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EDITORIAL

Ruas e discursos vazios

Por AS


(Foto: João Moraes) /

Mais um 7 de setembro aproxima- se e, em Curitibanos, como já aconteceu no ano passado, não haverá desfile cívico. Para celebrar a Independência do Brasil, desde 2018, a Prefeitura, através da Secretaria de Educação, investe em outras formas de comemoração, com programação diferenciada nas escolas, durante a 

Semana Cívica. A mudança agrada a alguns e desagrada a outros. Há quem entenda o desfile como uma tradição a ser mantida, uma demonstração de patriotismo e soberania. Para outros, trata-se de uma herança a ser esquecida, devido a uma lembrança nada positiva do período de ditadura militar. 

Independente de ideologias, é fato que o desfile cívico, ao longo do tempo, foi perdendo sua significação. Primeiro, a marcha - outro resquício do governo militar - foi substituída por uma caminhada, considerada mais adequada à democracia atual; depois, as fanfarras foram se modificando, incluindo, entre toques tradicionais, outros mais modernos, mas nem sempre interligados com o motivo do desfile; por fim, os desfiles ganharam temas, personagens, passaram a contar histórias que tiraram todo o enfoque do mote principal: a Independência.

Sem nenhum interesse ou motivação pelo contexto histórico que levou aos desfiles, a maior parte dos estudantes participava apenas por obrigação ou com a perspectiva do famoso "ponto na média". Por esse ponto de vista, a ideia da Semana Cívica parece mais eficiente, uma vez que se estuda, durante todo um período, sobre os fatos históricos que levaram à Independência e suas consequências, possibilitando que o estudante realmente assimile os conhecimentos e informações.

Apenas estar na rua, uniformizado, levando um cartaz ou uma bandeira, não faz de ninguém um cidadão - muito menos um cidadão patriota. O conceito de civismo vai bem além de datas e solenidades e deve ser vivido no dia a dia, através de ações concretas, positivas para a coletividade e que ajudem a transformar a realidade em algo melhor. Antes de defender desfile ou qualquer outro ato cívico, é preciso dar a ele um sentido. Discursos vazios e gestos ensaiados não convencem mais ninguém.


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