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Quem tem postura não precisa de mordaça


"No mais, apenas criando um aparelho de mordaça". Essa foi a declaração do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as últimas manifestações polêmicas do presidente Jair Bolsonaro. Também ouvi, extraoficialmente, esta semana, que seria interessante extrair mais alguns dentes do presidente, para que ele ficasse mais algum tempo sem abrir a boca.

O fato é que Bolsonaro elegeu-se com declarações polêmicas e levou sua falta de noção rampa acima para o Palácio do Planalto. Há quem ache engraçado, pitoresco ou até defenda a falta de diplomacia do presidente, mas a questão é que seu modo de agir e falar vem causando constrangimentos e revoltas, inclusive fora do país, onde frequentemente o Brasil tem sido ridicularizado em manchetes que ironizam as falas do nosso chefe do Executivo.

(Foto: Divulgação) /

É claro que Bolsonaro - assim como qualquer pessoa - tem direito à individualidade de sua personalidade, crenças e opiniões, mas quando assumiu o posto de presidente do Brasil, queira ele ou não, perdeu o direito ao foro íntimo. Ao ser eleito e acomodar-se na cadeira de um cargo público, deixou de ser um cidadão qualquer e passou a representar toda uma nação. Agora, tudo o que faz ou fala tem uma repercussão muito maior, que ultrapassa as paredes de sua casa. Como presidente do Brasil, deve ter tato e cautela em seus pronunciamentos e ações, não só porque, a qualquer momento, pode causar um incidente diplomático que trará consequências a todo o país, mas porque, como homem público, deve satisfações ao povo.

O que Bolsonaro parece não ter entendido é que trocou sua liberdade de atos e declarações pela chefia do Executivo Federal. Já não há mais espaço para manifestações pessoais, porque, agora, ele representa um país. Esteja em seu gabinete, de férias na praia ou em um evento informal, ele é visto como presidente, não como Jair, não como capitão. O cargo que ocupa exige dele, 24 horas, sete dias por semana, uma postura de dignidade e vigilância, porque gafes no meio político costumam ter um preço alto. Na falta dessa postura, apenas criando um aparelho de mordaça.


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