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OPINIÃO

Deus nos livre

'Motivo para o temor existe...'

Por Murilo Machado


(Foto: Divulgação)/

O fato é que nos chama a atenção meio da balbúrdia generalizada que nos cerca, quando se nota mais desgoverno que governo, surge na boca da cena um monstrengo, tão perigoso quanto a Covid, que é a menção e o uso da famigerada Lei de Segurança Nacional.

A tal lei, um rebotalho, último resquício do entulho autoritário vigente durante o governo militar. O advento do Estado de Direito, a restauração da democracia plena imposta pela Constituição promulgada em 1988, dita peregrina e cidadã, o respeitar em largos austos o vento da liberdade plena, fez por, com o passar do tempo, esquecer a existência de tal Lei, usada à larga pelos generais de plantão na Ditadura.

Agora, no tempo presente, período pleno de nebulosidades, ameaças veladas e explícitas de rompimento da ordem constituída e supressão das liberdades, eis que respinga lá e acolá, pessoas indiciadas, levadas a interrogatório e submetidas a inquérito policial investigadas e acusadas de atentarem contra a segurança nacional. As acusações têm lastro em manifestações pelas multimídias, de oposição ou desapreço a figuras públicas e "otoridades" melindradas ou causando melindres e achaques nos puxa-sacos e fâmulos que os cercam.

A quebra da normalidade democrática, ou pelo menos a possibilidade dela, tornou-se evidente quando trazido a público, no final da semana que passou, de telefonema do presidente do STF ao presidente da República para questioná-lo sobre propalada instauração do Estado de Sítio em todo o território nacional. Publicou-se nas redes sociais que prócer da República teria soprado aos ouvidos do ministro Fux a possibilidade ou pelos menos a existência da ideia.

O teor do diálogo entre aquelas altas autoridades e resultados não foram divulgados. Bueno, que temos então? Penso que ainda não chegamos tão perto da reinstalação do regime de força, regime aspirado por alguns, especialmente aqueles que não conheceram os porões da ditadura, o DOI-CODI, o DOPS e a Rua Tutóia. E quem são os ameaçados e perseguidos agora pela lei infame que mencionamos. Exatamente os jornalistas, os veículos de comunicação e órgãos de imprensa, os tais influenciadores digitais, enfim os formadores de opinião.

Um dos pilares mestres das sociedades livres, das nações democráticas é exatamente a imprensa livre, o sagrado direito a opinião e verbalização das ideias. Tais predicados são vistos por alguns como prejudiciais e ao povo só deve ser concedido o bico calado e chicotadas no lombo. O futuro próximo, o andar da carruagem nos dirá o que nos aguarda. Creiam, motivo para o temor existe.


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