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Como vai você?



A valorização da vida começa pelo cuidado de uma parte do corpo que pouco conhecemos. E não estou falando do coração. Nossa mente é quase um universo a ser desbravado quando o assunto é saúde. Pouco se fala sobre saúde mental, porque, por muito tempo, isso foi problema de louco. A questão, é que com o acesso mais facilitado a informações de qualidade, estamos nos conscientizando, cada vez mais, que nossa mente merece tanta atenção quanto nosso corpo. E isso tem acendido um alerta de que, cuidando da nossa mente, também conseguimos cuidar da mente de quem convivemos. 

A campanha Setembro Amarelo tem colocado em pauta a prevenção do suicídio, mas eu prefiro dizer que a ação dá espaço para falarmos sobre saúde mental. O tentado contra a vida é o último pedido de socorro de uma pessoa que enfrenta problemas mentais, mas, antes do suicídio acontecer, sinais demonstram que uma pessoa pode estar passando por dificuldades psicológicas. 

Cansaço e desânimo podem não ser uma simples tristeza, assim como a euforia pode não ser uma felicidade saudável. Faltas e exageros podem ser sinais de transtornos que desencadeiam um tentado contra a vida. É preciso saber avaliar o seu comportamento e, mais do que isso, o comportamento dos seus pais, dos seus filhos, amigos e familiares, para conseguir impedir que um problema mental tire a vida de uma pessoa.

Não há culpados. Mas podem existir heróis. Identificar um transtorno em alguém e orientar um tratamento médico é uma grande demonstração de carinho. Mas, para que isso aconteça, é necessário estar com a própria mente saudável para ser capaz de perguntar "Como vai você??, e ter ouvidos para escutar a verdadeira resposta; que nem sempre aparece na fala. Mas as pessoas andam sem tempo. Os filhos estão trancados em seus quartos, os pais em seus escritórios, os avós nos asilos e quase ninguém mais cuida de ninguém. Dói ler isso, eu sei, dói escrever, também. Mas se olharmos para além do nosso umbigo, essa é a realidade em muitos lares. Mas ainda há tempo para mudarmos. 

O romantismo do século XIX há de ter deixado algum ensinamento. Entrevistando a psiquiatra Juliana Giani sobre o tema, uma observação me chamou atenção. A especialista afirmou que tudo pode ser superado e, se há dificuldade em superar algo, há algum problema mental para ser resolvido. E quem não carrega alguma questão consigo, né?

Vícios, faltas, perdas, traumas,  desafios? Nossa mente pensa e absorve tanto que é claro que ela precisa de um escape. E não estou falando que todo mundo precisa de um especialista, às vezes, a fuga da mente pode ser uma boa conversa numa roda de amigos, um momento em uma banheira de ofurô, na academia ou uma viagem em família, mas, talvez, a melhor saída apareça na cadeira de um psicólogo, ou psiquiatra. 

Não importa a forma, o importante é buscar o seu melhor jeito de cuidar da sua mente, e saber dar o mínimo de atenção para a mente de quem convive ao seu lado. Estudos comprovam que nove em cada dez suicídios podem ser evitados. Então, vamos evitar. Se a cada três segundos uma pessoa tenta tirar sua própria vida, a cada um segundo vamos olhar com mais calma para quem está ao nosso lado. 

É preciso quebrar preconceitos que possibilitem que pessoas que precisam de acompanhamento médico sejam capazes de admitir que necessitam de ajuda, e que resolver uma questão mental não é coisa de louco, é ação de quem está vivo e quer viver. A melhor forma para conseguirmos isso é propagando conhecimento. Vamos falar sobre saúde mental, vamos ouvir nossos filhos, nossos pais, amigos, vamos buscar psicólogos, psiquiatras, trabalhar pelo equilíbrio entre corpo e mente. Vamos perguntar "Como vai você?", e vamos ouvir. Ninguém está sozinho.

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