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Dinheiro e Beleza


(Foto: Divulgação)


"Um lugar onde ninguém possui nada, mas todos são ricos." Já imaginaram um lugar assim? Só mesmo na Utopia de Thomas Morus.

Deixando de lado o sonho daquele pensador inglês, nestes dias atuais é imprescindível ter posses para ser alguma coisa. Ser alguém entre muitos. Tendo-se dinheiro, não precisa mais nada. Nem mesmo saber comer com garfo e faca! O dinheiro maquia qualquer cascudo!

Porém, aqui na minha gigantesca ignorância, penso que há outro patrimônio muito mais injusto e cruel que maltrata nossa entorpecida humanidade. Um atributo natural chamado beleza. A beleza é aleatória e congênita. Pura sorte de quem nasce com ela sem fazer nenhum esforço.

Ao contrário do dinheiro, que pode ser ganho com trabalho ou com artimanhas nada éticas, a beleza não tem jeito. Nasceu feio vai morrer feio. Pode disfarçar, cortar o que está muito grande, acrescentar o que está pequeno, cobrir com camadas de cosméticos um defeitinho aqui, entupir com cremes ali, matajuntar rugas, esticar pelancas, implantar, fazer o diabo. Não adianta, feio é feio e estamos conversados! Pode até ficar bonito por algumas horas, mas tomou uma ducha, a beleza se esvai pelo ralo.

Um pobre que tenha sucesso na sua atividade e se esforce muito pode até ficar rico. Agora, uma criança que venha ao mundo com orelhas do Dumbo e dentes do Pernalonga vai morrer feinha como nasceu. Pode remendar e recauchutar como quiser! A própria natureza, com o tempo, cobra a reforma e a criatura churinga toda. Uma coisa bem ingrata isso.

Posso pedir dinheiro emprestado para um amigo, mas não tem como usar por uns tempos uma barriga tanquinho ou olhos azuis que não me pertencem. Bah! Fico chateado! Bem que poderia alugar uma cabeleira vasta e crespa, tipo Antonio Banderas! Não, peruca não vale! Homens e mulheres bonitas deviam ser proibidos de circular por aí. É injusto. Por onde passam semeiam angústia e inveja.

Uma pessoa bem rica e velha se souber aplicar seu dinheiro ficará mais rica ainda. Para a beleza, porém, não existe aplicação. Nem dá mesmo para estocar botox e silicone! O dinheiro, ao longo dos tempos foi sendo distribuído, mas a beleza, ao contrário sempre concentrou-se. Os belos são idolatrados, cobiçados, ocupam as vitrinas sociais. Homens e mulheres bonitos, atraentes, galgam posições sociais, muitas vezes, sem mesmo serem capazes. Agora, se a criatura humana não tem dinheiro e é feia, aí então a coisa é bem complicada!

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