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Ocaso

Quem eram mesmo aquelas criaturas conhecidas até há pouco tempo denominadas como advogados? Ora, eram homens e mulheres que andavam sempre bem vestidos e que falavam bonito. Salto alto e gravata empinavam tais defensores do direito. Escudados no título de "doutor", embora não fossem, olhavam os mortais comuns de cima para baixo.

Falavam um 'juridiquês' empolado, cheio de uma terminologia forense, deixando os leigos com a impressão de que existia um idioma próprio para aquela casta. Porém, líderes broncos e semianalfabetos permitiram a criação de incontáveis cursos de direito em cada biboca do país. Dezenas de milhares de novos bacharéis então se formaram, entupindo o mercado. Em breve, com a extinção do exame da ordem, vai duplicar o número de causídicos. Aliás, exame mesmo para qual e que Ordem?

Depois, como se tudo fosse parte de um plano diabólico, foram criadas leis permitindo que as pessoas movessem processos judiciais sem a presença de advogados. Faceiros com tal facilidade, os litigantes, mormente em pequenas cidades, já não procuravam mais advogados. Inventaram os tais aplicativos e ninguém mais precisou de aconselhamento jurídico. E advogados ainda existem que alimentam a ilusão de cobrar consultas! Mas, nessa trilha, veio ainda o pior. Quem possui o poder de fixar os honorários dos advogados, mesmo diante da lei que estabelece limites mínimos, o fazem em parâmetros irrisórios.

Tudo com amparo no famigerado princípio da razoabilidade que avilta o ganho alheio. Dizem que honorários vem de "honor" que significa honra. Honra? Quá, quá, quá, foram todos desonrados! Mas, também o crepúsculo desse poder é latente. Com a criação do processo eletrônico, os computadores julgam sozinhos. Como consequência, as estagiárias prolatam "sentenciárias". Os robôs interpretam as leis! Advogado, hoje, pode até ser inepto.

Basta saber digitar números quilométricos de processos e transcrever jurisprudências que existem para todos os lados e circunstâncias. São muletas mentais convenientes! Se o Tribunal X disse, então está dito! Pensar tornou-se uma tarefa cansativa! Vamos pelo mais fácil. Por derradeiro, para desmoralizar a justiça, inventaram o juizado de pequenas causas.

Aquele que garante ao velhaco o direito de não pagar seus compromissos. Aquele mesmo que diz ao credor: "É melhor ir recebendo aos pouquinhos do que nada!" Só que o caloteiro, com tal estímulo, não paga nem mesmo o pouquinho! Chegamos no ocaso do direito e dos seus operadores

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