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Verdades?

Acredito aqui na companhia da minha ignorância, que passamos pela vida inteira enganados por algumas idéias, e de alguns poucos. Normalmente são ou foram visionários. Quem sabe até malucos! Criaram, na sua maioria, algumas crenças ou superstições e as defenderam com tamanha argumentação que a humanidade adotou-as como verdadeiras e absolutas. Por isso, talvez, a relação conflituosa da nossa espécie com a verdade.

Tudo teve inicio quando o homem, a partir do momento em que adquiriu a inteligência, teve a percepção de que todos morrem. Aí, alguém metido a sabido resolveu dizer "não é bem assim, existe vida após a morte". Como somos todos agarrados na vida, e ninguém quer morrer, uma idéia dessas nos conforta. Então é melhor acreditar nisso. Ora, pensamos nós com a nossa presunção, não é possível que tenhamos o mesmo fim de um cachorro.

Tem que existir uma prorrogação do tempo regulamentar depois que batermos com a cola na cerca. Não podemos aceitar que acabe tudo empatado, sem chance para os pênaltis. Se somos inteligentes é porque somos imortais. Como é bobo o tal de bicho humano! Mas no nosso interior sempre permanece a dúvida. Os sinais que a natureza nos mostra fazem com que cada vez mais duvidemos daquilo que nossos antepassados nos ensinaram.

Então lidamos sempre com a verdade ou fugindo dela. Como exemplo, vejamos as relações amorosas. Essa conversa fiada de que "eu vou casar com você" deve sempre ser analisada pela moça, já que, excitado, o rapaz tem muito pouco apreço pela verdade. Isto é um fato. Mas, se os fatos contrariam minhas crenças ou meus interesses imediatos, assim como a moça do meu exemplo, eu quero que danem-se os fatos.

Adoto o ditado popular do "me engana que eu gosto". Porém, não podemos passar pela vida aplaudindo idéias estúpidas como se fossemos focas amestradas. Se meu leitor acredita que fazer uma oferenda para Iemanjá, jogando uma garrafa de champagne no mar, no primeiro dia do ano, isso vai lhe trazer sucesso o ano todo, então, pelo menos jogue uma champange importada e cara. Aquele orixá vai dar o troco na mesma proporção. Se pinchar no mar uma cidra vagabunda, vai receber a benesse do mesmo valor. A recompensa é sempre proporcional ao esforço. Óbvio! Nessas coisas de crenças ou busca da verdade, a pior escravidão é a do medo de pensar. O medo de duvidar é a mais covarde!       

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