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OPINIÃO

Em tempo: as perdas...

'Em tempo de notícias trágicas, pensamos sempre nas perdas humanas...'

Por Katia Zilio

Hoje, leitor, estou trazendo de volta um texto escrito logo que comecei a me aventurar com a Armadilha da Língua. Vejo nele um sentimento de repetição... Não me canso de dizer que a vida é uma repetição... E nós andamos por aí a nos repetir, sempre e frequentemente.

Em tempo de notícias trágicas, pensamos sempre nas perdas humanas. Não é possível repor alguém... Somos únicos e essa peculiaridade que nos caracteriza é também o que nos impele a chorar pelas nossas perdas...

As tragédias que nos fazem refletir a vida e sua brevidade convidam também para um olhar cuidadoso para a própria vida. Não é possível pensar na vida sem lembrar da morte, elas são antônimas, mas parecem se completar.

A finitude da vida convoca a nossa arrogância para encarar a realidade: não somos imortais, não sabemos nossa hora, ninguém escapa da morte.

Nesses momentos de tragédia coletiva (e individual também) o sentimento é de solidariedade, pois nos colocamos no lugar daquele que teve uma perda... A perda (não perca) de uma pessoa querida nos transforma internamente... Somos tocados pelo sentimento de impotência e temos dó.

Dó das situações vividas pelo outro, dó pela vida que se foi...

Temos muito dó (não é muita dó)... Dó, palavra masculina que exprime sentimento de pena.

A empatia permite sentirmos dó pela perda... Por nos colocarmos no lugar do outro é que nos emocionamos e choramos... Já a alteridade é a capacidade de reconhecer que o outro é daquele jeito porque ele é, essencialmente, diferente de cada um de nós.

As perdas, o dó, a empatia e a alteridade inflamam sentimentos que sensibilizam os corações...

(Foto: Divulgação)/

Que sejamos solidários às pessoas que hoje, ontem, choram pelos seus... Amanhã pode ser a nossa vez...

A Armadilha da Língua quer solidarizar-se com a saudade, pois é esse sentimento imenso e peculiar que nos emociona sempre...

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