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Mulher bonita




Era só fazer um calorzinho e os jovens se reuniam ali. Local e ponto do agito nas noites curitibanenses. Sextas-feiras, sábados e domingos são mesmo os dias escalados para as baladas. Pois batia cartão ali a juventude no cumprimento do ritual que o vigor lhes permite.

Como só havia aqueles dois ambientes, um em cada lado da rua, o negócio era dar conferidas de vez em quando no Botinas Bar e depois no Dubai Bar. As moças mais desinibidas faziam então um desfile atravessando a Cel. Vidal Ramos daqui pra lá, de lá pra cá. Os rapazes, incansáveis e persistentes, iam também aqui e acolá dar aquela rápida olhadinha na busca de novidade e aferiam o plantel de mulheres. Atendiam o instinto natural da caça do macho reprodutor, ou impulsionados pelo "efeito Coolidge".

Foi quando, sem se saber de onde, apareceu ali uma gata deslumbrante. Segura de si, a cabeça erguida e confiante na sua beleza, ela caminhava altiva e sensual. Bem produzida. Transpirava autoestima. Um ar juvenil, embora não de adolescente. Trajava roupas apertadas e curtas que mostravam as curvas esculturais do seu corpo, mas sem traços ou trejeitos de periguete. Sóbria no vestir! Também não mostrava nenhuma tatuagem, carimbo da vulgaridade. A mulher solteira quando se enfeita e sai de casa tem um objetivo único. Marcar território!

E ela era bonita, muito bonita! Caiu o queixo da macacada. Quem é? De onde vem? Qual seria o parentesco? Os rapazes devoravam a moça com os olhos famélicos. As meninas ficaram erisipeladas de inveja. Qual ego masculino não se queda diante dos encantos de uma mulher bonita e elegantemente bem vestida? Mulher bonita é o capeta! Homem nenhum resiste!

Nada nela, porém, quebrava a simetria. Nem seios grandes demais ou siliconados, nem bumbum arrebitado, nem lábios volumosos, nem muito alta nem muito baixa. Sorria de forma comedida e acanhada. Tinha classe a moça! Uma mulher padrão, mas jovem e linda. E ela, como toda mulher que sabe que é bonita, refletia-se nos olhares curiosos e ávidos dos homens que por ali a cobiçavam. Curtia o prazer que a mulher bonita sente ao ver-se desejada. Mas mantinha-se discreta mostrando sua linhagem. Rapaz nenhum se sentiu com coragem de abordá-la. Frouxos! O homem acovarda-se ante uma beleza estonteante. Talvez por isso, a distância, contentaram-se com vê-la. Quem era ela? Muitas foram as versões, mas nenhuma com certeza. Apenas deixou sua marca naquela noite.


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