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O olho do vizinho


Nunca imaginei que um dia eu teria que admitir que o olho da vizinha fofoqueira me seria útil. Lembro de, na adolescência, no início dos anos 2000, ter praguejado todas as vezes em que eu chegava ou saía de casa e lá estava ela espiando através da sua cortina. Ela sabia exatamente a hora em que eu saía, com quem, o que estava fazendo e nunca deixou de passar um relatório para minha mãe. Mas como o "carrossel nunca para de girar", hoje, é bem essa vizinha e seus relatórios que me deixam segura em saber que minha mãe está "assistida".

Muito mais que espiar o que está acontecendo na vizinhança, estar atento significa mais uma garantia de segurança. Partindo do princípio de que moramos em cidades de poucos habitantes, mesmo que o dia a dia seja corrido e fiquemos pouco em casa, acabamos conhecendo alguns vizinhos, suas rotinas e, ninguém melhor que nós, para saber se há algo estranho acontecendo e que passaria despercebido por quem não é do local.

Neste sentido, foi criada a Rede de Vizinhos, que através do apoio da Polícia Militar tem resultado em diminuição da criminalidade de onde está instalada. Longe de criticar o trabalho dos agentes públicos, mas é notável que há mais trabalho que mão de obra e equipamentos, fazendo dessa parceria um segredo de sucesso contra a criminalidade.

Todos sabem as dificuldades financeiras que enfrentam para ter e manter os seus bens. Seja um carro de luxo ou apenas um celular, foi preciso esforço e dedicação para adquirir e, se eu posso ajudar meu vizinho a ter segurança, por que não fazê-lo? Somente jogar críticas destrutivas para o mundo é fácil, mas é passada a hora de assumirmos responsabilidades pelo bem comum, também. Usa-se tanto o termo "cidadão de bem", mas será que sabemos o que isso realmente significa? Talvez ser "de bem", possa começar a ser descrito como ter empatia e desejar ao outro, exatamente o mesmo que para nós. Cuidemo-nos!


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