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OPINIÃO

Racismo inverso

Necessário trabalhar-se seriamente a cultura da igualdade verdadeira


(Foto: Divulgação) /

A questão racial está sempre em pauta no Brasil e no mundo, visto como a discriminação em razão da cor da pele ou da etnia tem sido praticada, com grandes danos para pessoas e coletividades.

Os que mais sofrem são os descendentes de africanos, de pele morena, marginalizados ao longo do tempo. No Brasil, desde o nefasto período da escravatura, essa odiosa discriminação racial tem assolado a sociedade, levando dor pela imposição de subalternidade aos negros e pardos. Justificáveis, em casos tais, as ações afirmativas para inclusão dessas pessoas estigmatizadas em razão da cor da pele. Assim é que foram implementadas cotas em cursos superiores públicos, em concursos para ingresso no serviço público, além de outras providências com vistas a igualdade de todos os cidadãos brasileiros. A par das políticas públicas, campanhas de conscientização são deflagradas a miudamente, para uma alteração definitiva da cultura racista ainda reinante na sociedade.

Todavia, a situação racial requer bom discernimento para evitar-se o efeito pendular dos extremos, ou seja, primeiramente a perversa discriminação negativa que, se inexistir um critério racional, tende a desencadear uma discriminação positiva, mantendo-se a diferença em razão da raça, o que estimula o ódio entre as etnias. Esta questão tem sido ventilada nos últimos dias devido à ação de uma rede varejista que anunciou a contratação de um certo número de colaboradores, todos da raça negra, não sendo admitidas inscrições de pessoas brancas. Posturas assim vem sendo denominadas de racismo inverso, pela diferenciação entre raças, com manifesta opção pelas etnias negra, parda, mulata e cabocla, e exclusão de pessoas de tez clara ou etnia branca.

Com todo respeito às opiniões de diversos matizes, quer parecer imprópria discriminação racial nesse extremo, com o afastamento de pessoas de oportunidades tão só pelo fato da sua cor ou etnia. Nessa perspectiva, a questão racial tende a recrudescer, ora com o racismo próprio, ora com o racismo inverso, disseminando-se odiosidades entre irmãos por ostentarem maior ou menor pigmentação de pele.

Necessário trabalhar-se seriamente a cultura da igualdade verdadeira, do respeito recíproco, sepultando-se definitivamente os preconceitos raciais.


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