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Responsabilidade


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Um ministro do Supremo Tribunal precisa ganhar bem. Afinal, seus rendimentos devem ser de acordo com a natureza da função que exerce. Além da responsabilidade em julgar processos sob recursos derradeiros. 

Péra aí! Responsabilidade? Será que um ministro do Supremo Tribunal tem responsabilidade maior do que a de um motorista de ônibus? Piloto de um Boeing ou maquinista de um trem? De jeito nenhum! Mas suas excelências pertencem a uma casta nobre. Resquícios saudosistas e rançosos do Brasil Império.

Não seria justo um salário igual aos da ralé. Aliás, existe um princípio calvinista que diz que a entrada no céu custa caro exatamente para manter a ralé do lado de fora.

Um piloto de um Boeing tem que estudar muito, conhecer dados técnicos, fazer treinamentos, possuir excelente saúde. Um ministro basta ter um pistolão corinthiano, ainda que tenha sido reprovado em concursos. Fazer o quê? A natureza não é igualitária em seus dons e suas dádivas, tampouco em suas misérias.

"A deusa Thênis tem que tirar aquela venda dos olhos com urgência"

Temos que nos conformar! Um homem que tenha um pouco de erudição, seja verboso (ou seboso), pretensa sabedoria, axiomas definitivos, amizades oportunas, frases de efeito, tais quais condena nos outros, consegue enganar bem e a quase todos. Os vira-latas inconformados, assim como eu, ficam apenas latindo para a Lua e abanando  o rabo com docilidade subserviente. 

A responsabilidade mesmo está intimamente ligada a uma gestão ética e transparente que uma organização qualquer, seja ela qual for, deve ter com suas partes interessadas.

Mas, quando um país fica à deriva num oceano revolto de tantas decisões conflitantes, aprisionado ao humor do julgador naquele dia, dá uma coisa ruim. E põe ruim nisso!

Um motorista, maquinista ou piloto, responde criminalmente pelas imperícias eventuais que venha a cometer. Ainda, seu empregador arca com os danos materiais e morais daquele ato imprudente ou negligente.

Quem, então, responde pelos ministros da mais alta corte de justiça deste país por legislarem sem atribuição legal, por soltarem bandidos, por darem o mau exemplo a todos os brasileiros?

A lei é igual para todos, diz o preceito constitucional. Bobagem! Não existe coisa mais desigual. A deusa grega Thêmis tem que tirar aquela venda dos olhos com urgência. E aferir com o Inmetro a sua balancinha viciada. A justiça não está acima das paixões humanas como ela pretendia! A responsabilidade não alcança os deuses do Olimpo Federal.

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