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OPINIÃO

Gambitos

Por Carlos Homem


(Imagem: Divulgação) /

Conheço a estória de um candidato que gritava nos palanques de comícios que o seu adversário não podia ser prefeito da cidade porque o dito cujo tinha duas mulheres. O outro, não se deu por esmorecido. Organizou um grande comício e ali, também aos brados, disse: "Meu adversário diz que não posso ser prefeito porque tenho duas mulheres. Isso pode não ser muito correto, mas é muito melhor do que ele que é casado com uma mulher que tem dois maridos, e finge que não sabe."

Pronto! Matou a pau!

Nas campanhas políticas é de elementar prudência não atacar gratuitamente o adversário. As respostas ou defesas podem ser fatais e desidratarem o imprudente. Vivemos em tempos de dominação da mídia. As noticias e os fuxicos, como a verdade, se propagam na velocidade da luz, se é oportuna a hipérbole. Uma expressão dita sem cautela pode ser revidada com mais força. Numa sessão do Tribunal do Júri, porque o assistente da acusação era muito pachola e metido a fazer gracinhas, fiz um aparte dizendo que ele parecia o Chacrinha.Ele respondeu de pronto: "E vossa excelência uma chacrete!" Perdi. Fiquei com raiva de mim mesmo.

Se tivesse ficado com a boca fechada não teria pago aquele mico humilhante. Os boatos gratuitos disseminados por candidatos contra seus oponentes identificam a sua cegueira e arrogância, mostrando seu despreparo. O desejo pelo poder talvez seja a causa dessas mazelas políticas. Ficam pusilânimes nas suas falas e atitudes! Foi o desejo de poder em excesso que causou a queda dos anjos. Lúcifer, o anjo caído, querendo obter o poder divino, perdeu seu brilho e passou a ser o nome próprio do diabo. Aproveitando o exemplo religioso que acabo de citar, Santo Agostinho ensinava que na política mundana tudo se inverte, os efeitos precedem as causas, nada do que se espera ocorre. Um sujeito recebe o golpe que planejava dar, outro sofre o que não sonhava. Mas o bicho humano é assim mesmo! Enche as mãos com anéis, relógios, alianças de ouro, o pescoço com colares e cordões, as orelhas e os narizes com brincos, pintam as unhas e a cara como palhaços.

Enfeitam-se desde os tempos das cavernas por inexplicável vaidade. Pois na convivência com seus semelhantes o homem adula e fantasia também o seu próprio ego. Isso o leva a crer que é melhor do que o outro. Pensa que comentários e intrigas ácidas lançadas contra seus opositores é a melhor forma de sair da obscuridade. Esses gambitos são como bumerangues que voltam contra quem os lançam. Oportuno citar a expressão célebre de Lênin: "Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é". Porém, cada vez mais se constata que esses expedientes escusos acabam derrotando o detrator.          

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