos meio neuróticos. Será que isso tudo não é uma neurose minha? Saberei viver uma vida para a qual não estou preparado? Meus cozinheiros saberão que ovo frito com pão, café com leite bem doce, é minha refeição favorita? Caminhar na rua sem medo, dar e receber bom dia das pessoas vai ser possível? Não serei prisioneiro de mim mesmo? Quer saber de uma coisa? Deixem quieto! Que meus sonhos e desejos permaneçam represados. Essa dinheirama fácil vai me lambuzar!    


11 Agosto 2019 08:30:00




Era só fazer um calorzinho e os jovens se reuniam ali. Local e ponto do agito nas noites curitibanenses. Sextas-feiras, sábados e domingos são mesmo os dias escalados para as baladas. Pois batia cartão ali a juventude no cumprimento do ritual que o vigor lhes permite.

Como só havia aqueles dois ambientes, um em cada lado da rua, o negócio era dar conferidas de vez em quando no Botinas Bar e depois no Dubai Bar. As moças mais desinibidas faziam então um desfile atravessando a Cel. Vidal Ramos daqui pra lá, de lá pra cá. Os rapazes, incansáveis e persistentes, iam também aqui e acolá dar aquela rápida olhadinha na busca de novidade e aferiam o plantel de mulheres. Atendiam o instinto natural da caça do macho reprodutor, ou impulsionados pelo "efeito Coolidge".

Foi quando, sem se saber de onde, apareceu ali uma gata deslumbrante. Segura de si, a cabeça erguida e confiante na sua beleza, ela caminhava altiva e sensual. Bem produzida. Transpirava autoestima. Um ar juvenil, embora não de adolescente. Trajava roupas apertadas e curtas que mostravam as curvas esculturais do seu corpo, mas sem traços ou trejeitos de periguete. Sóbria no vestir! Também não mostrava nenhuma tatuagem, carimbo da vulgaridade. A mulher solteira quando se enfeita e sai de casa tem um objetivo único. Marcar território!

E ela era bonita, muito bonita! Caiu o queixo da macacada. Quem é? De onde vem? Qual seria o parentesco? Os rapazes devoravam a moça com os olhos famélicos. As meninas ficaram erisipeladas de inveja. Qual ego masculino não se queda diante dos encantos de uma mulher bonita e elegantemente bem vestida? Mulher bonita é o capeta! Homem nenhum resiste!

Nada nela, porém, quebrava a simetria. Nem seios grandes demais ou siliconados, nem bumbum arrebitado, nem lábios volumosos, nem muito alta nem muito baixa. Sorria de forma comedida e acanhada. Tinha classe a moça! Uma mulher padrão, mas jovem e linda. E ela, como toda mulher que sabe que é bonita, refletia-se nos olhares curiosos e ávidos dos homens que por ali a cobiçavam. Curtia o prazer que a mulher bonita sente ao ver-se desejada. Mas mantinha-se discreta mostrando sua linhagem. Rapaz nenhum se sentiu com coragem de abordá-la. Frouxos! O homem acovarda-se ante uma beleza estonteante. Talvez por isso, a distância, contentaram-se com vê-la. Quem era ela? Muitas foram as versões, mas nenhuma com certeza. Apenas deixou sua marca naquela noite.



04 Agosto 2019 10:13:00


(Foto: Divulgação) /

Espero que meus amigos não fiquem magoados, mas não quero mais ser Prefeito. Desisto com pesar no meu coração da minha candidatura. Não tenho um mínimo de paciência para fazer campanha e para ficar digitando no celular. Tenho as pontas dos dedos grossas e arrebitadas, por isso teclo sempre as letras do lado junto com àquelas que queria. Não levo jeito, fico bicando com o indicador da mão direita como se fosse um pica-pau. Daí é aquela confusão! Aja saco!

Vou sair do grupo da turma que defende minha candidatura. Sei muito bem que isso é deselegante, mas não aguento mais. Ser candidato não é mole não. Ficam o tempo todo regulando a vida da gente. Perde-se o sossego. Viram a família do lado avesso. Desenterram resvaladas que demos há vinte ou trinta anos passados. Ou mais!

Daí, esse negócio de andar na rua rindo sem ter vontade, cumprimentando estranho como se fosse um velho amigo, abanando até pra varal de roupas, é dose. Não me agrada esse negócio de desidratar o adversário através das redes sociais. Também não desejo mudar minha personalidade e modo de ser. Se nunca mostro os dentes sem motivos, por quê teria que andar por aí arreganhado para bancar o simpático? Pior ainda, ficar escutando gracinhas que não tem graça nenhuma, e piadas infames.

Candidato não pode nem tomar uns pileques por aí, brigar nos bares e com a polícia, que todos se escandalizam e não aceitam explicações. Querem que o Prefeito seja o quê? Um anjo? Tenho pecados bem maiores que as virtudes. E não são poucos! Meus amigos vão entender!

Só de pedidos de uma "vaga", seja lá para "o que for", para eleitores ou seus parentes, tem que encher uma caderneta com anotações. Vão pro diabo, tropa de carrapatos! Afinal de contas querem que o Prefeito administre o município ou a vida particular de cada um?

Campanha política dá muito trabalho, e toda pessoa que trabalha tem sempre uma porção de vagabundos querendo viver às suas custas. E os dedos duros? As denúncias? Não se consegue nem fazer xixi nos muros que sempre tem um alcaguete para tirar fotografia e denunciar.

Neste mundo já não existe nenhuma lealdade. Não vale à pena ficar cavando a esmo, procurando sabe-se lá o quê. Então desisto! Encarcero meu ego. Até porque minha candidatura é de mentirinha mesmo! Não tenho habilidade nem diplomacia para ficar agradando companheiro rabugento, dengoso, emburrado, mordido, assim como eu. Não adulo ninguém! Tá resolvido, desisto! 



28 Julho 2019 08:31:00

Quando duas pessoas resolvem morar sob o mesmo teto, "juntando os trapos" como dizem no popular, num primeiro momento não imaginam os reflexos que isso possa ter em suas vidas. Essa informalidade, essa falsa impressão de não assumir compromisso, de fazer de contas que são só namorados, e, portanto, isentos das obrigações formais, mudou bastante com o passar dos anos.

A chamada união estável, que deu um nome sociável para o antigo "amigamento", elevou o status desse relacionamento quando o STF decidiu equiparar a união estável ao casamento civil quando o assunto é herança. Quer isso dizer que o casamento "no papel" vale tanto, e em certas circunstâncias até menos que o "ajuntamento".

Enrabichou tá engatado! Abstraindo-se os aspectos sentimentais que unem os casais, vejamos algumas circunstâncias relacionadas com o patrimônio. Digamos que um casal viva sob união estável e tenha dois filhos. O regime então é o da comunhão parcial de bens, ou seja, cada um permanece dono daquilo que tinha antes de se unirem para a convivência. Suponhamos que o homem tivesse uma casa comprada e paga antes da união com a mulher, mas que durante o tempo em que juntos viveram compraram outra casa já que então nasceram dois filhos.

Daí, o homem (como sempre) morre antes da mulher. Como o Supremo Tribunal Federal decidiu, a partilha deve ser feita na seguinte forma: A casa que o companheiro tinha antes de se juntar com a mulher fica para ela e os dois filhos (1/3) para cada. A casa comprada durante a união estável fica 50% para a mulher (meação) e os outros 50% para os filhos, sendo 25% para cada. Neste caso pouco importa se os filhos são do casal ou só do parceiro que morreu.

Mas, e se a partilha tiver que ser feita por motivo de separação e não de morte? Bem, daí, nesse caso, a casa que foi comprada pelo homem antes da junção, será só dele, e a outra, comprada durante a convivência, será partilhada em 50% para cada um. Agora, uma coisa interessante, já que vivemos em tempos modernos.

Essa decisão do Supremo vale para casais heteroafetivos e para homoafetivos. Sendo um casal de dois (desculpem o pleonasmo), a partilha contempla ambos, sejam lá dois masculinos ou dois femininos amancebados. Outra coisa, se o casal do exemplo acima tiver um filho socioafetivo (de criação), com ou sem documento de adoção formalizado, herdará também junto com os outros dois.    


28 Julho 2019 08:31:00

Quando duas pessoas resolvem morar sob o mesmo teto, "juntando os trapos" como dizem no popular, num primeiro momento não imaginam os reflexos que isso possa ter em suas vidas. Essa informalidade, essa falsa impressão de não assumir compromisso, de fazer de contas que são só namorados, e, portanto, isentos das obrigações formais, mudou bastante com o passar dos anos.

A chamada união estável, que deu um nome sociável para o antigo "amigamento", elevou o status desse relacionamento quando o STF decidiu equiparar a união estável ao casamento civil quando o assunto é herança. Quer isso dizer que o casamento "no papel" vale tanto, e em certas circunstâncias até menos que o "ajuntamento".

Enrabichou tá engatado! Abstraindo-se os aspectos sentimentais que unem os casais, vejamos algumas circunstâncias relacionadas com o patrimônio. Digamos que um casal viva sob união estável e tenha dois filhos. O regime então é o da comunhão parcial de bens, ou seja, cada um permanece dono daquilo que tinha antes de se unirem para a convivência. Suponhamos que o homem tivesse uma casa comprada e paga antes da união com a mulher, mas que durante o tempo em que juntos viveram compraram outra casa já que então nasceram dois filhos.

Daí, o homem (como sempre) morre antes da mulher. Como o Supremo Tribunal Federal decidiu, a partilha deve ser feita na seguinte forma: A casa que o companheiro tinha antes de se juntar com a mulher fica para ela e os dois filhos (1/3) para cada. A casa comprada durante a união estável fica 50% para a mulher (meação) e os outros 50% para os filhos, sendo 25% para cada. Neste caso pouco importa se os filhos são do casal ou só do parceiro que morreu.

Mas, e se a partilha tiver que ser feita por motivo de separação e não de morte? Bem, daí, nesse caso, a casa que foi comprada pelo homem antes da junção, será só dele, e a outra, comprada durante a convivência, será partilhada em 50% para cada um. Agora, uma coisa interessante, já que vivemos em tempos modernos.

Essa decisão do Supremo vale para casais heteroafetivos e para homoafetivos. Sendo um casal de dois (desculpem o pleonasmo), a partilha contempla ambos, sejam lá dois masculinos ou dois femininos amancebados. Outra coisa, se o casal do exemplo acima tiver um filho socioafetivo (de criação), com ou sem documento de adoção formalizado, herdará também junto com os outros dois.    


21 Julho 2019 08:30:00

Acredito aqui na companhia da minha ignorância, que passamos pela vida inteira enganados por algumas idéias, e de alguns poucos. Normalmente são ou foram visionários. Quem sabe até malucos! Criaram, na sua maioria, algumas crenças ou superstições e as defenderam com tamanha argumentação que a humanidade adotou-as como verdadeiras e absolutas. Por isso, talvez, a relação conflituosa da nossa espécie com a verdade.

Tudo teve inicio quando o homem, a partir do momento em que adquiriu a inteligência, teve a percepção de que todos morrem. Aí, alguém metido a sabido resolveu dizer "não é bem assim, existe vida após a morte". Como somos todos agarrados na vida, e ninguém quer morrer, uma idéia dessas nos conforta. Então é melhor acreditar nisso. Ora, pensamos nós com a nossa presunção, não é possível que tenhamos o mesmo fim de um cachorro.

Tem que existir uma prorrogação do tempo regulamentar depois que batermos com a cola na cerca. Não podemos aceitar que acabe tudo empatado, sem chance para os pênaltis. Se somos inteligentes é porque somos imortais. Como é bobo o tal de bicho humano! Mas no nosso interior sempre permanece a dúvida. Os sinais que a natureza nos mostra fazem com que cada vez mais duvidemos daquilo que nossos antepassados nos ensinaram.

Então lidamos sempre com a verdade ou fugindo dela. Como exemplo, vejamos as relações amorosas. Essa conversa fiada de que "eu vou casar com você" deve sempre ser analisada pela moça, já que, excitado, o rapaz tem muito pouco apreço pela verdade. Isto é um fato. Mas, se os fatos contrariam minhas crenças ou meus interesses imediatos, assim como a moça do meu exemplo, eu quero que danem-se os fatos.

Adoto o ditado popular do "me engana que eu gosto". Porém, não podemos passar pela vida aplaudindo idéias estúpidas como se fossemos focas amestradas. Se meu leitor acredita que fazer uma oferenda para Iemanjá, jogando uma garrafa de champagne no mar, no primeiro dia do ano, isso vai lhe trazer sucesso o ano todo, então, pelo menos jogue uma champange importada e cara. Aquele orixá vai dar o troco na mesma proporção. Se pinchar no mar uma cidra vagabunda, vai receber a benesse do mesmo valor. A recompensa é sempre proporcional ao esforço. Óbvio! Nessas coisas de crenças ou busca da verdade, a pior escravidão é a do medo de pensar. O medo de duvidar é a mais covarde!       


07 Julho 2019 10:21:00


(Foto: Divulgação)


Presentearam-me, há alguns dias, com cinco livros. Quatro deles gostei muito. Devorei-os em menos de três semanas. Um, porém, só vai ocupar espaço na minha estante entre outros do mesmo gênero. Não consigo ler essas coisas de auto ajuda. Esses caras que escrevem fórmulas mágicas de "Como ganhar dinheiro fácil", "Como ser feliz", "Fortunas garantidas", e vai por aí afora, devem ser deuses. São perfeitos. Seguem a vida com regras invioláveis. Extremamente disciplinados. Não são pessoas, devem ser robôs. Leio dez páginas de um livro desses e já estou com o saco cheio. Só servem para aumentar a minha percepção do tamanho da minha incapacidade. Multiplicam minhas frustrações. Sei não! Tenho aqui minhas razões para desconfiar que sejam todos uns enganadores. Charlatões vendedores de livros. Esse negócio de auto ajuda ensina a beber água ilusória.

"Encontre seu verdadeiro eu". Besteira! Encontrar onde? Nem vou procurar, pois já me achei faz um tempão! Querem fundir minha cabeça querendo que eu mude. Tão fora! O velho ditado de que o pau que nasce torto morre torto, ainda tá valendo. Somos, queiramos ou não, produto do meio em que vivemos moldados pelas máscaras sociais. "Confie nos seus instintos". Que conselho estúpido! Vou confiar nos instintos de quem, se não nos meus? Como todo ser humano vivo com os meus medos, projetos irrealizados, falsas certeza, desejos sublimados, angústias. Claro que tenho medo do futuro, do imponderável, de não dar conta das minhas dívidas, de que o banco devolva meu cheque, de que me mandem para o SPC. Morro de medo que sujem minha ficha! Ora, o mundo é atravessado por contingências e imprevisões que não dependem da nossa vontade. Crises imprevistas, desilusões amorosas, doenças inoportunas, acidentes. Fazemos parte dessa indeterminação existencial. Não há plano de vida que um livro possa nos ensinar. Assim é, porque ninguém consegue lidar com todas as complexidades que aparecem no caminho de qualquer plano. Confiar num esboço de existência, moldado por um sonhador qualquer, seria limitar a liberdade da vida. "Ame quem você é." Vamos com calma! Gostar de si próprio é uma boa dica, mas é bom ficar alerta. Nem tudo em cada um de nós é naturalmente aceitável, ou louvável. Peneirando bem, penso que a parte ruim é muito maior que a boa. Daí, por prudência, vamos amar a parte aproveitável e administrar a ruim! Pode até parecer um paradoxo, mas até a tragédia muitas vezes é boa!   



30 Junho 2019 07:00:00

Precisava porque precisava falar comigo. Mas não queria ir ao meu escritório. Implorava que fosse até sua casa. Coisa estranha! O endereço era num bairro com fama de barra pesada. Mas ela insistiu tanto que resolvi ir até lá. Quando cheguei ela vestia um figurino que podia ser tudo, menos comum. Estava usando uma blusa listrada com cores fortes, luvas sem dedos e jeans preto cheio de zíperes. Calçava uns coturnos tipo militar com barbantes trançados.

Acredito que ela pensava ser maquiadora. Seus cílios postiços escuros e longuíssimos chegavam às sobrancelhas, e a sombra multicolorida fazia uma curva sinuosa na direção das têmporas. As orelhas, ambas, estavam repletas de rebites. No septo nasal, uma argola. Os cabelos estilo moicano, estavam tingidos de preto com pontas vermelhas berrantes. No pescoço uma tatuagem enigmática. Tinha, calculo pela sua aparente jovialidade, entre 25 a 28 anos. Mostrava uma humildade adestrada.

Pediu-me que entrasse. Relutei com a desculpa de que estava com pressa. Mas, num esforço de domar a educação que para essas coisas não tenho, assenti com um sorriso forçado. Uma sala no mínimo diferente. As paredes estavam cobertas de gravuras feitas sobre cartolinas e pregadas com tachinhas de cores variadas. Pinturas abstratas, maluquetes! Um lado, porém, estava pintado do chão ao teto num tom vermelho cereja. A janela, única, estava escondida por uma cortina de estampa florada em cores gritantes. Uma coisa horrível aquele ambiente! Deve ter sido o capeta quem o decorou!

Num canto observei um cavalete tosco, mal feito com ripas velhas, onde estava uma tela pintada pela metade, com pinceladas também de roxo e preto, aguardando uma nova inspiração. Havia ali um cheiro acre, pungente e achocolatado no ar. Numa estante, dentro de um pequeno vaso, algumas varetinhas aromatizantes. Não tive dificuldade para intuir que a moça tragava baseados com muita assiduidade. Ao perceber minha ansiedade disse-me que pintara muitas telas com motivações abstracionistas, e gostaria que eu comprasse algumas. Entendi ali o seu pedido da visita.

Em seguida, tirou de dentro de um tubo plástico um rolo de telas. Umas pinturas macabras, malucas! Presumi que foram elaboradas nos momentos em que ela viajava no mundo psicótico dos seus baseados. Fiquei sem saber o que dizer. São esses elementos de imprevisibilidade que desafiam a vida. Fingi gostar de um ensaio daqueles e comprei-o. Foi mais por pena da pintora hippie e também para não esmaecer sua ilusão artística. Também foi a forma de fugir logo dali!          


23 Junho 2019 08:00:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Um ministro do Supremo Tribunal precisa ganhar bem. Afinal, seus rendimentos devem ser de acordo com a natureza da função que exerce. Além da responsabilidade em julgar processos sob recursos derradeiros. 

Péra aí! Responsabilidade? Será que um ministro do Supremo Tribunal tem responsabilidade maior do que a de um motorista de ônibus? Piloto de um Boeing ou maquinista de um trem? De jeito nenhum! Mas suas excelências pertencem a uma casta nobre. Resquícios saudosistas e rançosos do Brasil Império.

Não seria justo um salário igual aos da ralé. Aliás, existe um princípio calvinista que diz que a entrada no céu custa caro exatamente para manter a ralé do lado de fora.

Um piloto de um Boeing tem que estudar muito, conhecer dados técnicos, fazer treinamentos, possuir excelente saúde. Um ministro basta ter um pistolão corinthiano, ainda que tenha sido reprovado em concursos. Fazer o quê? A natureza não é igualitária em seus dons e suas dádivas, tampouco em suas misérias.

"A deusa Thênis tem que tirar aquela venda dos olhos com urgência"

Temos que nos conformar! Um homem que tenha um pouco de erudição, seja verboso (ou seboso), pretensa sabedoria, axiomas definitivos, amizades oportunas, frases de efeito, tais quais condena nos outros, consegue enganar bem e a quase todos. Os vira-latas inconformados, assim como eu, ficam apenas latindo para a Lua e abanando  o rabo com docilidade subserviente. 

A responsabilidade mesmo está intimamente ligada a uma gestão ética e transparente que uma organização qualquer, seja ela qual for, deve ter com suas partes interessadas.

Mas, quando um país fica à deriva num oceano revolto de tantas decisões conflitantes, aprisionado ao humor do julgador naquele dia, dá uma coisa ruim. E põe ruim nisso!

Um motorista, maquinista ou piloto, responde criminalmente pelas imperícias eventuais que venha a cometer. Ainda, seu empregador arca com os danos materiais e morais daquele ato imprudente ou negligente.

Quem, então, responde pelos ministros da mais alta corte de justiça deste país por legislarem sem atribuição legal, por soltarem bandidos, por darem o mau exemplo a todos os brasileiros?

A lei é igual para todos, diz o preceito constitucional. Bobagem! Não existe coisa mais desigual. A deusa grega Thêmis tem que tirar aquela venda dos olhos com urgência. E aferir com o Inmetro a sua balancinha viciada. A justiça não está acima das paixões humanas como ela pretendia! A responsabilidade não alcança os deuses do Olimpo Federal.


16 Junho 2019 08:30:00


(Foto: Divulgação)


"Um lugar onde ninguém possui nada, mas todos são ricos." Já imaginaram um lugar assim? Só mesmo na Utopia de Thomas Morus.

Deixando de lado o sonho daquele pensador inglês, nestes dias atuais é imprescindível ter posses para ser alguma coisa. Ser alguém entre muitos. Tendo-se dinheiro, não precisa mais nada. Nem mesmo saber comer com garfo e faca! O dinheiro maquia qualquer cascudo!

Porém, aqui na minha gigantesca ignorância, penso que há outro patrimônio muito mais injusto e cruel que maltrata nossa entorpecida humanidade. Um atributo natural chamado beleza. A beleza é aleatória e congênita. Pura sorte de quem nasce com ela sem fazer nenhum esforço.

Ao contrário do dinheiro, que pode ser ganho com trabalho ou com artimanhas nada éticas, a beleza não tem jeito. Nasceu feio vai morrer feio. Pode disfarçar, cortar o que está muito grande, acrescentar o que está pequeno, cobrir com camadas de cosméticos um defeitinho aqui, entupir com cremes ali, matajuntar rugas, esticar pelancas, implantar, fazer o diabo. Não adianta, feio é feio e estamos conversados! Pode até ficar bonito por algumas horas, mas tomou uma ducha, a beleza se esvai pelo ralo.

Um pobre que tenha sucesso na sua atividade e se esforce muito pode até ficar rico. Agora, uma criança que venha ao mundo com orelhas do Dumbo e dentes do Pernalonga vai morrer feinha como nasceu. Pode remendar e recauchutar como quiser! A própria natureza, com o tempo, cobra a reforma e a criatura churinga toda. Uma coisa bem ingrata isso.

Posso pedir dinheiro emprestado para um amigo, mas não tem como usar por uns tempos uma barriga tanquinho ou olhos azuis que não me pertencem. Bah! Fico chateado! Bem que poderia alugar uma cabeleira vasta e crespa, tipo Antonio Banderas! Não, peruca não vale! Homens e mulheres bonitas deviam ser proibidos de circular por aí. É injusto. Por onde passam semeiam angústia e inveja.

Uma pessoa bem rica e velha se souber aplicar seu dinheiro ficará mais rica ainda. Para a beleza, porém, não existe aplicação. Nem dá mesmo para estocar botox e silicone! O dinheiro, ao longo dos tempos foi sendo distribuído, mas a beleza, ao contrário sempre concentrou-se. Os belos são idolatrados, cobiçados, ocupam as vitrinas sociais. Homens e mulheres bonitos, atraentes, galgam posições sociais, muitas vezes, sem mesmo serem capazes. Agora, se a criatura humana não tem dinheiro e é feia, aí então a coisa é bem complicada!


09 Junho 2019 09:48:00
Autor: Carlos Homem

Não tenho nenhuma dúvida que meu lugar no inferno está garantido


(Foto:  Divulgação)

É isso mesmo! Sou um baita dum invejoso! Já falei isso aqui mesmo neste espaço em outros dias. Dizem, não acredito que existem dois tipos de inveja. Uma boa e positiva outra ruim e negativa. A minha é da braba mesmo! Olho gordo de secar pessegueiro! Tão gordo que uso colírio diet! Daquela inveja mesma que a bíblia enquadra como pecado.

Tenho uma inveja danada quando escuto histórias de alguns amigos ou conhecidos sobre seus filhos. Que maravilha! Com eles dá tudo certinho, são trabalhadores, estudiosos, educados, etecetera, etecetera e etecetera. Só têm alegrias! Nem despesas, nem problemas, nem conflitos, nem rebeldias! Filhos defensores da luta por mais espaço e aceitação para héteros, ricos, brancos, direitistas, bolsonaristas. São todos joinhas, vindos de outras galáxias!

Talvez por isso tenho evitado em frequentar reuniões com mais de quatro pessoas. Sempre tem uma entre elas que vai me instigar a cometer o sétimo pecado capital. Havendo ali comerciantes um deles é o bambam dos bons negócios, dos lucros astronômicos. Se estiverem presentes advogados então é uma covardia o que um deles faz comigo. Ganha todas! Reduz juízes, promotores e adversários ao nível do Vasco! Invencível em qualquer demanda! Como então não sentir inveja?

Num dia desses, e numa reunião dessas, um cabra colou em mim e começou a contar, assim sem mais nem menos, suas viagens internacionais. Eu espumava de inveja! E ele não parava: Que não gostou muito de Madri, que teve um azar danado na França porque Notre Dame pegou fogo antes que ele lá chegasse, que na Dinamarca comeu isso, na Alemanha bebeu aquilo, que na Itália visitou o Papa, que quando retornava para o Brasil o Neymar estava no mesmo avião. Não acabava mais aquela masturbação verbal e sem gozo nenhum. Morri de inveja!

Daí, porque a bíblia diz: "os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus" (Gálatas 5:19-21), não tenho nenhuma dúvida que meu lugar no inferno está garantido. Essas coisas murcham a gente! Não tem como evitar a inveja. O Bolsonaro andou chamando os estudantes de idiotas úteis, mas os idiotas contadores de vantagens nem úteis são.

Ahhhh! Quase ia esquecendo! O cara que colou em mim e contava suas viagens extravagantes, para meu tormento no dia seguinte me achou no WhatsApp e me mandou uma montanha de fotografias dos lugares por onde andou. Pernóstico! Triplicou a dosagem da minha inveja!         



02 Junho 2019 07:00:00

Quem eram mesmo aquelas criaturas conhecidas até há pouco tempo denominadas como advogados? Ora, eram homens e mulheres que andavam sempre bem vestidos e que falavam bonito. Salto alto e gravata empinavam tais defensores do direito. Escudados no título de "doutor", embora não fossem, olhavam os mortais comuns de cima para baixo.

Falavam um 'juridiquês' empolado, cheio de uma terminologia forense, deixando os leigos com a impressão de que existia um idioma próprio para aquela casta. Porém, líderes broncos e semianalfabetos permitiram a criação de incontáveis cursos de direito em cada biboca do país. Dezenas de milhares de novos bacharéis então se formaram, entupindo o mercado. Em breve, com a extinção do exame da ordem, vai duplicar o número de causídicos. Aliás, exame mesmo para qual e que Ordem?

Depois, como se tudo fosse parte de um plano diabólico, foram criadas leis permitindo que as pessoas movessem processos judiciais sem a presença de advogados. Faceiros com tal facilidade, os litigantes, mormente em pequenas cidades, já não procuravam mais advogados. Inventaram os tais aplicativos e ninguém mais precisou de aconselhamento jurídico. E advogados ainda existem que alimentam a ilusão de cobrar consultas! Mas, nessa trilha, veio ainda o pior. Quem possui o poder de fixar os honorários dos advogados, mesmo diante da lei que estabelece limites mínimos, o fazem em parâmetros irrisórios.

Tudo com amparo no famigerado princípio da razoabilidade que avilta o ganho alheio. Dizem que honorários vem de "honor" que significa honra. Honra? Quá, quá, quá, foram todos desonrados! Mas, também o crepúsculo desse poder é latente. Com a criação do processo eletrônico, os computadores julgam sozinhos. Como consequência, as estagiárias prolatam "sentenciárias". Os robôs interpretam as leis! Advogado, hoje, pode até ser inepto.

Basta saber digitar números quilométricos de processos e transcrever jurisprudências que existem para todos os lados e circunstâncias. São muletas mentais convenientes! Se o Tribunal X disse, então está dito! Pensar tornou-se uma tarefa cansativa! Vamos pelo mais fácil. Por derradeiro, para desmoralizar a justiça, inventaram o juizado de pequenas causas.

Aquele que garante ao velhaco o direito de não pagar seus compromissos. Aquele mesmo que diz ao credor: "É melhor ir recebendo aos pouquinhos do que nada!" Só que o caloteiro, com tal estímulo, não paga nem mesmo o pouquinho! Chegamos no ocaso do direito e dos seus operadores


26 Maio 2019 10:30:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Quando importaram dos Estados Unidos esse sistema do freguês pegar a mercadoria direto nas prateleiras e passar para pagar nos caixas, surgiram os "Supermercados". Os primeiros denominavam-se de "Peg-Pag". Eram mesmo "super" no sentido etimológico deste prefixo. Mas popularizou-se e acabou por banalizar-se. Hoje, qualquer merceariazinha de um bairro de periferia autodenomina-se de "Supermercado". Já tive oportunidade até de ver uma tabuleta numa bodega com o título de "Minisupermercado". 

Pois é! O conceito de "Universidade", como a própria palavra indica, é de abrangência muito ampla. Universal. No segmento do ensino, as Universidades são compostas por inúmeras faculdades direcionadas às diversas áreas do saber. Devem, assim, tais gigantes educacionais, promoverem a formação científica das pessoas e realizarem pesquisas nas principais áreas do saber humanístico.

Uma Universidade, para desenvolver sua destinação, exige estruturas e equipamentos tecnológicos sofisticados e consideráveis, além de centros de experiências e corpo docente especializado. Um supermercado do ensino! Pois também se vulgarizaram.


"O negócio é conseguir um diploma para dar carteiraços"


Nestes dias, com a visão direcionada para os efeitos políticos eleitoreiros, sem as devidas cautelas, governantes semi-analfabetos corromperam a função primária das Universidades. Daí, qualquer faculdade interiorana, estabelecida em pequenos municípios, transformou-se em "Universidade", como se apenas a denominação fizesse o milagre de transformá-la num ente habilitado às suas funções. Como vivemos num mundo dominado pelos celulares e seus WhatsApps, ninguém mais está preocupado em obter o saber e a cultura. 

Nem mesmo a tabuada aprendem mais. A máquina de bolso supre a burrice! O negócio é conseguir um diploma para dar carteiraços. Então, estamos nesta triste realidade. As Universidades, na sua grande maioria, transformaram-se em locais para doutrinação de ideologias exóticas, de distribuição de drogas, de estímulo à depravação do sexo, do uso dos acadêmicos como massa de manobra, da quebra da autoridade do professor.

Subverteram tudo! Os campus universitários estão bagunçados. Acha-se ali de tudo, mas pouca gente querendo estudar! Não vai demorar muito para eu ver outra tabuleta: "Mini-Universidade".


19 Maio 2019 09:12:00
Autor: Carlos Homem


(Foto: Divulgação)/

Acredito que seja uma espécie de prazer ao avesso. Ou mesmo de curtir o gostinho de nadar contra a correnteza. Sei lá! Nem mesmo Freud com todas suas escavações na alma das pessoas descobriu isso. Uma esquisitice que me leva a sofrer ataques e humilhações frequentes.

Muitos, ou para ser mais exato, os poucos que se dão ao trabalho de ler estas minhas maluquices das sextas-feiras, vão rir. Com certeza torcerão as bocas em nojinhos, apontarão suas unhas compridas e com sujeirinhas, compartilharão comentários engraçados, ódios impessoais e modernos. Tô me lixando! Não sou uma pessoa do bem. Não tenho essa marca mais cara e mais importada dos últimos tempos. 

Não tô nem aí para essa gritante necessidade de ser reconhecido como "do bem". Esse status do "sou do bem" e ter opinião extrema do bem sobre tudo, não me cativa.

Sim, sou um pensador extravagante e não comerciante. Não preciso agradar para vender. Muitas vezes acho que sou uma espécie de varanda ou sacada dos prédios que só servem para depósito de coisas inúteis!

A quase unanimidade das pessoas, na maioria das vezes, não tem a menor ideia do que estão falando, mas copiaram a opinião daquele colunista do bem e "pá" na cara da gente. Repetem, sem pensar e só porque têm boca, os guichês do bem que todo mundo repete. Daí, se você é humano e está abraçado a qualquer honestidade existencial, tá fora do jogo.

Tenho horror, como exemplo, das perguntas pessoais. Que diabo? Por que querem sondar minha vida? Quando me fazem tais perguntas faço aquela cara de tirar carnegão no vivo. Que merda! Por qual razão devo informar, de graça, como estou me sentindo, qual a minha idade, onde moram e o que fazem meus familiares, se já estou aposentado,e o diabo que os carreguem!

Daí, nessas horas é que me divirto ao reverso. Minto sobre tudo. Digo que estou me sentindo muito mal, quase na extrema unção, quebrado, que trabalho feito um escravo africano, que tenho muito mais idade do que aparento. Que vão especular o capeta! Já penso bastante em mim mesmo e isso me ocupa o suficiente. Não sou do bem!

Afinal, perguntam por quê? Se estou mal não vão me ajudar, e se estou bem, vão querer pedir ajuda. É a regra interesseira do bicho humano. Na verdade, invejo apenas como vivem as crianças. Elas não possuem passado, nem futuro. Possuem apenas a razão para aproveitar e gozar o presente. Não se lhes dá conceituar o "ser do bem" ou o "ser do mal". Vivem apenas!


12 Maio 2019 08:30:00


(Foto: Divulgação)


Em alguns momentos, quando me estico no sofá, me assalta um pensamento recorrente: será que para o exercício da vida vale a pena tanta luta? Justifica-se, como diz o surrado refrão, matar um leão por dia?

Um amigo rico que tive, quando alguém lhe dava uma dica de investimento para o futuro, sempre repetia: pra quem? Realmente, a pergunta não é pra quê? Mas pra quem?

Se somos finitos, estabelecer limites para o trabalho e para a ambição é coisa para os sábios. Acumular riquezas em proporções tais que não vamos desfrutar é um ato de inteligência? Na maioria dos casos, a fortuna é foco de discórdia e desunião das famílias. Amontoar demais, então, pra quê?

Na medida em que me torno reflexivo e jogo luz na realidade, vejo coisas que não via. Daí alguma indignação e inconformismos me fazem aumentar a vontade de corrigir os erros.

Perguntei certa vez a um dos meus alunos adolescentes: qual é a sua motivação na vida? A minha é a vingança, respondeu-me. Ele era prisioneiro de um ambiente de total incompetência, deixara de viver sua vida para se tornar um vingador. Agia com afrontas diárias aos seus progenitores. Tatuava-se, enfiava piercing aqui e ali, deixava os cabelos longos e amarfanhados, trajava roupas agressivas e esquisitas. Se ressentia da incompetência dos pais, e se tornara rebelde na vida como forma de vingança. Ou seja, seus pais continuavam mandando nele, e aquilo o incomodava. Não podia reagir, porque era por eles sustentado. Coisa que não podia entender como nenhum jovem entende, é que os pais não agem assim por maquiavelismo ou manipulação. Daí era um rebelde, contrariando quase tudo e todos.

Havia na revolta daquele rapaz duas coisas que me encantavam: a percepção da complexidade do que motiva nossos atos, e a serena aceitação do exibicionismo excêntrico como parte saudável dele.

Então, retorno a primeira reflexão. Vale a pena tanta luta? Viver por exibicionismo? Assim, como um pavão esnobando seu rabo, vemos gente que exibe seus carros modernos, suas viagens internacionais, suas roupas de grifes, suas casas luxuosas, mulheres troféus bem produzidas e insinuantes. Mas, quase todos são incapazes de manter uma conversa de cinco minutos quando o assunto não focar só no dinheiro.

Sorte minha é que, se tais questionamentos existenciais me angustiam com frequência, tenho em Morfeu um aliado benemérito. Fujo da realidade com auxílio do sono, essa imperiosa e ao mesmo tempo deliciosa necessidade física.



05 Maio 2019 07:00:00

Essas dores do amor, mais conhecida por dor de cotovelo, ou de corno, para ser mais popular, podem ser mitigadas, ou até mesmo resolvidas com um conselho muito simples. Esse conselho ou ensinamento talvez estivesse escorado na larga experiência de um personagem curitibanense que conheci.

Ele sempre teve amante fixa e várias avulsas. A cada passo, quando alguém para ele se lamentava desse tipo de enfermidade ou depressão moral, porque sofrera uma traição aqui ou ali, e que por tal motivo estava sofrendo, aquele mestre desse ramo sentimental ensinava: "O teu problema é acreditar naquilo que te contam, ou nas coisas que você vê! Pare com isso!

Acredite só nela, naquilo que ela diz! Não acredite nem nos teus olhos! Acredite que ela não mente pra você! Pronto, assim você não sofre!" Fácil. Na verdade adoramos mentiras. Elas são convenientes e até confortáveis em muitas oportunidades. Quando mentimos repetidamente acabamos acreditando que nossas mentiras são verdades. Muitas vezes, por carência, aceitamos a mentira dos outros como uma forma de desculpas. Pois, mudando o rumo desta conversa, penso que o Lula é a amante dos petistas descornados, e estes, por sua vez, estão seguindo o conselho do meu personagem.

Assim, a maior parte do mundo político, sanguessugas das ONGs, sindicatos, intelectuais da orelha de livros, jornalistas e artistas produzidos e sustentados pela Lei Rouanet, se fingem de tolos arrematados, assobiam e olham para o lado. Não acreditam, por bloqueio cognitivo, fanatismo, teimosia e paixão pelo Lula, em absolutamente nada do que lhes dizem e do que vêem. Só naquilo que o Lula diz, já que todo mentiroso é convincente por lhe faltar escrúpulo moral.

Se ele afirma que é inocente, é porque é! O resto é armação da direita, do capitalismo selvagem, dos grandes grupos econômicos, e, parvamente, dos Estados Unidos. Só mesmo o mais arrematado dos tolos pode negar que não houve a ladroeira colossal praticada pelas empreiteiras e políticos que agora se acham todos atrás das grades. O chefe de tudo isso seria inocente? Fanatismo nessa crença é sinônimo de burrice! Existe ainda criatura que até hoje defendem o Hitler!

A cacofonia histérica e emburrecedora dessa gente nas redes sociais é de dar ânsia. É até mesmo um cinismo intolerável esse de negar o óbvio: O Lula afundou o país e se escuda, ainda, naqueles que teimam em aceitar suas mentiras. 


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