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EDUCAÇÃO

Detentos de Tijucas terão aulas de música

Prisão. Essa pequena palavra é responsável por longos e incontáveis debates em todas as esferas da sociedade. Todo mundo tem uma opinião para dar sobre os presos e como deveria ser uma cadeia.

Muitas pessoas afirmam que as prisões devem ter apenas o caráter punitivo. Prova disto é a dificuldade para obter-se algo simples: livros. Poucos são os que doam livros quando sabem que a destinação são os presídios.

Ao entrar na cadeia, os condenados passam a fazer parte de um submundo com regras próprias, dominado por facções, independentemente da gravidade da ação cometida.

Essa narrativa evidencia a realidade do sistema penitenciário no Brasil. Todavia, existem pessoas dispostas a transformar esta situação.

Enquanto a maioria dos países do mundo enfrenta problemas de superlotação no sistema carcerário, a Holanda vive a situação oposta: gente de menos para trancafiar. Nos últimos anos, inúmeras prisões foram fechadas. O motivo? Apostam na ressocialização.

Segundo a BBC, na Holanda, menos de 10% dos presos que são libertos voltam à prisão em menos de dois anos. No Brasil, esse número é sete vezes maior: 70%.

Em Santa Catarina, políticas de ressocialização que vêm sendo adotadas pela Secretaria de Administração Prisional e Socioeducativa estão revolucionando as cadeias em todo o estado. Por meio do trabalho e do ensino, detentos encontram a oportunidade para uma verdadeira mudança de vida.

Atualmente, 12 professores são coordenados pela "Dona Sônia" nos estudos proporcionados aos detentos 

Cadeia: faculdade do crime?

Um fato marcou a rotina do Presídio Regional de Tijucas. Enquanto caminhava por sobre as muralhas da cadeia de Tijucas, o diretor Carlos Raulino foi surpreendido por detentos que estavam no banho de sol.

"Os presos pediram pra falar comigo e para minha grata surpresa a reivindicação foi para que aumentássemos o número de vagas para curso superior", conta o policial penal.

A unidade já comemora a quantidade de apenados que fazem parte desta iniciativa: mais de 70% dos presos estão estudando alguma modalidade, seja ensino básico, fundamental, médio ou até mesmo superior.

"Educação muda o mundo, muda a pessoa, e no sistema carcerário não é diferente", enfatiza Carlos.

São muitos que chegam ao cárcere com a educação precária ou sem nenhum tipo de escolarização, até mesmo sem estar alfabetizado. Segundo dados do Infopen, o grau de escolaridade da população carcerária brasileira é extremamente baixo. São aproximadamente 80% dos detentos que ingressam nas unidades penais com o estudo incompleto.

Os números apontados no Infopen sugerem aquilo que intuitivamente já se sabe: maior escolaridade é um fator protetivo contra a criminalidade. Por isso, é tão importante que a educação seja o caminho.

"O nosso papel é fazer com que o interno tenha aptidão para se reinserir no mercado de trabalho e saia totalmente diferente do que entrou", explica o diretor. "Quando chega aqui, ele começa a se rever como pessoa e é importante dar direcionamento para essa visão", complementa.

Para Sônia Ramos, coordenadora do setor educacional do Presídio de Tijuca, é necessário mudar o costume de somente criticar, mas refletir de que forma se pode ajudar. "Trabalho porque gosto e acredito que estou fazendo a minha parte", explica.

Sônia trabalha com a educação prisional há 12 anos e sente gratificada ao perceber que durante todos esses anos, já viu muitos presos se formarem, e destes, poucos retornaram. Segundo a coordenadora, é perceptível o interesse e a mudança de comportamento dos estudantes.

"Hoje mesmo vivi uma experiência bacana" exemplifica. Um dos presos preferiu ficar estudando do que fazer o lanche, para pagar uma promessa. "Eu orei tanto para ter essa oportunidade de estudar, então já que esse pedido foi alcançado, vou fazer jejum."  

Diversos estudos comprovam que a educação vai além da transmissão de conhecimento. Ela contribui para a formação cidadã dos estudantes e, consequentemente, promove a transformação pessoal e da sociedade.

Sônia percebe essa transformação de perto. Segundo ela, é nítido o orgulho que os internos demonstram a cada etapa concluída, além da mudança de comportamento "Na forma de se comunicar, na educação, no respeito... O interno que estuda tem uma visão de mundo diferente", explica.

Para quem quer ajudar a continuar essa transformação pela educação, o primeiro passo é a doação de livros de qualquer gênero, inclusive literatura, afirma Sônia.

Cenário nacional é diferente

A realidade do Presídio de Tijucas é bem diferente do que da maioria das prisões no país. Apesar da educação para todos ser um direito garantido pela Constituição Federal de 1988, menos de 13% da população carcerária tem acesso à educação.

Dos mais de 700 mil presos em todo o país, 8% são analfabetos, 70% não chegaram a concluir o ensino fundamental e 92% não concluíram o ensino médio. Não chega a 1% os que ingressam ou tenham um diploma do ensino superior, segundo dados levantados junto ao Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN).

No Presídio de Tijucas, 22 pessoas cursam o nivelamento para alfabetização e séries iniciais, 97 pessoas cursando o ensino fundamental, 53 no ensino médio e 22 estão fazendo curso superior.

Conversamos com um dos apenados que faz parte da estatística de que 70% dos detentos do Presídio de Tijucas realizam ao menos uma das propostas de ressocialização da unidade. O detento conta que através do trabalho e ensino, garantiu um comportamento excelente durante o cumprimento de sua pena. Ele entrou na cadeia praticamente analfabeto e, agora, será solto prestes a se graduar em Administração.

E para quem acha que é mais fácil para quem está atrás das grades, está enganado. O interno que chega ao ensino superior arca com os custos da faculdade, que são pagos com a renda obtida pelo trabalho que desempenha na prisão, ou pela família do detento.

O curso é realizado totalmente à distância, dentro do laboratório de informática do presídio, com monitoramento dos professores. Mensalmente, os presos contam com o auxílio de um monitor para acompanhar seu desenvolvimento.

No ensino fundamental e médio, a formatura se dá por meio das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) ou pelo O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Este exame certifica competências, habilidades e saberes de jovens e adultos que não concluíram o Ensino Fundamental ou Ensino Médio na idade adequada.

Detentos de Tijucas terão aulas de música

Além de todas as iniciativas do Presídio Regional de Tijucas para eliminar a possibilidade de que a cadeia seja uma "faculdade do crime", agora, o gestor Carlos Raulino firmou parceria com a Associação Musical União Tijuquense.

Devido a essa resposta positiva de aceitação e interesse dos presos pelo estudo, a iniciativa agora dá um salto para os projetos culturais. Além da educação, a arte e a cultura também são ferramentas a serem exploradas para atingir o objetivo de ressocializar o detento.

Através desta parceria, os detentos agora terão aulas de canto e violão. A educação musical conecta o detento com a arte e com as emoções. O projeto também visa transformar critérios e ideias artísticas, em uma nova realidade para os apenados.

O projeto ainda está sendo organizado pelos responsáveis. Fique ligado pois o Jornal Razão está acompanhando os desdobramentos e novidades desta iniciativa.  

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