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OPINIÃO

Direitos

'Essa doutrina dos direitos parece admirável, mas é ambígua e nos cega...'

Num determinado momento da minha vida, enquanto fui empregado de uma grande empresa, tive sob minha gerência um grupo de quinze pessoas. Numa ocasião, um dos meus subordinados, alegando que precisava resolver um problema pessoal, perguntou-me se podia dispensá-lo do serviço por um dia. Mas ele não queria descontar aquela saída do seu salário. Era casado, tinha filhos pequenos, vivia só daquele rendimento e qualquer desconto lhe faria falta. Concedi abonando-o, mesmo sem ter alçada funcional para tanto, a licença solicitada. Decorridos alguns dias, outro dos meus auxiliares pediu-me também um dia de folga. Já estava escorado no precedente. 

Por uma questão de isonomia também o dispensei sem descontos. Estava aberta a porteira! Todos os outros, com uma justificativa ou outra, também quiseram um dia de ausência remunerada. A maioria nem precisava, mas "adquiriram o direito". Não lembro, nas vezes em que foram necessários serviços extraordinários e fora do horário normal do expediente, que um deles tivesse se apresentado como voluntário. A convocação tinha que ser compulsória.

Talvez seja por essas lembranças que me insurjo contra discursos hipócritas dos que defendem expandir direitos a cada dia. Essa doutrina dos direitos parece admirável, mas é ambígua e nos cega para os reais dilemas na administração pública ou privada. Ao dizer que algo é um direito, estamos afirmando a obrigação que a sociedade tem de prover aquilo. De onde sairão os recursos ninguém sabe. Nem quer saber. Agora, se houver em qualquer atividade a imposição de "dever" de "obrigação", aparecem vozes de pseudos marxistas ou de comunistas alegres gritando que estão tirando direitos dos mais humildes.

Sempre com escudo nos mais carentes é que os parasitas protegem a si mesmos. Defendem que a partir do momento em que um direito não está sendo cumprido, ao invés de serem buscadas soluções é melhor procurar culpados. Esses filósofos socialistas são do tipo horóscopo: genéricos demais! Na atividade laboral o cacoete de somar direitos sobre direitos sem obrigações equivalentes é a herança nociva do populismo que Getúlio Vargas nos legou desde 1943.

Há quem afirme que a CLT foi inspirada na "Carta del Lavoro" do fascista Benito Mussolini. Trata-se de um depósito de leis sucateadas que não ajudam o trabalhador, mas que algemam e sacrificam o empresário produtor. Aliás, produzir riquezas tem tudo a ver com trabalho, originalidade, inteligência, capacidade e disciplina. Nada disso tem a ver com igualdade. Poucos serão sempre melhores que a maioria. A história mostra isso!

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