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OPINIÃO

O Brasil está acordando: antes tarde do que na hora da morte

Por Natalia Sartor


(Foto: Divulgação)


Cidadã (o) brasileira (o), pense comigo. Só nos últimos tempos, houve a absolvição no caso do estupro sem intenção e houve o caso do sujeito absolvido por defesa da honra depois de esfaquear a mulher. Agora, lá vai a pergunta, me respondam vocês: realmente acham que isso está acontecendo só agora no Brasil ou que sempre aconteceu, mas acobertaram?

Este é o momento em que algum espertinho vai perguntar (ela está afirmando isso?). Não. Estou instigando-os a pensar. Usem a razão e a lógica de vocês; mesmo porque, há muitos que se consideram detentores da razão e estão subestimando a inteligência do povo; trocando em miúdos: estão gritando que a população é imbecil.

Seguindo o exercício da lógica: nunca aconteceu. O sistema judiciário entendeu de dar mancada só agora. Ok. Então nos acautelemos, daqui em diante, e fiquemos atentos às decisões judiciais no que diz respeito aos casos presentes e vindouros.

Ainda no exercício da lógica: sempre aconteceu, está vindo à tona só agora. Ok. Se é assim, você, cidadã (o) que zela pela vida, pela liberdade, pelo respeito, vai continuar ficando calada (o) até que por uma criminosa e horrenda desventura seja estuprada ou esfaqueada (o), ou que sua mãe, sua filha, sua irmã sejam violentadas e, mesmo depois disso, não se possa ver o opressor punido? Realmente acha que é ficando calada (o) que as coisas vão se resolver, como que por mágica, lá, dentro da casa da (justiça?)?

Porém, resquícios da ditadura ainda me dizem: "autoridades não podem ser questionadas". Só que autoridades também brincam de estátua enquanto um ser humano é humilhado à sua frente. Autoridades também rasgam códigos de conduta, autoridades também vomitam palavras tão ridículas e contraditórias que até um estudante universitário de primeira fase teria vergonha de repetir. Autoridades também precisam ser questionadas.

Apesar de todo esse trabalho da lógica, há coisas que só exigem olhos para ver; como disse alguém, há mais de dois mil anos. O curioso é que esse mesmo alguém foi condenado à crucificação (pelos ricos, poderosos e doutores) e, pasmem, exatamente conforme as leis da época.



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