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Sexta, 18 outubro

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O Morro do Cabeço

Um dos mais famosos palcos de ?assombração? de Itapema é a praia do Cabeço, no morro que divide a cidade velha e a praia do Plaza

DESVENDANDO O VALE E A COSTA ESMERALDA
PARTE 40

Até 1859 o Vale do Rio Tijucas pertenceu a Porto Belo. Naquele ano o presidente da província sancionou a lei número 466, transferindo a sede da vila (município) para São Sebastião do Tijucas Grande, tornando a atual Costa Esmeralda freguesias (bairros). Por duas vezes Porto Belo voltou a ser Vila, mas não deu certo. São Sebastião era mais progressista e tinha um comércio pujante, através dos grandes veleiros que geravam rendas para a província.

Foi somente em 1925 que Porto Belo conseguiu em definitivo a sua autonomia político-administrativa, levando consigo Zimbros, Canto Grande, Mariscal, Bombinhas, Bombas e Santo Antônio da Tapera (atual Itapema). Nesta última freguesia encontramos uma das ramificações da Serra do Tijucas Grande, que se estende do Morro do Boi até Lages: trata-se do hoje “Morro das Calotas”, que termina na praia do Cabeço.

A referida ramificação desce no morro onde encontramos o restaurante Indaiá e recomeça a subir na BR 101, no sentido do mar. O Cabeço, que já pertenceu a mais de 25 famílias que viviam da agricultura, nos anos 60 foi comprado por Jean-François Desart, o Belga, um navegador solitário que permaneceu ali durante anos se dedicando a criação do bicho da seda. É uma área nobre, recoberta pela exuberante floresta secundária Ambrófila densa, a nossa Mata Atlântica. Como toda elevação rochosa é fruto de erupções vulcânicas, o Cabeço é rodeado por enormes pedras, dentro e fora d’agua.

Existe um movimento em Itapema que reivindica a transformação do local em Área de Preservação Permanente (APP), ignorando que há algumas décadas aquele lugar não tinha vegetação, mas pelo valor imobiliário o movimento aparentemente não terá sucesso, uma vez que o preço da indenização seria astronômico. A solução encontrada pelos investidores foi transformar o Morro do Cabeço em área habitacional autossustentável.

Para quem não conhece o Morro do Cabeço, ele começa na BR 101, ao norte do último trevo de Itapema, dividindo o Canto da Praia da cidade velha e o bairro Sertãozinho, situado ao sul do Hotel Plaza.

O historiador e ex-prefeito de Canelinha, Ênio Laus, em entrevista ao Portal Razão

O mistério dos livros do bruxo [1]

Um dos mais famosos palcos de “assombração” de Itapema é a praia do Cabeço, no morro que divide a cidade velha e a praia do Plaza. Biléca garante que nunca viu nada demais nas incontáveis vezes que passou por ali, inclusive à noite, mas os antigos moradores respeitam muito o lugar.

Conta a memória popular que muito antigamente morava ali um espanhol letrado, que usava roupas muito esquisitas. Era um homem grande, barbudo, cabeludo e de olhar sinistro. As crianças corriam quando avistavam ele descendo o morro em direção às poucas moradias de Santo Antônio da Tapera. O espanhol morava sozinho num velho casebre próximo ao mar, e só vinha ao povoado quando precisava buscar mantimentos.

Os nativos e os pescadores das redondezas temiam a estranha figura do espanhol, que não era chegado a qualquer tipo de intimidade com quem quer que fosse. Não conversava com ninguém, apenas fazia suas compras e ia embora. Repetia isso com frequência.

Foto antiga do Morro do Cabeço, do historiador Ênio Laus

Certa ocasião alguns pescadores passavam pelo local e viram muitos urubus em torno do casebre do espanhol. No vilarejo da Tapera há muito ninguém o via e então os homens do lugar resolveram verificar o que já sabiam: o homem tinha morrido. O que motivou os nativos a irem até o Cabeço foi mesmo a curiosidade, pois queriam saber o que o mantinha naquela mais absoluta solidão. E assim descobriram que o espanhol tinha livros, muitos volumes, escritos numa língua que eles não entendiam.

O espanhol foi sepultado no velho cemitério de Itapema e os livros trazidos para o povoado, de onde sumiram misteriosamente. Ninguém sabe do paradeiro das publicações e a única coisa de que se tem certeza é do receio dos pecadores itapemenses irem àquele lugar.

Conta-se que os pescadores e os moradores do Canto da Praia de Itapema sempre foram muito cautelosos em relação ao Cabeço, ao ponto de não terem nem ao menos coragem de descerem da embarcação naquela praia, inclusive durante o dia. Alguns dizem que no Cabeço dá muito robalo, mas aconselham os incautos a pescarem de dia, porque à noite apareceriam coisas estranhas por lá.

Biléca garantia que tudo isso era bobagem e que os boatos foram inventados por um antigo morador de Itapema, há muitos anos falecido, tendo como único objetivo preservar intacta a natureza daquele paradisíaco recanto.

[1] Extraído do livro Biléca – O Filho da Costa Esmeralda, de Leopoldo Barentin e Edson Carvalho Bayer, lançado em 2006, cerca de dois anos antes do seu falecimento.

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