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OPINIÃO

A Leitura de hoje : em tempos de Fake

Entender que os boatos, as fofocas, são filhotes da mentira, mas ganham espaço quando a leitura é irrefletida e ingênua.

Por Katia Zílio


(Imagem: divulgação)/

Vamos pensar, leitor, que sabemos como a leitura é importante. Certamente não discordaríamos sobre isso. Muito se fala sobre como o brasileiro lê pouco, mas em tempos de mídias sociais, talvez isso já tenha mudado. 

A leitura sempre foi uma atividade elitizada, pois neste país nem todos eram alfabetizados e a popularização da leitura e da própria escola demorou a ser realidade. Acho que ainda não o é.

Então, quem lia e lê pode ser considerado uma pessoa que é admirada por ter esse hábito. Penso também que a leitura não pode ser um hábito como escovar os dentes e tomar banho. Para ler é preciso mais do que somente fazer. É preciso refletir o que se lê e duvidar e repensar e complementar, enfim, não podemos ser passivos diante daquilo que lemos.

Por isso talvez hoje se leia mais do que há algum tempo? Sim, a popularização das mídias e dos links e hiperlinks estabelecem maior contato do leitor com os textos. Isso não quer dizer que há mais leitura no que diz respeito à compreensão, interpretação e reflexão sobre o que se lê.

Haja vista a proliferação de notícias falsas, as chamadas fakes observamos que ler tomando tudo como verdade já era perigoso antes do advento da tecnologia. Hoje, então, é praticamente um reaprender a ler, pois é necessário seguir o texto a partir de suas fontes para investigar o quão verdadeiro ou próximo da verdade ele está. Desconfiar de textos sensacionalistas e que divulgam feitos extraordinários é hoje prerrogativa para não dizer bobagem na roda de amigos (aqueles que leem, certamente)

Entender que os boatos, as fofocas, as fakes são filhotes da mentira, mas ganham espaço quando a leitura é irrefletida e ingênua.

Afinal, cair em armadilha, não é para você, leitor. A discussão pertence à Armadilha da Língua que quer fazê-la com todos.


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