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OPINIÃO

Chatices

'Mas ainda existe vida fora das festas natalinas'


(Foto: Divulgação) /

Pois é! Estamos, mais uma vez, naquela época de aguentar chatices. Dias em que aumenta consideravelmente o número de pessoas deprimidas, estressadas, mau humoradas, de saco cheio. Crescem ano a ano a quantidade de pessoas desgostosas que não se inibem em confessar que detestam essas festas natalinas. Nós, os mortais comuns, somos colocados compulsoriamente dentro de um esquema consumista. São lojas bem enfeitadas, músicas saudosistas e prá baixo, propagandas bem elaboradas. 

Ofertas irrecusáveis! A angústia nos ataca. A pressão para gastar é diabólica! Como enfrentar o aumento das despesas, do compromisso social e obrigatório de comprar presentes. Pior ainda, de presentear um estranho, que muitas vezes nem vamos com a cara do dito cujo, só porque alguém teve a infeliz ideia de inventar o tal amigo secreto.

Que coisa infame! Fim de ano, queiramos ou não, sempre nos vem àquele auto questionamento se atingimos o objetivo ou não. Aquela sensação de impotência, ou de incompetência, diante da nossa realidade e daquilo que havíamos planejado. Penso que o Natal é bom mesmo só para as crianças!

Um mundo de fantasias! Curtem os presentes e as guloseimas sem saberem exatamente quem se está homenageando, ou quem teria nascido nesta data. Natal e final de ano é quando encontramos pessoas que há muito não víamos, parentes chatos de aguentar, que se sentam à mesa farta e falam alto, que contam piadas sem graça nenhuma, que fazem gozações inconvenientes, que mentem contando vantagens aos montes. É uma tortura ter que responder as velhas e indiscretas perguntas: Tá trabalhando ainda? Verdade que teve o corona? Sofreu muito? Acha que o Bolsonaro tá dando certo? Sabe se o Tibúrcio já casou? Viu como a Gerúndia tá gorda? E a daí, vai viajar? Que saco.

Tem parentes que só mesmo enchendo a cara pra gente tolerar! O lado bom é que nos dias atuais as crianças já não fazem mais algazarra. Afundam as bundinhas nos sofás e com habilidade nos dedos ficam brincando com os celulares. Não estão nem aí para o tal de Papai Noel! Se o aniversariante do dia é Jesus, ou não!

E o tal costume de abrir os presentes? Que momento horrível! Afinal de contas, se já sei que vai aumentar minha coleção de chinelos, cuecas, meias e camisas, por quê não fazer isso com calma e depois? Mas, ainda existe vida fora das festas natalinas. Nem tudo é remédio pra azia! Então, vamos engolir aquele vinho vagabundo que o parente trouxe não sei de onde, fingir que é uma delícia e pronto! Um pouco de sacrifício para atender o mundo do "faz de conta" não é tão difícil assim.

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