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OPINIÃO

Nem muito ao mar e nem tanto à terra

'O petróleo é riqueza nacional e, como tal, a todos nós pertencente...'

Por Murilo Machado


O fato é que, dentre as confusões, imbróglios e mutretas a nos chamar a atenção e distrair, vemos a velha Petrobras chegar a mais uma encruzilhada. Trata-se de petrolífera estatal, ou seja, tem o governo como acionista majoritário o que, somente em tese, faria de nós todos, o povo brasileiro, como detentor das ações de seu capital.

 Fundada no governo do dito pai dos pobres, o ainda saudoso e agora já quase esquecido Getúlio Vargas, nasceu para a exploração das jazidas de petróleo que já sabia sermos possuidores. Claro que à época de sua fundação, o consumo mundial de petróleo não estava, nem de longe, próximo dos níveis atuais e o mundo árabe engatinhava para sair do sistema tribal em que vivia para organizar-se como nação e estado.

Foram os passos tímidos e lentos que possibilitaram aos vampiros ocidentais apossarem-se das jazidas pelo sistema colonialista de sempre, em trocar riquezas naturais por miçangas. Mas voltemos a vaca fria, a coisa aqui de Tupinicópolis. A Petrobras nasceu com o nobre objetivo de nos tornar autossuficientes na produção e refino do combustível que começava a mover o mundo.

Tal não aconteceu pelas nefastas injunções do Deus mercado, Deus que desconhece pátria e bandeira ou, no máximo, tem como bandeira o lucro a qualquer custo. E agora? Onde vamos? Suas administrações a dirigem como comércio e seguem os preços do mercado e do dólar.

As intervenções do acionista majoritário, no gesto demagógico de conter a alta dos preços no varejo resultam em desastres, refletindo em queda brutal de seu valor de mercado cotado na Bolsa. O presidente da República, como manobrador das ações majoritárias tenta se contrapor à lógica do mercado como o proclamado dito de oferecer combustíveis a preços educados, na realidade temeroso das ações paradistas dos caminhoneiros que se encostarem os brutos levam o governo para a parede.

Assim, na eterna briga da maré contra o rochedo quem apanha é o marisco, ou seja, nós o zé povo. Observando-se a letra fria da Lei o petróleo é riqueza nacional e, como tal, a todos nós pertencente. Os resultados obtidos dele deveriam vir ao benefício geral e não apenas dos municípios fronteiriços ao oceano ou ás poucas minas de terra firme a distribuir royalties. Urge, pois, buscar a zona de equilíbrio, evitando-se gestos que comprometam o bom andamento da empresa, mas sem tanta subserviência aos interesses externos que estão muito longe de serem nossos.

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