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ECONOMIA

Alta do diesel encarece alimentos e produtos em cenário de inflação elevada

Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Nesta segunda-feira (9) a Petrobras anunciou um novo aumento do Diesel, combustível utilizado, principalmente, pelos caminhões de transporte de cargas.

O reajuste aumentou o preço em 8,84% e o litro comercializado pela empresa para as refinarias passou de R$ 4,51 para R$ 4,91. Além do preço nas bombas, os consumidores sentem o impacto do aumento em alimentos e outros produtos, considerando a participação do petróleo na composição.

O economista Maurício Mulinari explica que o aumento causa uma reação em cadeia, pois "o combustível está na base do preço de todas as mercadorias do Brasil. Desde a produção até a parte de distribuição, que se dá muito por caminhões. Então, vai aumentar o preço de alimentos, vestuários e até de produtos farmacêuticos".

Ele complementa que o petróleo, além da base do combustível, também é base de produtos sintéticos. Ao todo, mais de quatro mil mercadorias têm petróleo na distribuição.

A Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) manifestou repúdio em relação à alta do diesel, afirmando que o aumento gera "enorme impacto negativo na prestação de serviços do Transporte Rodoviário de Cargas do País, responsável pela logística de mais de 60% de tudo o que se produz e consome no Brasil".

Por que o Diesel aumentou?

Apesar do aumento anunciado pela estatal brasileira, a cotação do petróleo tipo Brent no cenário internacional, um dos principais indexadores dos preços dos combustíveis, variou apenas 0,6% no período. O aumento tem relação com o refino do petróleo no Brasil.

Maurício Mulinari explica que, nos últimos cinco anos, o Brasil abandonou o seu processo de refino do petróleo.

"Houve um processo de sucessivo esvaziamento das refinarias brasileiras. Isso faz com que, quase que a totalidade do combustível refinado que a gente consuma no país, seja importado".

A elevação também está relacionada ao contexto internacional devido, principalmente, à Guerra na Ucrânia, que mexe com o fluxo do mercado global.

Maurício afirma é importante ter uma revisão da política de preços praticados pela Petrobras e uma retomada dos investimentos em refinarias brasileiras.

"Do ponto de vista da Petrobras, é necessário uma retomada do caráter público da empresa, porque está sendo submetida à lógica de distribuição de acionistas".

Cerca de 45% do capital da Petrobras é estrangeiro.

Texto: Fernanda Kleinebing | Agência Adjori/SC de Jornalismo

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