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Do bem!

Carlos Homem


(Foto: Divulgação)/

Acredito que seja uma espécie de prazer ao avesso. Ou mesmo de curtir o gostinho de nadar contra a correnteza. Sei lá! Nem mesmo Freud com todas suas escavações na alma das pessoas descobriu isso. Uma esquisitice que me leva a sofrer ataques e humilhações frequentes.

Muitos, ou para ser mais exato, os poucos que se dão ao trabalho de ler estas minhas maluquices das sextas-feiras, vão rir. Com certeza torcerão as bocas em nojinhos, apontarão suas unhas compridas e com sujeirinhas, compartilharão comentários engraçados, ódios impessoais e modernos. Tô me lixando! Não sou uma pessoa do bem. Não tenho essa marca mais cara e mais importada dos últimos tempos. 

Não tô nem aí para essa gritante necessidade de ser reconhecido como "do bem". Esse status do "sou do bem" e ter opinião extrema do bem sobre tudo, não me cativa.

Sim, sou um pensador extravagante e não comerciante. Não preciso agradar para vender. Muitas vezes acho que sou uma espécie de varanda ou sacada dos prédios que só servem para depósito de coisas inúteis!

A quase unanimidade das pessoas, na maioria das vezes, não tem a menor ideia do que estão falando, mas copiaram a opinião daquele colunista do bem e "pá" na cara da gente. Repetem, sem pensar e só porque têm boca, os guichês do bem que todo mundo repete. Daí, se você é humano e está abraçado a qualquer honestidade existencial, tá fora do jogo.

Tenho horror, como exemplo, das perguntas pessoais. Que diabo? Por que querem sondar minha vida? Quando me fazem tais perguntas faço aquela cara de tirar carnegão no vivo. Que merda! Por qual razão devo informar, de graça, como estou me sentindo, qual a minha idade, onde moram e o que fazem meus familiares, se já estou aposentado,e o diabo que os carreguem!

Daí, nessas horas é que me divirto ao reverso. Minto sobre tudo. Digo que estou me sentindo muito mal, quase na extrema unção, quebrado, que trabalho feito um escravo africano, que tenho muito mais idade do que aparento. Que vão especular o capeta! Já penso bastante em mim mesmo e isso me ocupa o suficiente. Não sou do bem!

Afinal, perguntam por quê? Se estou mal não vão me ajudar, e se estou bem, vão querer pedir ajuda. É a regra interesseira do bicho humano. Na verdade, invejo apenas como vivem as crianças. Elas não possuem passado, nem futuro. Possuem apenas a razão para aproveitar e gozar o presente. Não se lhes dá conceituar o "ser do bem" ou o "ser do mal". Vivem apenas!

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