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OPINIÃO

E segue o baile

'Perdemos crédito e prestígio no dito concerto das nações...'

Por Murilo Machado


(Foto: Neil Palmer/CIAT/Creative Commons/Flickr)/

O fato é que, nos chama a atenção e preocupa, fato acontecido na Suíça e que, definitivamente, deverá ter graves repercussões aqui. Os cidadãos daquela adiantada nação, como é próprio entre civilizados, foram chamado às urnas, para permitir ao seu Parlamento travar as necessárias discussões para permitir a adesão de seu país em um bloco econômico formado lá pela Malásia. Se autorizado, seus parlamentares votarão permissivamente no Parlamento Europeu para permitir a adesão, ah, pois, e porque a consulta popular? Acontece que através da imprensa livre, os suíços tem manifestado graves preocupações de natureza ambiental, ecológica e preservacionista nos lados do bloco a ser admitido.

Meu estimado e(im)paciente leitor, como de hábito, franze o cenho e questiona o que temos com isto? Resmunga, entre dentes, que isto é problema dos gringos e resolvam eles lá como puderem ou quiserem. Não, não é bem assim. Ocorre que, lá no tal Parlamento Europeu tramita proposta igual para a celebração de ato de admissão do velho e meio fracassado Mercosul para comerciar com a comunidade europeia.

Com base no exemplo suíço que citamos, são poucas ou quase nenhuma as chances do acordo vingar. O Brasil tem liderança exponencial no bloco sul-americano e, não é segredo que os Estados Unidos e a Europa nos lançam os mais sisudos olhares quando se trata de meio ambiente, ecologia, preservação e proteção e afins. Quando se fala na Amazônia, então, os gringos têm ataques de urticaria. Basta lembrar que a Noruega glosou as verbas que doava anualmente para financiar os programas de preservação na nossa floresta tropical.

E com os noruegueses à frente, outros países também contribuíam com polpudas verbas que, na soma, chegava aos 3 bilhões de dólares anuais. Os Estados Unidos nos dão constantes reguadas nos dedos para alertar para o pouco caso que se dá a floresta Amazônica e outros ecossistemas. E, então? Está visto que urge guinada inversa e mudança urgente de rumos. Se não tomarmos medidas práticas urgentes, demonstrações as mais positivas de preocupação e ações materiais como nossa na natureza, já não tanto exuberante, corremos o risco de ver ampliar o fosso de isolamento que nos é dado diariamente. Perdemos crédito e prestígio no dito concerto das nações.

Para alguns já somos uma piada de mau gosto, para outros uns relaxados que precisam ser corrigidos com severidade. Na contramão do supradito, acabamos de saber de autorização para exploração de petróleo na região ecológica de Fernando de Noronha e Atol das Rocas. No mínimo um escândalo.

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