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Sexta, 24 de Julho

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ESPECIAL

'Vejo o Bruno em cada um dos meus alunos'

Diretora do maior colégio da região do Vale do Rio Tijucas, Dona Sandra passou por dois traumas terríveis durante sua vida: a perda de sua filha e de seu neto. A experiente pedagoga conta que encontrou no ambiente escolar e na essência de cada estudante a cura para as dificuldades da vida.


Quem é a Dona Sandra 

Meu nome é Sandra Regina Pereira, tenho 65 anos e sou pedagoga. Fui diretora da escola Ondina Maria Dias e hoje me encontro aposentada do município, trabalhando apenas no Colégio Cruz e Sousa. Há 32 anos já trabalho aqui, sendo que estou há 15 anos como diretora.

Sou casada com o seu Henrique Pereira Filho. Tive duas filhas. Uma é falecida. Tenho outra filha que também atua em escola. Atualmente tenho só dois netos. Um deles faleceu há três anos. Sofremos muito pela perda dos dois. Digo que quem fez isso com meu neto está preso, porém quem ganhou a prisão perpétua fomos nós. Vivemos com o coração sangrando e o sorriso no rosto, mas a vida segue e a gente tem que trabalhar. O Cruz e Sousa é um remédio pra mim. É o que me cura a depressão. Eu chego aqui, tenho tanto trabalho, tanta coisa pra resolver, que até esqueço meus problemas de casa.

Como era e como é 

O Colégio Cruz e Sousa é o maior colégio da região e é centenário. É um orgulho trabalhar aqui e eu amo o que faço. Mudou muito a estrutura e a clientela. Antes tínhamos apenas pessoas que realmente poderiam estar aqui estudando, que possuíam uma condição financeira melhor. A cidade foi crescendo muito e hoje em dia temos alunos de todos os tipos, desde famílias bem abastadas e de famílias mais simples. Nossas famílias realmente são boas, nossos alunos são maravilhosos e não podemos reclamar de nada. Os pais são participativos e nos ajudam bastante a conduzir esta escola.

É difícil ser diretora? 

Difícil, é, não posso negar. Temos bastante dificuldade para trazer os pais mais vezes para a escola. Com jeito, paciência e determinação se consegue fazer um bom trabalho. A maior facilidade que se tem em trabalhar aqui é pelo fato de termos um grupo de professores muito parceiros, porém principalmente por conta dos nossos alunos. Nossos alunos a gente briga, a gente rala, porém ao mesmo tempo eles pedem desculpas, assumem o erro e seguimos juntos.

Meu maior prazer é quando vejo que nosso aluno chegou lá fora, conseguiu um emprego bom, conseguiu sustentar sua família e ser uma pessoa do bem. Quando vemos que um aluno atingiu este objetivo, nos sentimos realizados.

Graças a Deus tenho uma saúde de ferro e muita disposição, porém se Deus quiser ano que vem estarei aposentada. Gostaria que quem viesse para cá fizesse um trabalho ainda melhor a cada dia. Eu amo muito o Cruz e Sousa e considero minha segunda casa.

Um coração de ferro 

Sem dúvidas a perda da minha filha foi uma das coisas mais difíceis que me aconteceu, porém pior ainda foi a perda do meu neto. Minha filha morreu de doença natural. Me deixou triste, porém ela me deixou um neto, ou seja, um pedacinho dela comigo. Com a perda do Bruno, que é filho da minha filha falecida, eu perdi tudo. Perdi o chão. Perdi a referência que eu tinha da minha filha. Ele foi a vítima de um latrocínio. Não foi Deus quem tirou a vida dele. Além de eu perde-lo de forma trágica, isso marcou muito a minha vida. Não existiu nada mais triste na minha vida. Encontro em cada criança um pedacinho do Bruno. Em cada estudante, em cada jovem, um pedacinho daquele meu neto. Considero meus alunos como sendo meus filhos e meus netos. Eu brigo, eu xingo, eu abraço, eu beijo, eu elogio. Me sinto a mãe e avó deles e cada um representa um pedacinho do Bruno para mim.

Vou me aposentar! 

Não vai ser fácil me aposentar, porém está na hora de eu descansar e deixar ideias novas e pessoas novas tomarem conta do Cruz e Sousa. Acho que estou saindo na hora certa. Pra mim, que sou filha de gente muito pobre, que conseguiu estudar, fazer três faculdades e ser diretora do maior colégio da cidade onde eu nasci, vocês não têm noção do orgulho que eu tenho. E eu saio daqui com o coração lavado, com muito orgulho mesmo e sensação de dever cumprido.


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