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OPINIÃO

Haja paciência

Começaram a bater boca no meio de todo mundo


(Foto: Divulgação) /

- Doutor, vou lhe contar desde o começo! Assim o senhor vai entender bem como é que foi o causo, certo? Pro advogado a gente deve falar a verdade, não é mesmo? Pois é, o cara viveu amontoado com minha "fia" por quase dois anos. Faltou um pouquinho pros dois anos. Acho que um mês, mais ou menos. Um sem-vergonha dos diabos! Viveu esse tempo todo nas minhas custas, na minha casa. Eu ganho pouco, vivo só da minha aposentadoria! Não quer nada com o serviço aquele deitado! Mas a fia dava ganja e protegia o `imundícia´. Fazer o quê, né doutor! Quando elas gostam desses "prá nada" não adianta o pai avisar. Ficam emburradas e embrabam com a gente. - Sim, mas o senhor está me procurando por quê?

- Calma doutor, já chegamos lá! Daí, então, a fia pra complicar mais ainda, pegou barriga. Daí ela começou a exigir que o cara casasse. Há de ver que o vadio ia aceitar! Começaram a brigar direto. A "muié", coitada, ficou sem dormir um tempão! Eu também comecei a encostar o jaguara na parede. Falei pra ele umas quantas "veis" que se ele não assumisse compromisso "no papel" com minha fia, ele que procurasse o seu rumo.

- Tudo bem, mas afinal o senhor veio aqui por quê?

- Tenha mais um pouco de calma doutor! Deixe eu lhe contar tudo primeiro. Então, como tava lhe dizendo, as brigas eram diretas. Eram desaforos e gritos pra todo lado! De tanto eu e a muié falar, o sem vergonha sumiu! Patife dos infernos! Ninguém sabia o destino que tinha tomado. Não pagou nem os remédios que tinha comprado lá na farmácia do bairro pra gravidez da parceira dele. Fico com vergonha de falar assim porque é fia, mas se ela tivesse me ouvido não tinha dado no que deu.

- Deu o quê? Houve alguma agressão?

- Já chego lá, doutor. Só mais um pouquinho! Como já contei, eu tive que pagar aqueles remédios que o vagabundo comprou na minha ficha. A gente é pobre, mas é honesto, o senhor sabe né, doutor? Então, pra encurtar o causo, faz poucos dias, a fia já de quatro "meis" encontrou com o sujeito numa rua ali do centro. Começaram a bater boca no meio de todo mundo. Foi aquela vergonheira, doutor! O prevalecido deu um tapa na cara da minha fia, mesmo sabendo que ela tá grávida, que derrubou a bobona com a cabeça no meio-fio da calçada. Abriu um lejo na cabeça dela! Ensopou a roupa inteira de sangue!

- Agora acho que entendi! Prenderam o cara, então?

- Não doutor! Ela não deu queixa! Ela gosta do malandro!

- Mas então...POR FAVOR! O senhor está aqui falando comigo POR QUÊ?

- Por nada doutor! Só pro senhor saber do causo. Uma encrenca desajeitada, não acha? - AHHH...BOM!!! Que sorte a minha! O senhor notou como eu sou um homem que tem um vagão de paciência???

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