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OPINIÃO

'De um povo heroico, o brado retumbante'

Tatiana Ramos


A polêmica sobre a execução do Hino Nacional em escolas estava em todas as rodas de conversa e redes sociais durante esta semana. Uns defendiam, outros criticavam e, no meio da confusão, o "governo iô-iô" fez o que tem feito com bastante frequência nesses quase dois meses de mandato: recuou Ao longo de minha vida escolar, cantei muito hino e, honestamente, não vejo nada de mais em perfilar os estudantes em frente à bandeira e fazer uma homenagem a seu país. A execução do Hino está prevista na Constituição e, até onde meu conhecimento de leiga acompanha, não há nenhum impedimento - legal ou moral - para que essa homenagem seja realizada nas escolas. 

Por outro lado, repetir meia dúzia de versos cantados sem compreender seu significado tem alguma relevância? Fui uma criança até bem inteligente, mas, aos 7, 8 anos, não tinha a menor ideia do que era um "impávido colosso", um "lábaro que ostentas estrelado" ou um "florão da América". Cantava e achava bonito... Mas não entendia absolutamente nada sobre a história daquela letra que eu repetia. 

(Foto: Divulgação) /

Exatamente por isso, acredito que, antes de colocar os alunos em frente à bandeira para cantar o que quer que seja, é preciso conscientizá-los sobre esse gesto. Para os mais novos, é preciso, literalmente, traduzir os versos de nosso Hino de vocabulário e construção tão complicados. Seja obrigatório ou voluntário, o Hino repetido de forma vazia não acrescentará em nada na formação de crianças e jovens. 

Além disso, não consigo ser otimista a ponto de achar que o retorno do Hino Nacional às escolas estará contribuindo para uma geração mais patriota e cidadã. Na era da informação, as cabeças funcionam de forma muito diferente, há outra dinâmica de raciocínio. Cantar o Hino não vai minimizar o que essa geração conectada vê nos noticiários e nas ruas todos os dias: corrupção, desigualdades, violência de todos os tipos... É impossível amar um país no qual não acreditamos. Antes de qualquer coisa, é preciso resgatar a esperança e fazer com que os brasileiros acreditem em uma verdadeira mudança para melhor. Obviamente, isso não será conquistado da noite para o dia, mas começar a trabalhar nas prioridades poderia ser um bom começo. O Hino pode esperar. 

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