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OPINIÃO

Racismo estrutural?

Deu um soco e arrumou para a pinha

Por Murilo Machado


(Foto: Divulgação)


É que, nada de novo embaixo do Sol, assim vejamos o que temos para preencher, a duras penas, este hebdomadário espaço. Ainda causando sensação e dando causa a debate, discussões e bate-papo, o infeliz episódio acontecido em Porto Alegre quando alguém afrodescendente acabou por ser assassinado por seguranças de um supermercado. Por onde começo? Começo por discordar da tese apregoada e debatida de que a dita vítima, como tantas outras, faz parte das estatísticas do tal racismo estrutural. Racismo estrutural, temos isto por aqui?

Agora já se derramaram mares de tinta, gastaram-se centenas de horas nas mídias e meios de comunicação, alguns dos tais meios inclusive aproveitaram para tirar proveito e colher pontos de audiência. A nosso sentir o preconceito racial apontado é minoritário. O povo brasileiro, via de regra, não discrimina tanto. Claro que aqui, como em todas as partes do mundo, tem aqueles que pensam que são arianos e superiores.

A estes eu respondo que examinem melhor suas origens, pois além da possibilidade sempre presente do pé na cozinha ou na senzala, ainda tem o fato indiscutível do lixo europeu enviado para cá nas correntes migratórias do início do século passado, quando de mistura com os imigrantes pobres da Europa falida e decadente, seus governos aproveitaram para exportar uma lista de indesejáveis como assassinos condenados, ladrões, prostitutas e mais uma gama de gente que atrapalhava, o lixo europeu, e que foi degredada para cá de mistura com agricultores e operários.

Assim a branquitude de alguns, à luz da árvore genealógica não é exatamente coisa para orgulhar. Aos afrodescendentes resta o consolo de que seus antepassados não pediram para vir. Claro que a discriminação também aparece embutida nos calços e obstáculos a falta de atenção e ações adequadas a promover e dar condição aos pobres, estes de todas as cores. Ainda que na maioria das vezes tenha este escriba as maiores discordâncias e divergências com o capitão-presidente da República, agora é forçoso dar-lhe inteira razão, quando aponta as tentativas de se importar tensões e impor aqui pautas que não são nossas. Somos aqui imitadores, arremedadores, e o que é bom para os States é bom aqui.

Quanto ao resto, começa a aparecer que o triste evento de Porto Alegre resulta do despreparo dos tais seguranças, brutais e covardes, mas também ressalte-se que a vítima não era exatamente flor que se cheirasse e, ao que se vê, já fazia tempo que andava rançando dentro daquele comércio. Deu um soco e arrumou para a pinha.

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