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OCO DO MUNDO

Nosso malabarista


(Foto: Divulgação) /

Sem se compreender exatamente o fenômeno, observa-se a multiplicação dos malabaristas de ruas nestes dias atuais. São espetáculos circenses fracionados e muito rápidos apresentados nas esquinas e enquanto os semáforos estão fechados. A rua, por sua natureza pública, é um espaço que pertence a todos. Daí esses malabaristas experientes ou diletantes se valerem da gratuidade do espaço. Não existe nenhum disciplinamento legal sobre tal atividade. Normalmente são jovens que abandonam suas famílias e cidades natais para se embrenham pelo mundo numa espécie de turismo aventureiro, catando alguns trocados aqui e acolá para sobreviverem. Os malabares são escolhidos ao gosto de cada um dos `artistas´. Aparece de tudo: argolas, bolas pequenas ou médias, clavas de vários formatos e cores, facões, tochas. Tudo manipulado com quase perfeita habilidade e precisão, seja a título de esporte ou de arte. O que vemos nas esquinas é o chamado malabarismo de arremesso e eventualmente de equilíbrio.

Pois bem. Fiz toda essa introdução para chegar num malabarista caseiro e específico. Acredito que ele, vendo esses forasteiros colhendo moedas a cada intervalo dos semáforos, depois de jogarem alguns objetos rodando de uma mão para outra, e as vezes para cima, aparando-os após com maestria, entendeu que também faria aquilo. Cada vez que o vejo não consigo separar o hilário do grotesco. Coitado! Não leva jeito nenhum para tal atividade. Nem tem equipamento próprio. Então ele improvisa com garrafas semi-cheias e alguns cabos de vassouras. Mais divertido é ver que nem ele mesmo consegue se equilibrar sobre as próprias pernas.

Deve engolir, presumo, uma caninha como estímulo para as suas apresentações. Joga um cabo de vassoura para cima e mesmo usando as duas mãos não consegue apanhá-lo na volta. Então junta com naturalidade, faz um trançar ébrio de pernas. Noutras peripécias ele tenta equilibrar encima do nariz um cabo de madeira que tem uma espécie de gato de pano marrado na ponta. É um sarro! O malabar cai, e com ele o malabarista! A graça está no ridículo. Daí, então, ele corre o chapéu entre os carros ali parados, esperando abrir o sinal. Eu o admiro! Achou uma forma de pedir esmolas, ou ajuda para sua pinguinha. Dia destes coloquei uma nota de 20 reais no chapéu dele. Notei o assombro nos seus olhos. Não acreditou naquilo, com certeza! Mas deve ter se convencido que ele é mesmo o melhor de todos! É feliz assim, acredito!

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