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13 Janeiro 2019 09:45:00


(Lilian Quaino/G1)


O cargo de procurador da Justiça do Trabalho foi uma invenção de Getúlio Vargas quando entrou na onda do populismo latino-americano com uma coisa chamada trabalhismo. Com esse trabalhismo tupiniquim proliferou o sindicalismo.

Uma figura que transitava nesse meio, com influência total, referenciada como patrono até os dias atuais, era Plínio Affonso de Farias Mello, pai do nosso Ministro do Supremo Tribunal Marco Aurélio, conhecido pelas suas lambanças jurídicas. Tinha tanto prestígio o Sr. Plínio que mesmo no regime militar, João Figueiredo manteve aberta a vaga para o cargo de procurador no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro até que Marco Aurélio completasse 35 anos em 1981. Assim, atendida a exigência legal, sem qualquer concurso público, nosso Ministro assumiu aquele cobiçado cargo.

Nessa trilha, ainda com o prestígio do pai, foi guindado ao Tribunal Superior do Trabalho em Brasília. Depois, sob a tutela de Fernando Collor de Mello, seu primo, em 1990 foi 'promovido' para Ministro do Supremo Tribunal Federal. Assim, entre compadrio, parentesco, corporativismos, oportunismos e pistolões, temos o nosso ministro que gosta de soltar bandido. Como este sabia e sabe o caminho fácil, logrou nomear sua filha Letícia para o cargo de Desembargadora da 3ª Região no Rio de Janeiro, agora com a chancela de Dilma Rousseff, pouco importando essa história de nepotismo.

Nesses meandros conhecidos pelos espertos, o Ministro Dias Toffoli, atual presidente do STF, por ter sido advogado do PT, de José Dirceu, da União sob Lula, também ascendeu a tal suprema posição, mesmo sem concurso para juiz e após ter sido reprovado em dois. Já o Ministro Lewandowski chegou lá graças as suas ligações de compadrio e amizade com o casal Maria Letícia e Lula.

Mas, afinal de contas, faço estes relatos por quê? Por achar que está errado? Pode. Mas, na verdade, o que tenho mesmo é inveja. Sou muito burrinho e não conseguiria ser aprovado num concurso de juiz. Só que assim na moleza, de galho em galho, com padrinhos poderosos, eu aceitaria ser Ministro sem me fazer de rogado. Me contentaria até mesmo com uma função de Desembargador, ou na pior, de Procurador de uma instituição pública federal qualquer. Mas dessa forma! Sem concurso, sem teste nenhum da minha capacidade. Apenas na base do compadrio e da amizade. Fácil assim. Será que alguém recusaria?



06 Janeiro 2019 08:44:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

"A justiça carcomida é o pior câncer de uma sociedade. Em 1971, ganhei uma bolsa para estudar nos EUA. Foi um seminário sobre desenvolvimento econômico na Harvard University. Em um encontro com um professor, eu propus uma simples pergunta a ele. Qual o principal fator (citando apenas um), para explicar a diferença do desenvolvimento americano e o brasileiro, ao longo dos 500 anos de descobrimento de ambos os países? Então o mestre sentenciou sem titubear: a justiça! Explicou ele em poucas palavras: a sociedade só existe e se desenvolve fundamentada em suas leis e sua igualitária execução. A lei é o solo onde se edifica uma nação e sua cidadania. Se pétrea, permitirá o soerguimento de grandes nações. Se pantanosa, nada de grande poderá ser construído. 

Passados quase 50 anos deste aprendizado, a explicação continua cristalina e sólida como um diamante. Sem lei e justiça, não haverá uma grande nação. Do pântano florescerão os "direitos adquiridos", a impunidade para os poderosos. Daí se multiplicarão as ervas daninhas da corrupção, que por sua vez sugarão a seiva vital que deveria alimentar todas as folhas que compõem a sociedade. Este abismo gerará violência e tensão social. Neste ambiente de pura selvageria, os mais fortes esmagarão os mais fracos. O resultado final: o pântano se tornará praticamente inabitável. As riquezas fugirão sob as barbas gosmentas da justiça paquiderme, para outras nações.

"Nestes dias atuais, não há brasileiro que não sinta vergonha da sua Suprema Corte"

Os mais capazes renunciarão a cidadania em busca de terras onde a justiça garanta o mínimo desejado: que a lei seja igual para todos. Este é o fato presente e a verdade inegável do pântano chamado Brasil! Minha geração foi se esgotando na idiota discussão entre esquerda e direita. E ainda continua imbecializada na disputa entre 'nós e eles', criada pelo inculto Lula e o séquito lulista. Não enxergaram um palmo na frente do nariz da essência da democracia. Foram comprados com pixulecos, carros, sítios e apartamentos. Não sei quantos jovens lerão este texto e terão capacidade de interpretar e aprofundar a discussão. Aos meus 70 anos, faço o que está ao meu pequeno alcance"(John Kirchhofer).

O texto acima que me foi enviado e que transcrevo espelha uma realidade secular. Nestes dias atuais, não há brasileiro que não sinta vergonha da sua Suprema Corte.

O Supremo Tribunal há muitos anos abandonou por completo a sua função de autocontenção e guardião constitucional. Noticiam, a cada passo, as barganhas que faz com o Executivo e com o Legislativo, sobre causas das mais variadas.

O mau exemplo, então, vem até aos juízes de primeiro grau. Daí não ser nada estranho saber-se de decisões cunhadas ao sabor de simpatias pessoais, de convencimentos emprenhados pelos ouvidos, de sentenças lavradas ao arrepio das leis e absurdamente em frontal contradição com outras decisões do mesmo julgador. Que segurança pode ter o cidadão comum? Nenhuma!


30 Dezembro 2018 13:24:00

Na segunda metade do século dezenove o vice-rei do Egito deu como presente para o Imperador brasileiro duas múmias. Era uma contribuição cultural. Quando aqui chegaram, ficaram elas barradas na alfândega durante dias. Isso por- que nos formulários de registro de entrada de mercadoria não havia a opção "múmia". A solução foi aplicar o já famoso 'jeitinho brasileiro'?e registraram nos arquivos da receita como "carne seca". Resolvido! 

A burocracia talvez não seja um problema exclusivo deste país. Se herdamos dos portugueses essa cultura ibérica cartorial, nossos vizinhos todos da América Latina colonizados pelos espanhóis, possuem também entraves iguais ou piores na administração pública e até mesmo na empresarial. 

Agora, em dias atuais, tivemos a promulgação de uma lei que dispensa o reconhecimento em cartório das assinaturas apostas em papéis, apresentação de certidões de nascimento e autenticação de cópias xerox. Mas isso só, ainda é muito pouco. Necessário mais do que tudo é desburocratizar as cabeças bloqueadas e educá-las para que busquem soluções e não problemas no dia a dia.

Dou pequenos exemplos: para receber meus salários quando estive professor meteórico, a empregadora exigiu que abrisse junto a um banco local uma conta específica. Pois bem. Entre os documentos todos que me foram exigidos faltou um comprovante da minha residência, ou seja, um talão de luz, ou do consumo de água, da conta telefônica e o escambau.

Argumentei que eu era correntista do banco há mais de vinte anos e que inclusive movimentava minha conta ali com regularidade. Que todo ano o banco atualizava o meu cadastro. Era evidente que possuíam meu endereço de residência. Não adiantou. Estava no manual das exigências da instituição e pronto! Devia ter, e tem, uma cópia nos arquivos deles, mas é mais fácil fazer o burro trotear! 

Embora contrariado, fui buscar um talão de luz em casa. Encotrei um extrato remetido pelo próprio banco poucos dias antes. Cheio de razão levei o dito extrato e o apresentei para o bancário. Pela minha expressão facial de arrancar carnegão no vivo ele não teve como recusar. Quer dizer: os bitolados não pensam mais, apenas repetem como se fossem máquinas, o comando recebido. 

Uma senhora, pretendendo ser beneficiada com a isenção do IPTU, porque só tem a sua casinha de moradia e se aposentou por invalidez, logo que recebeu o comprovante da aposentadoria foi até ao setor de tributação da Prefeitura. O funcionário que a atendeu exigiu um "extrato" bancário da sua conta para provar o recebimento de pensão previdenciária. Mas ela não tinha extrato, ainda. Tinha mais do que isso. A prova documental da sua aposentadoria. Não teve jeito. O funcionário, com a preguiça mental que o domina, não aceitou. 

Se a instrução diz "extrato" nenhum documento pode substituí-lo, ainda que seja mais probante. O contribuinte que se lixe, que se bata, que corra de um lado para outro. Se a ordem é "extrato" bancário, é "extrato" e pronto! A burocracia domina a administração pública e privada mais pela falta de iniciativa do atendente, da sua incapacidade de discernir, da sua modorra congênita, da sua má vontade de resolver. Talvez uma espécie de prazer mórbido com a dificuldade dos outros! 


23 Dezembro 2018 15:01:00
Autor: Carlos Homem

Estamos nos dias da loucura e histeria coletiva

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(Foto: Divulgação)/

Estamos chegando no final de mais um ano. Igual a todos os outros. Agora são aqueles dias em que a gente come mais do que deve, bebe sem nenhuma moderação, gasta mais do que previa para ter uma "noite feliz".   

Ficamos alegres e comemoramos mais 365 dias passados na nossa vida. Uma época de revermos pessoas que foram embora e que já não lembrávamos, mas que nesta época aparecem para visitar seus parentes. Vamos ouvir "feliz natal e próspero ano novo" uma montanha de vezes, mesmo por alguns dias após o ano terminar. Faz parte da nossa cultura. Repete-se esse mantra por delicadeza, sem nenhuma convicção. No dia seguinte já nem lembramos.

Esses últimos dias que antecedem o Natal são os mais chatos e estressantes do ano. Os finais de anos são todos iguais. Tudo tem a mesma liturgia, tudo é repetido bem igualzinho como sempre. Agora é a época de comprar presentes. Que saco! Será que alguém consegue acertar o presente que se vê obrigado a dar? E daí o dilema: Se compro um presente caro me dói no bolso, se compro um bem barato me chamam de mão de vaca. E pode haver coisa mais chata do que dar presente sem ter vontade? Essa conversa de que qualquer coisa serve e o que vale é a intenção não engana ninguém! E os planos para o ano seguinte que nunca cumprimos? Ano novo, vida nova, carro zero, reformas na casa, plásticas, viagens, etc. O ano passado não deu, no ano retrasado também não deu, mas agora vai dar. A mesma ilusão de sempre! Metas e metas não cumpridas! Nesse galope, estamos nos dias da loucura e histeria coletiva.

Também das simpatias da virada de ano. Mas olhem meu conselho: Quem fizer simpatia ou caridade esperando retorno, capriche. Por lógico, quem jogar no mar uma garrafa de cidra vagabunda pedindo vantagens para Iemanjá, com certeza vai receber o troco na mesma proporção. A divindade orixá não é trouxa! Pelo menos um Champagne de 100 reais! Fazer caridade pensando no retorno não é caridade, é investimento. O castigo pega e dá revertério!

Quase ia esquecendo da ceia natalina ou do reveillon. Aquela que tem comida boa e farta de toda espécie pra gente se empanzinar. Aquele ritual em que se reúnem parentes vindos de todo canto. Aquela tortura social onde sempre tem no mínimo um chato, sabido, falando alto, tomando conta do ambiente e contando vantagem que não acaba mais. E contando piadas que não têm graça! Não existe jantar de família nos finais de ano sem um chato de galocha! E tem sempre, também, aquele parente que você não gosta, mas tem que aguentar. Mas é assim! Afinal de contas, antes que me esqueça, no feriado de Natal comemora-se o quê mesmo?



16 Dezembro 2018 09:35:00

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Sou contra! Pronto, falei! Podem berrar o quanto quiserem.Penso que o exame exigido pela

Ordem dos Advogados do Brasil para habilitar o profissional é uma prova soberba da ineficiência das faculdades de Direito. Assim como todo o ensino no Brasil,com ênfase no superior.

Esse espírito de corpo onde a maioria dos advogados estão engajados,achando que o exame da ordem é uma providência saneadora,espelha o medo da concorrência.Uma espécie de reserva de mercado. Instinto animal de sobrevivência! Além de um sublimado egoísmo. Impedir, ou criar obstáculo para que outros trabalhem é, queiramos ou não,um sentimento mesquinho.

Não penso que seja justo, depois de cinco anos cursando uma faculdade, com custos financeiros e sacrifícios de toda ordem, exigir do bacharel que faça ainda mais uma prova para poder exercer sua atividade. Ora, a faculdade que lhe ministrou aulas, com seus professores pós-graduados,doutorados, mestrados e outras frescuras mais, ensinou o quê?

Quem seleciona o profissional,em todas as atividades, é o mercado.Elementar! A prova de capacitação se faz pelos serviços prestados no dia a dia. Pedreiros, carpinteiros,pintores, eletricistas, engenheiros,decoradores, entre outros, fazem o nome e são procurados em razão apenas da fama de bons profissionais.

Não me contestem alegando que a prova da ordem está estabelecida na lei e que esta deve ser cumprida. Sei perfeitamente o que diz o final do inciso XIII, art. 5 da CF e que o art.8, caput, da Lei 8.906/94 com suporte nela, assim impõe. Mas trata-se de uma "lei injusta", se é que posso me apropriar desta expressão usada por Oscar Wilde em seu famoso poema.

Nas faculdades de Direito o que menos ensinam é a prática de redação ou elaboração de peças processuais.Enchem a cabeça dos acadêmicos de teorias, subjetivismos do Direito, filosofias, e o diabo à quatro.Algumas disciplinas inclusive com títulos exóticos que não servem para absolutamente nada.

Não ensinam, porém, sequer a confeccionar um recibo. O novo bacharel recebe o diploma com aquela sensação íntima de que não aprendeu nada. Daí tem que estudar como um louco para aprender o que não lhe ensinaram, e ainda pagar para fazer a tal prova da ordem.

E são feitas aos montes durante o ano, com evidente objetivo arrecadador.

Um bacharel desses poderia,ainda que pareça absurdo, pedira restituição dos valores pagos a título de mensalidades, devidamente corrigidos, já que teria sido vítima de um estelionato. Sim, porque foi enganado durante cinco anos,não lhe capacitaram e agora exigem ainda que seja submetido e aprovado num exame sobre aquilo que não aprendeu. Poderia, quem sabe, e abusando do absurdo, pleitear o dano também contra o Governo Federal por permitir o funcionamento de faculdades sem a devida qualificação. A tese é louca?Pode ser. Mas loucura mesmo são essas faculdades que não reprovam ninguém, cobram o olho da cara,não ensinam e nem capacitam.Mercantilizam diplomas. Isso não é verdade? Então qual a razão para a existência do exame da Ordem?



09 Dezembro 2018 08:30:00


Acabou o mês de novembro. Ufa!!! Tem horas que me julgo muito esperto. Pois consegui não dar o cano no mês de novembro. Tá certo sim! Não permiti essa invasão marota e, portanto, dei o cano não dando o cano, pedindo desculpas pelo trocadilho. Que diabo! O homem já está aterrissando no planeta Marte, e ainda existe por aqui um exame desse tipo? 

Dizem que tem outro, mas que não funciona. Será? Acredito que inventaram isso só pra humilhar. Esse defloramento mórbido, consensual, não pode persistir. Vou conversar com um deputado da nova república bolsonariana para que apresente um projeto de lei extinguindo o azul do novembro. Tem outras cores mais amenas. Menos doloridas e vexatórias! Mesmo porque, naquele momento de suplício ninguém vê azul nenhum, mas apenas a coisa preta! E com estrelas! Aí, então, me queixei para um amigo sobre esse exame prostático e preventivo.

Largue mão, cara! Disse-me ele, acrescentando: Isso é normal, você que é muito chato e paranoico! Sou mesmo. Assumo. Sou retrógrado, preconceituoso e ignorante. Só de pensar no dedão do médico aperto o esfíncter de tal forma que não passa nem pensamento. Essa tal de próstata não podia ser em outro lugar? Perto das amigdalas, por exemplo! Se fosse ali o toque não baixaria o astral de homem nenhum.

"A gente poderia morrer engasgado, não envergonhado"

A gente poderia morrer engasgado, não envergonhado. Se a gente parar para pensar vai concluir que esse atentado ao pudor é mais uma estratégia da esquerda para desestabilizar o machismo. O homem que cortava a grama lá em casa perguntou-se, aproveitando uma confidência masculina sobre o assunto, se esse dedaço na retaguarda servia mesmo para alguma coisa.

Fiquei me questionando se valia a pena perder alguns minutos discutindo com um senhor de 62 anos, evangélico, puritano, com menor espaço na cabeça do que este que ocupo nesta crônica. Mas, é cruel admitir: também sou quadrado igual a ele! Se a gente começar a discutir com todo jardineiro conservador, professor canhoteiro, futriqueiros da esquina da Salomão Almeida, simpatizantes do MBL, filósofos de botequim, petistas enlutados, talvez nos sobre muito pouco tempo para viver a vida. Melhor deixar quieto e torcer para que a vaselina alivie um pouco o nosso tormento.

A verdade é que marquei, desmarquei e marquei de novo uma porção de vezes o tal exame. Daí gazeteei! Fiquei imaginando o médico me esperando com aquele indicador em riste e com aquela cara de Sade ou de Torquemada. Ou dos dois juntos! Ele que use aquele dedo para tirar a remela dos olhos ao invés de trilhar na minha flora intestinal e acabar com a minha autoestima. Escapei do novembro, agora quero mais é curtir férias em dezembro.


OCO DO MUNDO
01 Dezembro 2018 21:01:00

Os irracionais, embora devam merecer maior tolerância e compaixão dos humanos, devem também ter suas limitações nessa proteção. Tudo tem limites. Ora, se o direito de cada cidadão acaba onde começa o do outro, para os irracionais a regra tem que ser pelo menos próxima disso. Ou a irracionalidade é sinônimo de ilimitada tolerância? Um ruralista meu conhecido, há tempos não muito distantes, matou um leão baio. 

O bicho estava viciado em matar as ovelhas dele. Fazia ali, naquele sitio, visitas periódicas e imprevisíveis matando várias ovelhas para saciar a fome e também os seus instintos, como é natural. Cometeu o homem a quem me refiro a imprudência de tirar o coro da fera e estaqueá-lo para depois guardá-lo como troféu. Arquivou a prova do crime, o tolo. 

Daí ferrou-se! Mas, será mesmo que houve crime ambiental? E as ovelhas mortas, quem, em tese, devia ser responsável pelo ressarcimento? E como fazer para o leão não aparecer mais, vitimando outros animais domésticos? Estou fazendo todo este contorno para chegar no javali. Virou praga esse bicho. E então? O agricultor pode ou não matar esse porco selvagem? O javali, animal exótico que veio sabe-se lá por quais caminhos, é um predador completo. 

Estraga e destrói lavouras, degrada a terra, mata animais domésticos e é perigoso para as pessoas, além de transmitir, segundo se supõe, a febre aftosa e outras doenças. Vindos da Ásia e da Europa, o javali não tem predador natural no nosso ecossistema. Daí prolifera com muita facilidade não havendo como controlar seu aumento populacional. 

Como andam sempre em varas, arrasam lavouras de milho, mandioca, entre outras tantas e variadas. Porque só nós os humanos é que temos deveres diante das leis, temos que nos submeter a mais esta, arquitetada em gabinetes por quem não sofre o problema. Portanto, desequilibrada. Então, para quem tem necessidade de abater tais animais, deve antes trilhar o calvário burocrático que neste país é o caminho obrigatório para qualquer coisa que se pretenda fazer. 

Por ser atribuição da Polícia Ambiental a permissão para a caça do ja- vali, quem quiser eliminá-lo deve antes fazer um cadastro pessoal (com antecedentes mínimos de um santo), pois do contrário não consegue, cadastrar a propriedade rural (mais uma vez) e fazer um registro de porte de arma (este sim é uma loteria). Para tanto, entre uma montanha de documentos e taxas de toda natureza, o cidadão descobre que é melhor concubinar-se com o javali. 

Custa mais barato! Ou, como sempre acontece em situações assemelhadas, o proprietário busca solução nas margens da lei, agindo de forma ortodoxa e anônima com o uso de veneno, armadilhas, etc. Fazer o quê? As leis, na maioria, a exemplo desta, não possibilitam o seu cumprimento. 


25 Novembro 2018 08:50:00
Autor: Carlos Homem

Talvez no tropeço dos outros compenso os meus

Acredito que este meu compromisso semanal de escrever uma crônica, aqui neste espaço, está me deixando cada vez mais rabugento. Implico com as palavras, com os modismos, com as gírias, com tudo. Estou sempre vigiando como falam e como escrevem. Como se eu não errasse a todo o momento! Mais um cacoete, entre os tantos que tenho. 

Talvez no tropeço dos outros compenso os meus. Nestes dias, como exemplo, descobriram o substantivo "expertise". Nunca tinha ouvido isso antes. Primeiro numa propaganda de empresa dedicada aos fundos de investimentos, depois um repórter daqui outro entrevistado dali. Pronto! A moda está pegando e agora usar "expertise" é muito mais chique do que falar especialista ou experiente. O humano é um macaco melhorado. Ou piorado. Adora imitar.

 Aliás, o substantivo feminino "imitação" agora virou "memes". Dia desses brinquei com uma colega no WhatsApp sobre esse termo. "Zoei", se é que posso usar o idioma dela. É que sou bronco e refratário à essa linguagem truncada das redes sociais. Ela reflete o tamanho da minha alienação. Acrescentar inovações, incorporar novas ideias, novas técnicas, adicionar informações, são expressões que ficaram a latere com o uso dominante e recorrente do "agregar valores". E os vinhos? Ninguém diz que este ou aquele vinho é mais suave, menos seco, mais aveludado, mais leve, etc. A frescura, para se bancar o entendido, é dizer mais "encorpado" ou menos "encorpado". 

Existe também uma hierarquia entre as palavras. Desfalque é muito mais elegante do que roubo, não é? Que o indivíduo tal praticou apropriação indébita fica menos agressivo do que chamá-lo de ladrão. Ou não? Fazer xixi é socialmente aceitável, mas mijar é uma expressão cascuda e agressiva dependendo do ambiente. Cocô é um eufemismo que soa menos fedido do que o seu sinônimo. Há mesmo alguns vocábulos infames que dificultam a pronúncia correta: defasagem, estupro, superstição, perscrutar, que enrolam a língua, entre tantos. 

O tratamento que nos dedicam também têm sua importância subordinada aos sinônimos utilizados. Na minha fugaz existência, fico com o peito estufado quando as moças do telemarketing me chamam de cavalheiro, pois no dia a dia sou apenas um cara grosseiro. Falei logo no início que estou cada vez mais "rabugento". É mais popular dizer assim, porque "irascível", que confesso que sou o adjetivo é menos confortável.


18 Novembro 2018 09:15:00


(Foto: Divulgação)


Se o Vasco tivesse feito mais gols do que o Grêmio teria ganho o jogo, mas como não fez, perdeu. Assim teria dito a Dilma Rousseff com seu inusitado poder de dedução. Porém, mesmo perdendo o jogo, para compensar a infelicidade do seu goleiro, o Vasco ganhou três pontos ao invés de perdê-los. Bom, se na primeira linha acima existe a possibilidade de a Dilma ter dito tal disparate, na segunda é evidente que estamos diante de uma fake news.

Agora esse vocábulo copiado dos americanos, como sempre, virou moda. Nossa macaquice tupiniquim acha mais bonito repetir o estrangeirismo. Porém, o problema é que as redes sociais perderam sua credibilidade por causa disso. Ainda que nas notícias que ali nos sejam repassadas tenham possibilidade de serem verdadeiras, já não acreditamos de primeira mão. Tudo virou notícia falsa, ou pelos menos a serem conferidas.

 Para defender-se das revelações nada republicanas sobre sua vida íntima, e também comercial, o presidente Donald Trump difundiu e notabilizou a expressão. Mas, penso que as "fake news" vêm de muito longe na nossa história. Aqui, na terra descoberta por Cabral, que já estou pensando tratar-se também de uma "fake news", pois historiadores existem que dizem ter sido o espanhol Balboa quem primeiro por aqui esteve. Cabral (o Pedro), chegou depois. Foi "fake" também, segundo os americanos do norte, a notícia de que Santos Dumont inventou o avião. Mas, por patriotismo nos recusamos a aceitar que tenha sido os irmãos Wright.

 Aquela história de que Pedro I, nosso Imperador de tempos longevos, sacou da espada na margem do Rio Ipiranga, deu um brado de independência, sabe-se hoje que era "fake". Ele andava sofrendo torturas fazia já alguns dias, de um tremendo tenesmo. Então, no momento em que saía de uma capoeira, onde fora desapertar-se, ao receber os despachos de Lisboa, irritado, com certeza deve ter declarado nossa independência usando um palavreado menos publicável como é do gosto dos portugueses até hoje. Mas, "fake" ou não, entre os Libertadores das Américas (tem o campeonato de futebol com esse nome), Pedro I é o único brasileiro ali incluído. E isto não é "fake".

Ainda, a Lei Áurea que libertou nossos escravos, quando já não havia nenhum outro país com escravidão, não foi bondade da Princesa Isabel, mas obrigada a fazê-lo na marra, por imposição dos ingleses que punham à pique nossos navios negreiros. Tratouse de outro "fake" da história, mas que o patriotismo pinta com belas cores. As "fakes" sempre foram exploradas no mundo, em especial pelos políticos. A melhor prova disso é que a maior "fake" deste país, conhecida por Lula da Silva, ainda é venerado por uma multidão que teima em acreditar nas suas mentiras.



12 Novembro 2018 09:01:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Acho, ou melhor, penso, porque nunca acho nada! Então penso que essas palestras motivacionais oferecidas pelas empresas para seus funcionários cansados, sempre com o nome de "atualização", são engraçadas. Ou, digamos, perversas. Os empregados são motivados, após assistirem tais palestras, para trabalharem mais ainda. 

Os palestrantes, via de regra, são bons de bico, pedagógicos, simpáticos, bem humorados, cheios de recursos verbais e convincentes. Ensinam como o participante obtenha maior reconhecimento do empregador sendo mais produtivo no trabalho. Eles mesmos, no entanto, se reveladas suas identidades, nada mais fazem do que andar por aí "motivando" os outros. Sucessos pessoais, deles mesmos, é muito pouco.

Me fazem lembrar das videntes. Preveem o futuro, aconselham e fazem sortilégios para o sucesso da vida dos consulentes, sorte nos negócios, no amor, etc. Elas mesmas, com unanimidade, são todas pobretonas e vivem com migalhas. Para si mesmas as previsões não funcionam. Claro, na prática a teoria é sempre outra.

É fácil, muito fácil palpitar e sugerir soluções para a vida dos outros! O problema é administrar a nossa! Elementar. Não há lógica no comportamento das pessoas e o transitório é a constante. A cabeça humana é enigmática e tem sua individualidade.

"É FÁCIL, MUITO FÁCIL PALPITAR E SUGERIR SOLUÇÕES PARA A VIDA DOS OUTROS!

Voltemos aos palestrantes motivacionais. O que eles têm em comum é o argumento de que todo sucesso alcançado pelas pessoas é sempre o resultado de uma força de vontade e disposição excepcionais.

Lindo, sob o aspecto teórico! Quando essas palestras, seminários, encontros, e sabe lá que denominações lhes sejam dadas são pagas, o dinheiro é sempre jogado fora. Os participantes saem dali cheios de ideias e com as baterias carregadas. Não leva sequer uma semana e já esquecem tudo. Igual aos regimes alimentares com o objetivo de emagrecer.

Duram dois ou três dias, depois se permite, negando a própria rendição, que o organismo recupere com sobras tudo aquilo que lhe foi negado. Assim é, porque uma porção de mecanismos do nosso corpo continua oculta e indecifrável. Essas doses de otimismo, de estímulos, de autoestima, que os profissionais da motivação incutem naqueles que os ouvem, porque são todas abstratas, e, portanto frágeis, logo se rendem ante a realidade do dia a dia. As dificuldades são imprevisíveis e aparecem aos montes. Assim como os livros de autoajudas, de frases e mensagens feitas na Internet, achamos muito bonitas e até verdadeiras quando as lemos. São, porém, inócuas. Evaporam-se. Na prática não as seguimos.


OCO DO MUNDO
03 Novembro 2018 21:01:00

Universitário que não seja da esquerda é careta. Retrógrado. É chique ser do contra. Agredir as estruturas dá um quê de inteligência, de independência, de que tem personalidade. Nestes dias agitados pelas eleições, os universitários adotaram o discurso antifascismo. Mal se dão conta que assim como o comunismo, o fascismo há muito entrou em colapso. 

Tá fora! Mas os acadêmicos invadem as universidades com seminários e palestras sobre o fascismo. Até quebra-quebra promovem na defesa "dos direitos" para realizarem tais eventos. Boicotam as aulas com desculpas de que estão sendo ameaçados pelos "fascistas". Estudar é o que menos fazem. Pode? Acreditam nisso? Muito bem. Aposto uma viagem de ida para a Venezuela como 95 em cada 100 universitário não sabem o que é o fascismo, onde nasceu, quem foi seu criador, que doutrina defende. Vou bem mais longe. 

Aposto mais uma viagem só de ida para a Uganda como 99 em cada 100 universitários não são capazes de escrever dez linhas sobre o fascismo. Dez linhas é muito? Tá bom, tá bom, deixo por cinco! Quando se é jovem o discurso socialista soa romântico e filosófico. E jovem, nesses assuntos, como sempre, viaja na maionese! É porque acha bonito ser qualquer coisa, mesmo que não saiba do que se trata. Babacas é o que são! Vivemos em dias que há muita gente defendendo besteiras e se sentindo orgulhosas por isso. 

São os imbecis com complexo de sabidos. Aliás, estudos realizados com dezenas de milhares de pessoas, em vários países, constataram de forma assustadora que a inteligência humana começou a cair. Há uma regressão lenta, mas preocupante. Penso que tal conclusão já havia constatado na minha última experiência como professor. Meus alunos, com raras, raríssimas exceções, eram capazes de responder uma questão dissertativa quando a fundamentação tivesse que ser em no mínimo dez linhas. 

E vejam que eram estudantes no curso de Direito onde o uso da fundamentação é primordial. Lembro de uma moça que me entregava as provas mensais com as questões dissertativas em branco, alegando que sabia as respostas, mas não conseguia explicar. Há, é visível isso, um declínio na capacidade de raciocinar. Qualquer dúvida é mais fácil consultar a Internet pelo celular. Tomou o celular deles ficam deficientes físicos e mentais. A preguiça mental está atrofiando a capacidade de pensar. 

Os universitários gostam de contrariar, de propagar modismos, doutrinas exóticas, sem saberem do que se tratam. Daí, quando vejo acadêmicos fazendo discursos contra a perseguição, ou ameaças do fascismo, gostaria, se possível fosse, de colocá-los todos num local apropriado e sabatiná-los, com obrigação de escreverem em dez linhas, o que é tal doutrina. São uns tolos, na verdade. Assim, como na fábula de Monteiro Lobato, o tolo nunca é mais tolo do que quando se mete a sábio. 


28 Outubro 2018 14:05:00
Autor: Carlos Homem

Para escrever é necessária uma boa dose de ceticismo


(Foto: Divulgação)/


Comum, muito comum pessoas conhecidas que leem meus semanais desvarios me abordarem aqui ou ali sugerindo assuntos. São motivações das mais inusitadas. Normalmente fico meio sem jeito, sem saber o que responder.

Quando insistem gaguejo, fico com cara de paisagem. Amiúde me faço de surdo, ou desligado. Aliás, desligado é uma coisa que nem preciso fingir. Estou quase sempre com os três pinos desconectados da tomada. Em tais oportunidades fico com medo de parecer mal-educado, arrogante, sei lá. Porém, não se trata nada disso.

É que escrever uma crônica semanal sob motivação própria difere completamente de abordar temas encomendados. Apenas acredito que não existam fórmulas prontas, esquemas infalíveis, receitas pré-fabricadas, para se arquitetar uma narrativa qualquer. Mas se posso dar uma dica para quem goste, ou tem vontade de escrever, ela é simples: comece! Escreva a primeira palavra, a primeira frase. É como caminhar. Dê o primeiro passo. Mas confesso que assumir o compromisso de escrever semanalmente não é nada fácil.

Sempre há o sufoco do tempo, a tortura da preguiça e a eventual desmotivação. O espaço tem também uma curiosidade paradoxal. Se temos um assunto que brota com vertentes abundantes, o espaço é pequeno. No entanto, se o mote é pobre de aspectos, emperra. O limite se nos afigura inalcançável. O bom mesmo é escrever com sobra de tempo. Daí, na medida em que as ideias aparecem, pode-se pesquisar, ler tudo o que seja relevante sobre aquele tema.

Tem-se que tomar muita cautela, no entanto, para não cair na obviedade. Mas é inevitável, estamos sempre tropeçando nela. Assuntos aparecem que exigem um garimpo cuidadoso para evitar-se escrever absurdos. E a atenção deve ser disciplinada. Perdido às vezes na dissertação fácil sobre alguma coisa acaba-se resvalando na ortografia. Ou na dubiedade, ou na ambiguidade. Mas, uma coisa é fundamental: para escrever é necessária uma boa dose de ceticismo.

É imperioso dar ouvidos a todos, sem confiar integralmente em ninguém. As versões são sempre discordantes e as variantes contraditórias. O desalento muitas vezes também surge de forma inesperada. Nos dias atuais, com as pessoas vivendo estressadas e com o humor aos frangalhos, a crítica ácida é frequente e implacável. Quem escreve vive em sobressalto. Por derradeiro, devo repetir para quem eventualmente tenha vontade de escrever que a melhor dica é: comece!



21 Outubro 2018 09:30:00

'No mundo em que vivemos, tudo tem ascensão e queda'

Quá, quá, quá! É bom demais pra ser verdade. As raposas que dominavam a política brasileira foram entocadas. Os partidos políticos principais, manipuladores do voto popular, agora foram jogados no lixo.

As poderosas empresas de televisão que elegiam quem se submetesse aos seus interesses, todas penduradas nos governos e sanguessugas do dinheiro público, perderam sua importância. Não dominam mais a opinião pública com mensagens diretas ou sublimadas. O mundo político tradicional, rançoso e sucateado, está cético e acovardado.

Nem conseguiram entender ainda exatamente o terremoto que o devastou. Assiste sua destruição sem esboçar nenhuma reação. No mundo em que vivemos, tudo tem ascensão e queda. Chegou a vez da derrocada e extinção do político profissional. Pena que sobraram alguns ainda. Nunca foi fácil eliminar uma praga de forma completa. Sempre sobram alguns parasitas resistentes aos defensivos. Que maravilha!

A bacanal partidária que até nestes dias vigorava, sempre esteve escorada em três pilares: cargos públicos - verbas orçamentárias - negociatas corrompidas. Quem poderia imaginar que as redes sociais um dia poderia ter tanta força? Nada se faz em segredo nos dias atuais. Sempre tem uma câmara registrando a cena ou gravando a conversa. Propaganda enganosa não elege mais ninguém! O povo, usando um aparelhinho celular acabou desnudando as mentiras sistemáticas da esquerda retrógrada. Vivemos dias em que os miseráveis se transformaram em pobres e os pobres devedores das financeiras. São créditos fáceis, mas garantidos pelo desconto direto nos salários. Já os ricos ficaram milionários.

"No mundo em que vivemos,

tudo tem ascensão e queda"

Desde os tempos de Maria Antonieta o povão é enganado com migalhas. É bom, é muito bom ver o ocaso de Lula e seus porres escandalosos. O episódio do mensalão abriu as portas para um processo irreversível de mudança. A caneta e a coragem do juiz Sérgio Moro abriram os olhos da nação brasileira. A ladroeira institucionalizada foi revelada ao povo. Agora não adianta candidatos inventarem propagandas sofisticadas e milionárias para se verem vencedores em disputadas políticas.

O povo sabe a verdade, tem um aparelhinho no bolso e dissemina a informação. Desqualificar ou desestruturar o adversário com mentiras já não funciona mais. Conchavos e coligações partidárias não representam mais a vontade popular. Aqueles políticos demagogos com discursos decorados serão uma espécie extinta muito em breve. Mas como a história comprova, eleitores fanáticos por teimosia e outros cegos pela carência de líderes, resistirão. Claro que estes ficarão na margem do bom senso, pensando em ser diferentes, presumindo-se mais inteligentes que todos.

Assim como ainda restam admiradores do caudilho Getúlio Vargas, é provável que passados mais de cinquenta anos também haverão de existir apaixonados pelo nosso atual presidiário pinguço. Mas, de qualquer forma, o país saiu vitorioso desta eleição! Começa um novo ciclo!        


14 Outubro 2018 10:00:00


(Foto: Divulgação)


Morei, em período muito curto, num apartamento. Antes de ali residir ganhei de um amigo um sabiá que ele criara desde filhotinho. Bichinho maravilhoso! Cantava o dia inteiro. Por isso pendurei a gaiola na sacada. Adorava ouvi-lo e permitir que os vizinhos também tivessem o mesmo prazer. 

No meio da tarde de um certo dia a campainha tocou. Era minha vizinha, solteirona que morava sozinha no apartamento ao lado. Pediu-me, sem qualquer cerimônia, se era possível colocar um panopor cima da gaiola, impedindo que o sabiá cantasse. Alegou que trabalhava no período noturno e que precisava dormir durante o dia. O canto do sabiá estava importunando seu soninho. No conflito da minha indignação com o bom senso, venceu o segundo. Levei meu querido passarinho para a casa de um parente.

Por quê conto isso? Para falar de vizinhos. Existem vizinhos simpáticos, prestativos e educados. São pessoas que não perturbam ninguém.

Mas tem vizinho para todos os gostos e calibres. Alguns têm atitudes chocantes e bizarras.

Outros têm esquisitices estranhas e até mesmo engraçadas. Invejosos? Deste tipo tem bastante. Vivem de olho na vida dos outros, fiscalizando se comprou uma geladeira nova, um televisor de duzentas polegadas, se comprou um carro zero. E lá vem comentários desairosos: "Onde arruma tanto dinheiro? Aí tem coisa!".

Vizinhos há que nos dias menstruados não dizem bom dia pra ninguém, ao passo que em outros dias apresentam-se sorridentes como se tivessem ganhado a megasena.A convivência não se torna nada fácil. Vizinhos fiscais são os que mais tem. Olham tudo, regulam tudo, vivem delatando pequenos deslizes para o síndico. Daqueles que levam uma lista de reclamações nas assembleias do condomínio. Vivem incomodados com os tamancos da vizinha de cima, da algazarra das crianças dos moradores do lado direito, do latido do cachorrinho do apartamento do lado esquerdo.

Sendo vizinho de rua tem alguns que reclamam porque a rua tem lombada e reclamam porque não tem. Já vi vizinho reclamar do cheiro da churrasqueira da casa limítrofe, do barulho do portão da residência da frente, da gritaria na piscina da mansão da esquina. E os folgados? Aqueles que colocam o saco do lixo na tua lixeira, que a cada passo pedem emprestado uma ferramenta, que quando viajam te escalam para ser vigia da casa dele.Chatos? Bah! Dessa espécie achamos aos bandos, não só na vizinhança. Vizinhas pidonas, fofoqueiras, reclamonas, briguentas, pilantras.

Tive um vizinho metido a astrólogo. Cortava meu caminho para me dar conselho e anunciar catástrofes. Sabia até o bicho que ia dar. Nunca acertava, não tinha nada a ver! Tem até casais sem vergonha afrontando os vizinhos com demonstrações de fogosa sexualidade. Tem tudo. Vizinhos amargos que sempre estão de mal com a vida. Chorões que se queixam que pra ele nada dá certo. Agora, façam-me um favor: reclamar do canto de um sabiá só pode ser coisa de gente rabugenta e intrigada com o mundo!



30 Setembro 2018 13:36:00

"O mundo ta chatoooooooo demais! Parem de problematizaaaaaar tudo!" 


(FOTO: DIVULGAÇÃO) 

Eu fiz um boneco de neve. Uma feminista passou e me perguntou porque eu não fiz uma mulher de neve. Eu fiz uma mulher de neve. Minha vizinha feminista reclamou do perfil voluptuoso da mulher da neve dizendo que ela ofende as mulheres da neve em todos os lugares.

O casal gay que mora nas proximidades teve um ataque de raiva e protestou, porque poderiam ter sido dois homens de neve. Um transgênero da outra rua me perguntou por que não fazia um boneco com partes removíveis.

Os veganos no final da rua se queixaram do nariz de cenoura, já que os vegetais são comida e não para decorar bonecos da neve. O cavalheiro muçulmano do outro lado da rua exige aos berros que a mulher da neve use uma burca.

A polícia chega dizendo que há uma denúncia anônima contra mim, de alguém que foi ofendido pelo meu racismo e discriminação, porque os bonecos são brancos. A vizinha feminista reclamou novamente que a vassoura da mulher da neve deveria ser removida porque ela representa as mulheres em um papel doméstico de submissão.

Um promotor chegou e ameaçou me processar se eu não pedisse desculpas públicas pelo maldito boneco de neve. A equipe de jornalismo da TV apareceu. Eles me perguntam se eu sei a diferença entre bonecos de neve e mulheres de neve. Eu respondo: as "bolas de neve" e agora elas me chamam de sexista. Estou no noticiário como um suspeito, terrorista, racista, delinquente, com tendências homofóbicas, determinado a causar problemas durante o mau tempo. Estou passando por tudo isso por causa dos malditos bonecos de neve! Quem mandou fazer a p... dos bonecos de neve? Estão me perguntando se eu tenho um cúmplice. Ou se alguma organização me incentivou a fazer os bonecos, nas redes sociais. Os manifestantes da extrema esquerda e da extrema direita, ofendidos por tudo, estão marchando pelas ruas exigindo que me decapitem.

Os comunistas marcham em frente à minha casa acusando-me de ser neonazista. As feministas me xingam e pintam a fachada da minha casa com a palavra "machista". Os evangélicos me acusam de querer usurpar o lugar de Deus, por criar um homem e uma mulher de neve, e querem me exorcizar, dizendo que eu realizei um ritual pagão.

Organizações ambientais me acusam de poluir a neve. Moral da história: não há. É apenas o mundo em que vivemos hoje - e vai piorar. O que foi aqui narrado pode ocorrer, e algumas coisas já estão acontecendo. De tudo isso, a coisa mais difícil de acontecer é nevar em São Paulo. O MUNDO TÁ CHATOOOOOO DEMAIS! PAREM DE PROBLEMATIZAAAAAR TUDO! (Autor desconhecido) 


23 Setembro 2018 10:00:00
Autor: Carlos Homem

Na hora de votar vale mais uma análise fria do candidato que optar só pela própria ideologia


(Imagem: Divulgação) 

Tenho visto nas redes sociais alguns conflitos de opiniões sobre as preferências políticas de cada um. Na medida em que as eleições para a escolha de um novo presidente se aproximam, os bate-bocas vão se tornando mais acalorados.

Alguns até mesmo mais extremados e atrevidos. Essa zoeira histérica e emburrecedora das redes sociais mostra o comportamento radical de algumas pessoas que não é nada fácil compreender. Ninguém jamais poderá encontrar lógica na ideologia das pessoas. Há quem justifique, até hoje, as atrocidades cometidas por Hitler, e há quem use orgulhosamente uma camiseta com a estampa de Che Guevara.

Talvez nem saibam quem foram tais personagens. Monstros transformados em heróis pelo tempo. Aí, quanto mais discutem, mais radicalizam suas convicções. Aliás, deixam de ser convicções e passam a ser teimosias. Não há nada mais importante do que termos a coragem de pensar contra nossas convicções, diria Nietzsche. Uma verdade absoluta em tal pensamento.

Ter medo do contraditório é uma comprovação do nosso primitivismo mental. Por tais fraquezas é que, sendo vascaíno me recuso a reconhecer que o Flamengo jogou melhor, nesta ou naquela oportunidade. Pertencendo a esta ou aquela agremiação político partidária, não aceito admitir defeitos nos meus candidatos ou atributos nos adversários.

Uma coisa mais ou menos parecida com as crenças religiosas. Acredito porque quero acreditar. Tenho fé porque me ensinaram a ter fé. Não duvido porque tenho medo de questionar. De pecar pela dúvida! Nada pode ser pior que o medo de pensar diferente. Ou a covardia de rever suas próprias convicções. E argumentos burros, escorados na teimosia, na autoestima, na vaidade, são abraçados por pessoas de todos os níveis. Discursos prolixos recheados com firulas pobres. Sejam de professores, advogados, intelectuais, pessoas polidas ou toscas. Lamentável.

Não é apenas a fome que mata o corpo. A radicalização teimosa, sem a coragem de rever nossas convicções, mata também nossa individualidade. Por isso os bate-bocas ficam restritos a dialética irônica, esquecendo-se os antagônicos que as palavras são arbitrárias, convencionais, enganadoras. É preciso cautela para distinguir na palavra o seu caráter ambíguo do falho. Sim, porque é uma tolice alguém autodenominar-se da esquerda, da direita, do centro, socialista, comunista ou outros "istas". Rotular-se doutrinariamente nestes dias, muitas vezes com fanatismo, é uma atitude babaca. Na hora de votar vale mais uma análise fria do candidato que optar só pela própria ideologia.



16 Setembro 2018 09:00:00



Não é novidade nenhuma e todos já viram ou ouviram a mesma história. Os pais, depois de anos de luta e trabalho, seja em atividade liberal ou em pequenas atividades comerciais, criam e educam seus filhos. Dão-lhes um curso superior à custa de muito sacrifício. Aí, então, o jovem, agora formado em qualquer profissão, enche-se de idéias luminosas. Resolve mudar aqui, reformar ali, incrementar acolá. Em tais circunstâncias nem poupam comentários como: "o pai está superado", "os velhos estão vencidos", "as coisas hoje não podem ser administradas dessa forma", e vai por aí a fora, quando não dizem, sem muita cerimônia, que o "velho está gagá". São os ilusionários gestados pela inexperiência. Como portam credenciais de filhos, acabam convencendo, ou coagindo, os pais a modificar aquilo que até ali os sustentou e educou.

Vencem a resistência e a cautela dos mais velhos que se curvam muitas vezes para evitar conflitos domésticos. Pronto! A coisa começa a degringolar. Aumentam as despesas, investem em aparências supérfluas, arriscam em projetos, aventuram-se em temerárias experiências. Nem percebem que entre a prática e a teoria há uma astronômica distância. Na maioria nem são capazes de calcular o custo na aquisição e projetar o preço das vendas. Não é raro ouvir filhos dizerem: "O pai é burro!". Só que o sabido, via de regra, em seis meses enterra a atividades que até ali manteve todos os da família. E também dos empregados. Claro, administrar despesas é muito fácil!


"Não é raro ouvir filhos dizerem:

'O pai é burro!'"


Difícil mesmo e produzir rendas e recursos. Também por esta razão primeira é que na administração pública os entes, quase todos, quebram. O administrador público, como o jovem novel na administração privada, não tem preocupação com produzir fontes de recursos. Apenas autorizam despesas. Navegam em águas ilusórias! Tolos é que são. O mundo é pródigo em contingências e imprevistos que não dependem da exclusiva vontade de cada um. Não se administra nem um boteco de banana confiado apenas nos instintos.

Muitas vezes, lastreados em empréstimos bancários, investem em ideias imaturas ou irracionais. Afundam aquilo que custou anos de trabalho. Pecam pelo voluntarismo. Não se dão conta que em qualquer novo empreendimento surgem os tropeços da falta de mão de obra qualificada, de uma legislação trabalhista onerosa e anacrônica, da sanha voraz dos fiscos, da cruel aplicação do rigor das leis por entidades exóticas que se intitulam protetoras disso ou daquilo, da ditadura funcional pública que vê no empresário um inimigo do Estado. Jovens com liderança e arrojados são necessários sempre e em qualquer lugar. Mas sem a presunção de que são mais sabidos que aqueles que os educaram.



09 Setembro 2018 11:15:00


(Foto: Divulgação)


Ajoelhou? Tem que rezar! Este era um provérbio repetido sempre pelo animador televisivo Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Pois me parece que o país está de joelhos, só lhe restando a opção de rezar. Nenhuma das instituições brasileiras, como nenhum dos seus três poderes inspiram qualquer confiança. Apodreceu tudo! A classe política, cética e acovardada, assiste passivamente a sua destruição sem esboçar uma reação.

A ordem é salvar seus mandatos e espaços na administração pública, entupida de parentes e afilhados. Então, nestas horas que se aproximam da escolha de um novo presidente do país, o negócio (e é negócio mesmo) está no fazer acordos, coligações, acertos espúrios, sempre com o discurso descarado e hipócrita da "governabilidade" e do "melhor para o país". Os políticos andam perambulando entre os destroços das explosões causadas pelo Ministério Público. Este, por sua vez, vem extrapolando das suas funções, metendo o bedelho em tudo, criando mais embaraços e dificuldades do que soluções. Chegam a autodenominar-se de "Quarto Poder". Neste particular o candidato Ciro Gomes, que não é o meu, penso até que esteja certo. Tem que recolher essa gente para "dentro das suas caixinhas".

Hoje a política está tão criminalizada que a presunção de inocência deu lugar para a certeza antecipada da culpa.

O Legislativo, porque não consegue chegar num consenso sobre qualquer assunto mais relevante, transfere para o Judiciário a solução dos impasses, transformando-o numa terceira câmara legislativa. Então o judicialismo é que resolve tudo. Decidem como querem, ao sabor do momento, sem qualquer obediência às suas funções constitucionais. Daí a balbúrdia legal tomou conta. As sentenças judiciais destes dias, via de regra, não dão a mínima importância para os dispositivos expressos nas leis. 

Decidem como "acham" que deve ser, seguindo sua própria ótica do problema, mandando os disciplinamentos legais às favas. Pior, um simples enunciado, provimento, súmula, ou seja lá o que for, simplesmente tornam morta a letra expressa da própria constituição.

Preocupante, muito preocupante este esgarçamento total da ordem legal. Ninguém tem segurança jurídica para nada. Aquilo que valia ontem, hoje não vale mais. Cada magistrado adota para às suas decisões sua própria processualística. As regras que estruturavam o cotidiano se esfrangalharam.

As autoridades conclamam à ordem, mas são incapazes de reinstituí-la. Este estado de coisas alimentou o desencanto do povo em relação a tudo e a todos, transformando num aglutinador de insatisfações difusas. Estamos de joelhos. Só resta rezar!



26 Agosto 2018 12:00:00
Autor: Carlos Homem

foi preciso um caminhoneiro vir aqui para nos ensinar?


(Ilustração: Divulgação) 

Ele foi um excelente contador. Não gostava que o classificasse assim. Preferia dizer que era um técnico-contábil. Um profissional dos melhores que conheci nessa área. Também foi uma figura singular. Mas não era nessa atividade de "guarda-livros" que se sentia feliz. Sua vocação mesmo estava no volante de um caminhão. Tinha o tipo inconfundível de um caminhoneiro. Camisa aberta no peito, roupas bem simples, fala truncada, barriga saliente, barba sempre por fazer.   

Alternava tais atividades trabalhando mais ou menos um ano e meio a dois anos em cada uma. Tinha uma veia espirituosa que dava graça a flagrantes do cotidiano. Numa ocasião, ao lhe ser apresentada sob cobrança uma nota fiscal de serviços feitos no seu caminhão, disse ao proprietário da oficina: - Não vou pagar! O homem surpreso pela negativa quis saber o porquê. Ele então, pegando uma folha de papel e uma caneta, sentou ao lado da mesa e argumentou: - Veja bem! Se eu lhe pagar, o senhor vai sair daqui para ir trocar o cheque no banco. Vai furar o sinal e ser multado. Inconformado vai discutir com o guarda e nervoso vai falar besteiras. Será conduzido para a delegacia, tendo que ligar para um advogado. Nessas alturas toda a sua família já foi acionada. Sua pressão sanguínea vai disparar e um médico deverá ser acionado. Já imaginou quanto vai custar tudo isso? Melhor eu não lhe pagar que o senhor vai sair no lucro.  

Outra vez, chegando no Rio de Janeiro num sábado a tarde foi até a empresa destinatária da mercadoria que transportava para descarregar. Assim foi feito. No momento de receber o frete o gerente da empresa informou que ele teria que esperar até segunda-feira. Isso porque, segundo argumentou o gerente, a empresa não tinha na sua contabilidade a conta caixa. Não faziam nenhum pagamento em dinheiro. Só tinham conta bancos.

Tudo era pago com cheques. Uma norma que facilitava o controle e fiscalização. Ele com muita calma perguntou: - Mas o senhor tem dinheiro no cofre? Tenho. - Então vamos fazer o seguinte: O senhor emite um cheque nominal e cruzado no valor do frete, eu endosso o cheque, o senhor troca para mim e me dá o dinheiro. Eu vou embora! Na segunda-feira o senhor deposita esse mesmo cheque na conta da empresa. O cheque vai entrar como dinheiro na conta bancária porque tem fundos e sair o débito como pagamento.

O gerente ficou de queixo caído. Chamou o funcionário encarregado dos pagamentos, pediu que ouvisse o motorista. Daí perguntou: - Isso pode ser feito? Pode, respondeu o funcionário. O gerente já mostrando destempero, desabafou: - Quantas vezes tive essa dificuldade que nunca foi possível resolver? Foi preciso um caminhoneiro vir aqui para nos ensinar?



18 Agosto 2018 08:30:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Tomei uma decisão heroica no dia nove (quinta-feira) deste mês de agosto. Duelei contra o sono, mas assisti o debate dos candidatos à presidência da república na tevê Bandeirantes, madrugada a dentro. Um ato de inegável heroísmo ver aquilo. Nada de novo! Um festival de mais do mesmo.

Álvaro Dias, com a aparência facial sucateada limitou-se a pegar uma carona na fama do juiz Sérgio Moro, dizendo três ou quatro vezes, temerariamente, que vai convidá-lo para seu ministro da justiça. Ciro Gomes, achou outro filão eleitoral, se é que isso vai dar resultado, disse com sua facilidade no verbo, que vai tirar 63 milhões de inadimplentes do SPC. Como? Não explicou. Penso até que cometeu um crime eleitoral em rede nacional ao oferecer tal vantagem aos eleitores.

Jair Bolsonaro, descaracterizado, ficou naquela conversa de capar quimicamente os estupradores e de permitir uma espingarda para quem quiser defender-se por conta própria. Geraldo Alckmin, com aquela cara de "picolé-de-chuchu" me fazia lembrar os tempos de ginásio quando íamos fazer provas. Tudo decoradinho! Esnobou dados. Pra fugir das explicações sobre os conchavos políticos que firmou com uma gangue de caciques viciados e corruptos, só repetia que devemos fazer uma reforma política.

"TEREMOS MAIS UM GOVERNO IMPROVISADOR. NÃO PODE DAR CERTO!"

Marina Silva, usando um modesto colarzinho indígena e aquela voz que em nada lhe ajuda, repetiu pela enésima vez que vai cuidar da transposição do rio São Francisco e consultar sob plebiscitos as soluções para os problemas mais tormentosos como é o caso do aborto. Usou aquele mesmo discursinho rançoso do PT da "administração participativa" que deu no que deu. Cabo Daciolo (de onde veio aquilo?) no melhor estilo das campanhas para vereador dos fundões do país, falando bobagens, bramindo com a bíblia, invocou em vão o nome de Deus a todo instante.

Pena que Deus não tenha pedido o seu direito de resposta. Folclórico! Ridículo! Guilherme Boulos só batia nos outros. Contra tudo e contra todos! Atrevido, como já tem fartamente demonstrado, espumava uma raivinha particular. Uma metralhadora giratória de impropérios. Não acrescentou nada! Finalmente, Henrique Meirelles comprovou que política não é mesmo a sua lavoura. Mal articulado, com problema na dicção e gesticulação robotizada, ficou naquela de dizer que por ter sido banqueiro credencia-se para o mais alto cargo.

Todos abusaram do pronome pessoal na primeira pessoa do plural para disfarçar a falta de modéstia: "Nós" vamos fazer, "nós" vamos mudar, "nós" isso e "nós aquilo. Promessas abundantes, fáceis e inexequíveis, como sempre. Resumo do debate: Uma desgraceira! Não valeu o sono perdido. Estamos com os burros n'água! O Brasil vai eleger, de novo, um presidente sem projeto, sem proposta de governo. Teremos mais um governo improvisador. Não pode dar certo!


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